Alvarina Nunes

Através de novo livro, Alvarina Nunes expõe compilado de consequências dos desastres desencadeados pelas ações humanas

Luca Moreira
14 Min Read
Alvarina Nunes

A autora gaúcha Alvarina Nunes, aos 74 anos, mergulha em uma profunda reflexão sobre os tormentos que assolam a humanidade em seu mais recente livro ‘Por que sofre a humanidade?’. Testemunha das mudanças climáticas, avanços tecnológicos e crises geopolíticas, Nunes confronta a inércia diante das promessas não cumpridas e explora temas como loucura, pecado e insensibilidade humana. Em meio a uma era marcada pela tecnologia, ela destaca um vazio existencial que persiste, mesmo com os avanços tecnológicos. Ao traçar paralelos entre calamidades mundiais e o afastamento espiritual, a autora convida os leitores a refletirem sobre as causas dessas tragédias e a encontrar caminhos para a esperança e o renascimento.

Como suas observações sobre mudanças climáticas, tecnológicas e geopolíticas ao longo dos anos influenciaram sua perspectiva sobre a condição humana?

Tenho refletido profundamente sobre a relação intrincada entre a humanidade e o meio ambiente que compartilhamos. A crescente conscientização sobre os efeitos das atividades humanas no clima global destacou a necessidade premente de uma abordagem mais sustentável e responsável em relação aos nossos recursos naturais. A humanidade enfrenta uma crise que ela mesma causou. A maioria dos cientistas concorda que os humanos são os responsáveis pelo aquecimento global. Esse aumento na temperatura já mudou o clima da Terra e trouxe resultados desastrosos, como estes: fenômenos climáticos cada vez mais frequentes e extremos, ondas de calor, secas e tempestades. Isso, por sua vez, está causando mais enchentes e incêndios. Derretimento do gelo do Ártico e de geleiras. Aumento do nível dos oceanos. As mudanças climáticas estão afetando os quatro cantos da Terra. O jornal The New York Times analisou a situação de 193 países e declarou: “O planeta está pedindo socorro.” A crise climática tem causado tanta morte e sofrimento que a Organização Mundial da Saúde disse que essa “é a maior ameaça à saúde que a humanidade enfrenta”.  Mas temos motivos para olhar para o futuro com esperança. A Bíblia sempre nos alertou que as coisas que estamos vendo hoje iriam acontecer.

No seu livro “Por que sofre a humanidade?”, quais são os temas que você explora?

As calamidades que o mundo está enfrentando nos dias de hoje. A Terra está gemendo. Ouvimos toda hora os noticiários no mundo inteiro falando de guerras, rumores de guerras, terremotos em diversos lugares ao mesmo tempo, ciclones, desabamento de terras, geleiras aumentando e outras derretendo, fome, falta de emprego, pestes, doenças avassaladoras, epidemias como a Covid-19, que matou milhões de pessoas no mundo inteiro. Enfim, uma variedade de tragédias que nos fazem refletir melhor sobre as causas de tudo isso.

Como você aborda a questão da “cegueira espiritual” e qual a sua relevância no contexto contemporâneo?

De todos os sentidos físicos, suponho que concordamos que o da visão é o de maior valor e o mais precioso. O cego encontra-se numa escuridão física e não pode ver os objetos por mais brilhante que esteja o sol. Mas há outro tipo de cegueira que é pior que a física, ela é denominada “cegueira espiritual”. Esta é o princípio de uma infinidade de pecados, muitas vezes graves, mas ela é, por si só, um mal gravíssimo. Vem da vontade endurecida pelo mal. A pessoa cega espiritualmente não sente nada, cai na indiferença, na incredulidade, não consegue ver a luz do sol, ainda que esteja rodeada de seus brilhantes raios e tampouco consegue ver a luz de Deus em sua vida. Como disse o apóstolo Paulo: “Que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6.14). E Isaías complementa dizendo que quem não tem a visão da eternidade possui uma visão temporal limitada, ou seja, não deixa de ser cego, espiritualmente falando.

Você destaca uma aparente contradição entre o avanço tecnológico e o vazio existencial. Como essa questão é explorada em seu livro?

Atualmente, estamos vivendo o ápice das tecnologias de última geração. Agora tudo ficou fácil. Em nossas casas, as máquinas andam fazendo quase tudo, da máquina de lavar roupas à panela elétrica, que cozinha sozinha o nosso feijão em poucos minutos, sendo que antes nossas avós levavam quase uma manhã nessa tarefa. Então agora deveria sobrar mais tempo para adorar a Deus, não é mesmo? Grande engano! E nem pensem que toda essa facilidade trouxe alegria à humanidade. As pessoas estão com a casa cheia de coisas boas, mas o coração está vazio. Nossa intimidade com Deus tem sido danificada e corrompida e, por conta disso, tudo ao nosso redor está confuso e tumultuado. Você e eu somos responsáveis pela distância que estamos de Deus. Se você está longe, está cheio de problemas e nada parece dar certo, a culpa não é de Deus. Nós somos os responsáveis por tudo isso. Se realmente queremos o céu, precisamos reatar nossa intimidade com Deus.

Quais são as calamidades contemporâneas que você relaciona ao afastamento das pessoas da espiritualidade genuína?

Durante um de seus sermões, Jesus Cristo anunciou o que é chamado de o “princípio das dores”, dizendo: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” Mateus 24:12. E, pelo fato do amor se esfriar, temos visto que a cada dia aumenta a violência. É comum, nos dias de hoje, a divulgação nos noticiários de crimes violentos, filhos matando os próprios pais, crimes passionais e chacinas, dentre outros. Eles questionam as autoridades e praticam tudo aquilo que intentam malignamente. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus. A ganância pelo poder e a insensibilidade, afastam a humanidade de Deus.

Alvarina Nunes
Alvarina Nunes

Além de identificar as causas das tragédias, quais são os caminhos de esperança e renascimento que você propõe em sua obra?

Há algumas coisas que jamais irão mudar. Uma delas é que não há mais dívida contra você. Se você aceitou Cristo, como seu Salvador, quando Deus olha para você, suas transgressões foram cobertas — Ele não as vê. Ele olha para você e enxerga uma pessoa bem melhor do que aquela que você vê quando olha para o seu reflexo. Essa é a graça divina derramada em nossas vidas. E, para que tudo isso aconteça, basta tão somente se aproximar de Deus. O poder da salvação é a graça de Deus. Ela nos proporciona paz e tranquilidade. Esse é o segredo de uma vida próspera e abençoada. Deus criou o céu e a terra, e depois nos criou, e Ele viu que tudo era bom! Ele deseja o melhor para todos nós, pois somos Sua criação. Mas, como está escrito: as coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. (1 Coríntios 2.9)

Como sua experiência como química influencia sua abordagem dos temas espirituais e existenciais?

Bem, trabalhei anos como química, mas ler e escrever sempre foram uma paixão à parte. Química é ciência, foi criada por Deus também, faz parte da sabedoria. “Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, Antoine-Laurent de Lavoisier. Lavoisier estava certo: nada se cria, pois o Criador de tudo foi Deus. Mas ela tem o poder de transformar elementos da natureza, através das reações químicas. Essa sabedoria também vem de Deus.  “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que os rubis, e tudo o que mais possas desejar não se pode comparar a ela. Vida longa de dias está na sua mão direita; e na esquerda, riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas de paz. É árvore de vida para os que dela tomam, e são bem-aventurados todos os que a retêm”. (Provérbios 3:13-18)

Em seu terceiro livro, como você equilibra a narrativa entre a reflexão sobre as causas do sofrimento humano e a oferta de esperança aos leitores?

Olhando para as causas do sofrimento humano, podemos constatar: Muitos hoje são derrotados, improdutivos, complexados e impelidos de avançar porque são carnais e desobedientes a Deus. Quantas pessoas têm tudo para serem felizes, mas vivem abatidos, perderam o prazer de viver, vivem revoltados contra Deus, contra a família, contra o governo e contra si mesmas? Tudo, porque desconhecem que temos mais de oito mil promessas na Palavra de Deus, as quais Ele graciosamente colocou à nossa disposição no decorrer de nossa vida. Se não estamos recebendo o melhor de Deus, posso garantir a vocês: a culpa é toda nossa. Mas fomos chamados à liberdade “Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (João 8.36). Sempre que surgir uma necessidade, temos um Deus provedor Há uma despensa completa à nossa disposição. Veja o que a Bíblia diz: “O meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4.19). Tome posse das promessas de Deus!

Qual o papel que você atribui à espiritualidade genuína na visão sobre o futuro da humanidade?

Muitas vezes, pensamentos interrogativos perturbam minha mente, pois começo a contemplar cenas que vejo com frequência. Nas manhãs de domingo, as igrejas se enchem de cristãos que cantam emocionados sobre o seu imenso amor por Deus e o seu compromisso com Ele. Fico assustada, pois muitos frequentadores de igreja nunca entregaram sua vida verdadeiramente a Jesus. Veja: “Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.” (Ezequiel 33.31-32). Precisamos melhorar nossa intimidade com Deus.

Como você espera que os leitores recebam suas reflexões e propostas de renascimento espiritual em “Por que sofre a humanidade?”

A minha maior motivação sempre virá da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, o Livro dos livros. Gosto de olhar ao meu redor para ver como posso ser um instrumento de Deus, levando a boa notícia, construindo pontes pelo ministério da Palavra, entre o pecador perdido e o Salvador Jesus; contar minhas experiências com Deus para edificar a fé daqueles que perderam a esperança. Minha maior motivação é edificar vidas para a eternidade. Aos meus leitores levo um despertamento espiritual. Um olhar reflexivo para o tempo em que estamos vivendo. Nos dias de hoje, creio que estamos enfrentando as mais diversas calamidades. A terra está gemendo. Ouvimos toda hora, os noticiários no mundo inteiro falando de uma variedade de tragédias, que nos fazem refletir melhor sobre as causas de tudo isso – os sinais bíblicos se cumprindo. Esses acontecimentos vão mostrar ao leitor que é tempo de vigiar, manter nossas lâmpadas cheias de azeite, pois o Noivo pode chegar, a qualquer momento.

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