Anna Rezan fala sobre ascensão em Great Kills, My People e sua trajetória entre atuação, música e cinema

Luca Moreira
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Anna Rezan
Anna Rezan

Entre a atuação, a música e a direção, Anna Rezan constrói uma trajetória artística marcada pela versatilidade e pelo compromisso com histórias que atravessam fronteiras. A atriz, cantora e cineasta greco-americana vive um momento de destaque com a série Great Kills, bem avaliada no IMDb, e com o documentário My People, que lança luz sobre um capítulo pouco conhecido do Holocausto. Em entrevista, Anna fala sobre seus projetos internacionais, o impacto de trabalhar com vencedores do Oscar, sua visão multidisciplinar da arte e a força da narrativa feminina em seu trabalho.

“Great Kills” alcançou uma pontuação impressionante no IMDb. O que você acredita que essa série representa na sua carreira como uma atriz em ascensão?

É um prazer incrível trabalhar com esse grupo… Atualmente, no set da nossa série Great Kills, James Merendino, Lisa Hammer e Steve Stanulis criaram um espaço amoroso e cheio de energia, não apenas para atuar, mas também para sermos nós mesmas. E é por isso que acredito que o público ama tanto a série. Foi um verdadeiro sopro de ar fresco fazer parte de um projeto cômico e divertido depois de ter criado um filme sobre a Segunda Guerra Mundial.

Seu documentário My People destaca um capítulo pouco conhecido da história do Holocausto. O que mais te surpreendeu pessoalmente durante o processo de pesquisa e direção do filme?

A pesquisa costuma revelar aspectos pouco conhecidos da guerra, como as histórias de mulheres veteranas, as experiências de soldados de minorias que enfrentaram o racismo ou até projetos militares bizarros, como mísseis guiados por pombos.

No fim das contas, o que mais surpreende é o confronto direto com a experiência humana da guerra — seja pela emoção crua no olhar de um veterano ou pela realidade impactante das imagens de época, que constantemente superam expectativas e narrativas previamente planejadas.

Como foi trabalhar ao lado de dois vencedores do Oscar na produção de My People? Essa parceria influenciou sua visão como diretora?

Como já mencionei, trabalhar com os vencedores do Oscar Mitchell Block e Kim Magnusson foi uma verdadeira “honra e bênção”, que fortaleceu muito minha autoconfiança. Essa colaboração validou minha visão artística e ofereceu um apoio essencial para minha estreia na direção.

O suporte que recebi — especialmente como cineasta mulher, trabalhando com uma equipe majoritariamente masculina nesse projeto específico — mostrou que, com o apoio certo, uma diretora consegue realizar sua visão e superar obstáculos. Essa parceria me permitiu focar na mensagem universal do filme: transformar o trauma em uma crença no amor e na vida.

Você transita entre atuação, música, performance artística e direção. Como consegue equilibrar tantas frentes sem perder sua identidade criativa?

Na verdade, isso permite que minhas habilidades se alimentem umas às outras. O olhar de diretora pode enriquecer minha performance artística; minha musicalidade influencia o ritmo da minha atuação. Essa integração — que envolve atuar, dirigir e performar musicalmente — me ajudou a consolidar minha identidade multidisciplinar.

Posso dizer que existem temas, mensagens e questionamentos comuns que atravessam meu trabalho na atuação, música, performance e direção. Esse propósito unificado é o meu núcleo criativo. Exploro a vulnerabilidade das conexões humanas por meio do som, do movimento e da narrativa visual. Essa missão orienta minhas escolhas de projetos e garante que tudo o que faço seja relevante.

Sua versão de “Baila Morena”, de Julio Iglesias, revela uma abordagem artística muito pessoal. O que te motivou a revisitar essa música?

Regravei “Baila Morena” em 2023, em uma versão cover com Taavi Vartia, motivada por uma releitura que celebra a beleza feminina e o empoderamento. Quis inverter a narrativa da canção. Enquanto a versão original, escrita sob uma perspectiva masculina, admira e celebra a beleza de uma mulher, minha versão busca mostrar uma mulher admirando e honrando a beleza de outra mulher.

Espero que o público se encante com essa nova versão, dance ao som da música e sorria ao assistir à beleza retratada no videoclipe, ambientado nas paisagens da Grécia.

Você tem projetos sendo filmados em países como Grécia, Alemanha, Finlândia, Canadá e Reino Unido. Como essa presença internacional influencia sua visão artística?

Isso influencia minha visão ao me expor a ideias, técnicas e mercados globais diversos, promovendo uma síntese intercultural, mas também levantando questões sobre autenticidade, apropriação cultural e abordagem comercial. Busco inspiração em um vasto repertório global, misturando técnicas, estilos e temas de diferentes culturas para criar formas artísticas híbridas que refletem um mundo interconectado.

Sem dúvida, isso amplia meus horizontes e transforma meu trabalho em uma espécie de “diplomacia artística”.

Entre uma comédia romântica, um épico sobre a Segunda Guerra Mundial e o novo piloto que você está desenvolvendo, qual desses projetos mais reflete a artista que você é hoje?

Todos são igualmente importantes para mim. São projetos movidos pela paixão e refletem meu toque pessoal e minha visão otimista. O mais importante, para mim, é criar obras audiovisuais que nos inspirem, nos incentivem a fazer a diferença e nos façam sair da tela com um maior senso de possibilidade e esperança no futuro.

Já realizei um projeto sobre a Segunda Guerra Mundial, então dirigir uma comédia romântica seria mais um sonho realizado. É meu gênero favorito, e há um motivo para as narrativas centrais das rom-coms serem tão universais: o público se reconhece nas experiências dos personagens com o amor, criando uma conexão emocional profunda e aquele sentimento compartilhado de encanto e desejo.

Você está prestes a lançar um dueto com Craig Walker. Como essa colaboração surgiu e o que podemos esperar desse encontro musical?

Somos amigos há muitos anos. Sou fã do trabalho dele desde criança… Craig é um vocalista extremamente expressivo, que ajudou a conduzir o som do Archive para o rock psicodélico e progressivo. Ainda não decidimos exatamente o caminho — estamos experimentando ideias. Acho que é simples assim: esperem o inesperado (risos).

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