No segundo volume da trilogia Benedicite, o escritor Rodrigo Erthal aprofunda a jornada iniciada com o jornalista investigativo Johnny Deal Halberty, protagonista que se vê no centro de uma revelação capaz de transformar a percepção da humanidade sobre o universo. Em Benedicite 2 – O Novo Lar, o personagem enfrenta as consequências globais do primeiro contato com uma civilização extraterrestre, tornando-se porta-voz de uma missão espacial cercada por disputas políticas, interesses internacionais e questionamentos sobre o futuro da Terra. Misturando ficção científica, referências históricas e reflexões sobre responsabilidade coletiva, a obra conduz o leitor por uma narrativa de descobertas que coloca em xeque os limites da ciência, do poder e da própria identidade humana.
Em Benedicite 2 – O novo lar, o protagonista Johnny Deal Halberty se vê no centro de um evento que pode transformar completamente a forma como a humanidade enxerga o universo. O que te inspirou a imaginar essa história de primeiro contato a partir do olhar de um jornalista investigativo?
O livro conta a história da humanidade encontrando vida inteligente fora da Terra, o que ocasionou uma viagem até eles, como sugere o título do primeiro livro “A busca pelo primeiro contato”, mas para que isso acontecesse deveríamos ter a certeza dessa existência e em um dia normal de trabalho desse jornalista, ele se depara com um acontecimento que faz ele começar a investigar e essa ansiedade por investigação é algo que já é intrínseco dele, o querer descobrir algo novo, uma conspiração global, por exemplo, está enraizado em Johnny. Durante toda a investigação aparecem fatos que fazem com ele se aprofunde cada vez mais, seguindo o desenrolar da a história, algo que talvez, se fosse em uma pessoa de fora dessa área, não acontecesse como foi contado.
A obra mistura ficção científica com referências históricas, como a corrida espacial e projetos militares secretos do pós-guerra. Como foi o processo de pesquisa para equilibrar fatos reais com a construção da narrativa ficcional?
Desde a época de escola em conversas e discussões em sala de aula, alguns fatos me marcaram, como na Guerra Fria, que sempre que tinha um conflito, nunca os EUA e União Soviética lutaram diretamente um com outro, e na Corrida Espacial ambos sempre tiveram os mesmos objetivos, então esses fatos foram usados como pano de fundo no decorrer da história, nada desses fatos citados no livro foram inventados, mas do olhar como foi descrito fica a dúvida se as relações entre essas nações naquela época foram como sabemos ou teria algo por de trás. Os detalhes usados no livro em ambos os casos, foram pesquisados em fontes, tanto na internet, quanto em livros e documentários, a ideia, o pano de fundo usado e descrito no livro é plausível e quem sabe tenha sido o que realmente aconteceu.
Johnny passa de observador a protagonista de uma mudança global, tornando-se porta-voz de um dos maiores eventos da história da humanidade. O que mais te interessava explorar nessa transformação do personagem?
Johnny é uma pessoa como qualquer outra, realiza seu trabalho, paga suas contas, mas estava no lugar certo na hora certa, ou no lugar errado na hora errada, depende da visão de cada um, mas algo apareceu na sua frente, algo que ele poderia ignorar e seguir sua vida, ou ele poderia ir atrás e ver no que ia dar. Johnny foi colocado em frente a uma aventura, usando esse termo, assim como em diversos contos, mas se ele não tivesse o viés investigativo, será que entraria de cabeça na aventura apresentada. A escolha desse personagem com essas características foi intencional, sua curiosidade e sua experiência em investigação fez ele entrar na história sem pestanejar, crescendo a cada página, se transformando no protagonista, mas acima de tudo mostrando para o leitor que mesmo uma pessoa não tendo a experiência jornalística de Johnny, mas tivesse um pouco de curiosidade e determinação poderia ser e se tornar o protagonista da história.
Ao longo da trama, a história sugere que a exploração espacial muitas vezes esteve mais ligada a interesses políticos do que puramente científicos. Por que você decidiu trazer essa reflexão para dentro da narrativa?
Conspiração governamental, segredos de tecnologias científicas, descobertas alienígenas, sempre instigou as pessoas e acredito que sempre fará isso, então dentro de uma história, onde fatos históricos foram contados de maneira distorcida para todos, esses assuntos não poderiam ficar de fora e trazer que a evolução científica da humanidade não foi puramente das ciências, e sim com fundo político, é algo que acho que instiga.

O título O novo lar pode ser interpretado de várias formas — não apenas como um lugar físico, mas também como uma ideia de pertencimento e transformação. O que esse conceito representa dentro da jornada dos personagens?
O título do livro é revelado durante a história, sendo que um capítulo é nomeado desse mesma maneira, mas durante a leitura fica a pergunta que Novo Lar é esse e de quem é esse Novo Lar, algo que foi escolhido intencionalmente, se lermos o título direto, fica “Benedicite – O novo lar”, mas a nave Benedicite é o novo lar, se for de quem é, mas e se for outro coisa, por exemplo, um planeta, ele será o Novo Lar? A ideia é fazer o leitor descobrir, qual é o novo lar e de quem é esse novo lar. Como foi provocado na pergunta, será que a escolha do título é para algo simplesmente físico, ou para o crescimento e a transformação de um personagem, ou as duas coisas, infelizmente não posso responder sem dar spoiler, mas a ideia é fazer o leitor procurar essa resposta.
A obra também levanta uma questão profunda: se a humanidade realmente estaria preparada para um contato extraterrestre. Na sua visão, o que esse encontro revelaria sobre nós mesmos como espécie?
No livro 1 essa pergunta de estarmos sozinhos é respondida, no livro 2 veremos as consequências dessa descoberta, acredito que muitos não estão preparados para não sermos os únicos seres inteligentes, mas em nossa história temos alguns exemplos, quando descobriram que a Terra era redonda, que ela não era o centro do Universo, que fomos até a Lua, muitas pessoas não acreditaram e posso dizer que poucas ainda não acreditam, mas continuamos aqui, seguimos em frente, então se isso acontecesse seria bem difícil para alguns e talvez fácil para outros. Esse revelação mudaria o ego de muitos, alguns setores como a religião, por exemplo, seria muito complicado em algumas vertentes, mas acho que é algo que precisamos passar, para olharmos menos para nosso próprio umbigo e ver que estamos todos no mesmo barco\planeta e que existem outros seres por aí, que ou nos preocupamos com tudo em nossa volta, ou podemos ser, quem sabe, subjugados, ou até destruídos.
Sua formação em Biologia, Física e sua experiência como astrônomo certamente influenciam sua forma de construir esse universo. De que maneira o conhecimento científico contribuiu para dar mais realismo à ficção da trilogia?
Sempre gostei de dois gêneros na literatura, fantasia e ficção científica e minha formação acabou ditando qual seria minha escolha. Alguns filmes e livros de ficção científica chamaram minha atenção, principalmente, aqueles que são considerados mais pés no chão, mas ter o conhecimento em ciências, que engloba a biologia e física, ajudou a escrever um livro assim, o que foi usado de descobertas científicas na escrita do livro são plausíveis, ou pelo menos quase todas, algumas dessas citações temos hoje a ideia que possam existir, no livro elas existem, então tive a preocupação de criar ciências que acredito que um dia iremos descobrir, que talvez hoje ainda falte a tecnologia para isso, ou até mesmo uma visão diferente de cada problema.
Ao acompanhar Johnny em meio a pressões políticas, descobertas cósmicas e conflitos pessoais, que tipo de reflexão você espera que o leitor leve consigo ao terminar a leitura do livro?
A ideia de escrever um livro foi tentar contar uma história diferente, mas com a vontade de entreter e divertir o leitor, fazer ele esquecer dos problemas do dia a dia no momento em que está dedicando seu tempo para a leitura, mas lógico que se cada um pensar sobre seu papel em uma sociedade e até mesmo no Universo, mostrando que decisões e atitudes, mesmo que pequenas, possam muitas vezes fazer a diferença, para melhor, ou para pior e conseguir causar algum efeito nas atitudes do leitor, gerando alguma mudança de faça, de repente, com que a humanidade de o próximo passo a sua evolução, será algo extraordinário.
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