Com uma trajetória internacional construída desde a adolescência, Linda Summer consolidou seu nome na moda ao mesmo tempo em que desenvolveu uma imagem marcada por autenticidade, disciplina e força. Em entrevista, a modelo alemã fala sobre os aprendizados desde a Berlin Fashion Week, a importância de enxergar o preparo físico como superação e equilíbrio, e a defesa de uma beleza mais livre, inclusiva e conectada à individualidade.
Sua trajetória começou muito cedo, aos 16 anos, na Berlin Fashion Week. O que você se lembra daquele início e de que forma aquela experiência moldou a profissional que você se tornou?
Começar aos 16 anos, durante a Berlin Fashion Week, foi como entrar em um universo completamente novo, especialmente vindo de uma vila pequena como eu vim. Eu me lembro da energia nos bastidores — a correria, a criatividade, a sensação de que tudo era possível. Nessa idade, tudo parece intenso. Mas de um jeito bom. Sou muito grata por essa experiência. Aprendi muito desde cedo.
Olhando para trás, também percebo que levava muitas coisas para o lado pessoal, até demais, mas ao longo dos anos realmente aprendi a não fazer isso. Aprendi a manter o foco e a ter mais confiança para sobreviver nessa indústria, e isso também me ajuda na minha vida pessoal.
Você construiu uma carreira internacional e estampou capas importantes como Vogue e Harper’s Bazaar. O que esses marcos representam para você hoje?
Estar em capas como Vogue e Harper’s Bazaar é uma honra. Hoje, vejo esses momentos como símbolos de confiança e colaboração. Cada capa representa uma equipe de criativos que acreditou em uma visão em comum. Para mim, esses marcos são lembretes de que consistência, profissionalismo e autenticidade criam oportunidades de longo prazo. Eles também representam crescimento — cada experiência me ajudou a evoluir, não apenas como modelo, mas como mulher que entende o seu valor para além de uma única imagem.

Sua vida fora das passarelas inclui motocicletas, boxe, artes marciais e rapel. Como essas experiências influenciam sua mentalidade e também sua presença como modelo?
Essas atividades são uma parte muito importante de quem eu sou. Elas ensinam foco, coragem e controle. O boxe e as artes marciais, por exemplo, exigem disciplina mental e respeito pelas capacidades do seu corpo. Já o rapel te empurra para fora da zona de conforto e te lembra de que o medo pode ser transformado em força. Todas essas experiências influenciam a forma como eu me movimento, como mantenho a postura e como enfrento desafios na minha carreira. Elas me permitem levar ao meu trabalho uma sensação de confiança e autenticidade que vai além de posar — isso se torna uma forma de expressão.
Você desafia a imagem mais tradicional associada ao universo da moda. Em sua visão, como o conceito de beleza vem mudando nos últimos anos?
A beleza hoje é muito mais inclusiva e multidimensional. Ela já não é mais definida por uma única aparência, mas por personalidade, energia e individualidade. A indústria está reconhecendo cada vez mais que força, inteligência e caráter também fazem parte da beleza. Acho que as pessoas se sentem atraídas pela autenticidade agora mais do que nunca. O mais inspirador é ver mulheres abraçando qualidades que antes pareciam incomuns e percebendo que justamente a singularidade é a maior vantagem delas.

Para você, o preparo físico parece estar muito mais ligado à força e ao autodesenvolvimento do que apenas à estética. Quando essa visão passou a fazer parte da sua vida?
Minha visão sobre condicionamento físico evoluiu quando comecei a treinar para performance, e não para aparência. O treino de força, o boxe e as artes marciais me ajudaram a entender do que o meu corpo é capaz, e essa percepção muda tudo. O condicionamento físico se tornou uma forma de construir disciplina, clareza mental e resiliência. É muito poderoso sentir-se forte e capaz, e essa confiança naturalmente se traduz em todos os aspectos da vida. Para mim, o objetivo é sempre o progresso — me tornar mais forte, mais focada e mais equilibrada com o tempo. Embora isso ainda seja desafiador.
Além da carreira, você também apoia causas importantes, como a National Park Rescue Organization e a Keen Los Angeles. O que motiva esse envolvimento com ações sociais?
Retribuir é muito importante, porque o sucesso se torna mais significativo quando gera um impacto positivo para além de você mesma. Eu me sinto grata pelas oportunidades que tive e acredito que é importante usar a visibilidade para apoiar causas que façam a diferença. Até pequenas contribuições podem inspirar conscientização e encorajar outras pessoas a participarem. Por exemplo, quando faço trabalho voluntário com crianças com deficiência, isso me devolve muito. A alegria delas se torna a minha, e a sensação que você tem ao vê-las sorrir é incrível. Nenhum dinheiro no mundo pode te dar isso.

Ao olhar para sua trajetória até aqui, que mensagem você mais gostaria de deixar para jovens mulheres que querem seguir seus sonhos sem se limitar aos padrões impostos?
Permaneçam sempre fiéis a si mesmas e nunca percam de vista de onde vieram. Tudo o que vocês vivem — os desafios, os sacrifícios, as pequenas vitórias — molda sua força e seu caráter. É importante manter os pés no chão, valorizar cada oportunidade e nunca tomar nada como garantido. Sucesso não é apenas alcançar um objetivo, mas também quem você se torna ao longo do caminho.
Sempre haverá expectativas e opiniões, mas a individualidade é o seu maior poder. Quando você permanece autêntica, trabalha duro e continua crescendo, você cria o seu próprio caminho em vez de seguir a definição de sucesso de outra pessoa. Permaneça humilde, focada, e lembre-se de que elegância não está apenas na aparência — ela também está na confiança, na resiliência e na capacidade de permanecer gentil e grata, não importa o quão longe você chegue.

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