Beatriz Pina fala sobre bastidores da dublagem e a emoção de emprestar a voz em grandes projetos

Luca Moreira
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Beatriz Pina
Beatriz Pina

A dubladora Beatriz Pina descobriu na voz uma forma de atuar, contar histórias e colocar um pouco de sua própria essência em personagens de diferentes universos. Ainda no início de sua trajetória, ela já acumula trabalhos em produções como His Dark Materials, Minha Culpa, Sua Culpa, Nossa Culpa, Pré-Escola: O Musical! e Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, transitando entre live-action, animação, streaming e dublagem cantada.

Em entrevista, Beatriz relembra a emoção de sua primeira aula de dublagem, fala sobre o desafio de “desaparecer” para que a personagem sobressaia e comenta sua participação na terceira temporada de His Dark Materials, adaptação da obra de Philip Pullman. Ela também destaca o impacto de ter sido reconhecida por fãs na escola após o sucesso da trilogia Minha Culpa e revela o desejo de um dia emprestar sua voz a uma princesa da Disney.

Para a jovem artista, dublar é um exercício constante de escuta, emoção e preparação. Entre personagens infantis, animais fofinhos, séries dramáticas e produções de fantasia, Beatriz enxerga na dublagem uma carreira de aprendizado diário, na qual cada detalhe da voz pode transformar a forma como o público sente uma história.

Beatriz, você começou sua trajetória na dublagem ainda muito jovem e já passou por produções de grande alcance. Quando percebeu que a voz também poderia ser uma forma de atuar, contar histórias e construir personagens?

Eu me apaixonei de fato pela dublagem depois da minha primeira aula. Lembro direitinho de como aquilo foi mágico para mim. Depois, pesquisando um pouco mais, vi que ia muito além da magia e da beleza… havia muito mais interpretação por trás. Passei a me dedicar ainda mais ao teatro e aos estudos de dublagem e, até hoje, estudo muito (rsrs). Sobre a construção dos personagens, é maravilhoso poder colocar um pouquinho da minha essência em uma atriz ou em um desenho animado. Sempre observo bem cada detalhe importante do jeitinho da personagem e encaixo a minha interpretação nela.

A dublagem muitas vezes exige que o público acredite na personagem sem necessariamente conhecer quem está por trás da voz. O que mais te encanta nesse lugar de dar vida a alguém de forma tão presente e, ao mesmo tempo, tão invisível?

A dublagem é justamente saber equilibrar bem a atriz que eu sou com a personagem que estou fazendo. Eu gosto muito de entender o jeito da personagem e sempre dar um toque especial meu. Amo quando o público diz que entende a cena mesmo se fechar os olhos, porque isso significa que colocamos a emoção certa e que fomos “apagados” para o personagem sobressair. O melhor é quando dizem que a minha voz realmente parece ser a da atriz que estou dublando.

Seu primeiro trabalho registrado na dublagem foi em His Dark Materials, uma adaptação muito querida da obra de Philip Pullman. Como foi entrar na dublagem já participando de um universo tão grandioso, com tantos fãs e uma história marcada por fantasia, filosofia e emoção?

Na verdade, eu fui conhecer a série depois de tê-la dublado. Claro que, na hora em que fui dublar, saí suuuper emocionada do estúdio e, quando lançou, corri atrás de mais informações sobre o trabalho que fiz. Foi incrível saber que era uma série muito bacana e bem dirigida pela Flávia Fontenelle. Foi um prazer enorme poder fazer parte dessa história.

Em His Dark Materials, você dublou Machi na terceira temporada. Mesmo quando uma participação é menor dentro de uma produção grande, ela faz parte de um universo muito rico. Como você se prepara para entrar no tom de uma obra que já tem uma identidade tão forte?

Nós não sabemos o que vamos dublar antes de chegar ao estúdio, então não temos tempo para ter um preparo específico. Mas eu sempre me preparo de maneira geral, nunca deixando de estudar e intensificar a minha atuação para estar pronta para qualquer tipo de produção.

Você também esteve em projetos voltados a diferentes públicos, passando por séries, filmes juvenis, animações e produções de streaming. O que muda na sua interpretação quando você dubla uma personagem de live-action em comparação com uma animação?

Em animação, normalmente faço um tipo de voz diferente, já que, na maioria das vezes, acabo dublando crianças ou animais fofinhos. Um exemplo disso são as gêmeas Ellie e Kat, de Pré-Escola: O Musical!. Para uma, fiz uma voz mais aguda e, para a outra, uma voz mais grave, diferenciando bem as meninas. Já em live-action, eu gosto de suavizar mais a minha voz ou deixá-la um pouco mais grave, dependendo da personagem, como a Becka, de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, em que pude deixar minha voz mais “séria”, guiada pelo tom da série e pela voz da própria atriz Mattea Conforti.

Trabalhos como Minha Culpa, Sua Culpa e Nossa Culpa têm uma ligação muito forte com o público jovem e com fandoms bastante engajados. Como é para você emprestar sua voz a personagens que podem criar uma conexão tão direta com espectadores da sua geração?

Na época em que gravei, não fazia ideia do sucesso que essa trilogia faria. Me assustei quando cheguei à escola e tive meus primeiros fãs — com direito a ganhar presente… rsrs — por causa desse filme. Foi um trabalho bem impactante, e sempre serei grata à Jennifer Gouveia pelo presentão e à Bruna Laynes por continuar a direção desses filmaços.

Olhando para essa fase inicial da sua carreira, o que você sente que a dublagem já te ensinou sobre escuta, emoção e responsabilidade artística? E que tipo de personagem ou projeto você ainda sonha em dublar no futuro?

Meu ouvido certamente se aprimorou muito. Sempre que assisto a um filme ou a uma série, já reconheço as vozes. Hoje em dia, sei identificar as pequenas emoções que o personagem traz. A gente vai evoluindo dia após dia, aprendendo a captar os detalhes de forma minuciosa.

Acho que o sonho de toda dubladora é ser a voz de uma princesa da Disney, né? Mas, além disso, seria incrível ouvir minha voz em outros filmes e séries da Disney, da Netflix e também no cinema. Amo muito musicais, em que eu também poderia cantar pela minha personagem, já que faço trabalhos de dublagem cantada. E, é claro, continuar dublando minhas bonecas!

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