Mavie: é correto incentivar um bebê de três meses a engatinhar?

Rodolfo Gomes
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A filha da influenciadora Bianca Biancardi com o jogador Neymar, viralizou ao parecer estar ‘engatinhando’ em vídeo, mas será que isso é saudável para o desenvolvimento do bebê? Fisioterapeuta especialista em neuropediatria alerta para os potenciais riscos associados a estímulos precoces e apresenta dicas adequadas à idade

A recente exposição nas redes sociais de um vídeo onde a filha da influenciadora Bianca Biancardi, com o jogador Neymar, aparentemente engatinha aos três meses de idade, tem levantado questionamentos sobre os limites do estímulo motor em bebês tão jovens. A fisioterapeuta especialista em neuropediatria, Ana Luiza Soares, da Helper Kids, alerta para os potenciais riscos associados a estímulos precoces e enfatiza a importância de respeitar os marcos de desenvolvimento natural do bebê.

Segundo a especialista, bebês de três meses ainda estão em uma fase inicial do desenvolvimento motor. Nessa idade, os músculos e ossos estão se fortalecendo gradualmente para ganhar o controle cervical, que deve estar completo no final do primeiro trimestre. Os movimentos ainda são considerados reflexos, ou seja, conforme a criança encontra um apoio ela o faz. No entanto, Ana destaca que incentivar atividades prematuras, como o engatinhar, pode colocar pressão excessiva nas articulações e músculos aumentando o risco de impactar de forma negativa o desenvolvimento do bebê.

A profissional aconselha prudência e destaca que ao invés do estímulo para engatinhar, o correto é incentivar o “tummy time” (tempo de barriga para baixo) como uma maneira segura e eficaz para o desenvolvimento motor. O “tummy time” fortalece os músculos do pescoço e das costas, preparando o bebê para os estágios seguintes do desenvolvimento, como rolar e engatinhar, quando apropriado.

Para criar formas de incentivo benéficas e adequadas à idade, a fisioterapeuta traz outras dicas para o “tummy time”:

  • Disponha brinquedos à frente do bebê para estimular o levantamento da cabeça e a posição de esfinge;
  • Distribua objetos nas laterais do bebê de forma uniforme, sem exageros. Essa atividade ajuda o bebê a pivotar, uma vez que ele tiver apoio;
  • Nesta fase, o neném deve estar apoiando o corpinho com  o antebraço no chão, subindo a cabeça a 90 graus. Para ajudar, os pais ou responsáveis podem apoiar as mãos no bumbum para dar mais estabilidade e incentivar o movimento esperado para a idade.

Ainda, de acordo com Ana, utilizar almofadas e travesseiros como apoio para o tronco, exige cautela e deve ser feito esporadicamente sempre com orientação profissional, apenas para facilitar o levantamento do peito e dos braços do bebê.

É crucial  lembrar que cada bebê é único, e o desenvolvimento ocorre em seu próprio ritmo. Por isso a importância do acompanhamento de um fisioterapeuta especializado em desenvolvimento infantil que poderá garantir que as atividades de estímulo estejam alinhadas com as necessidades individuais de cada criança, garantindo um crescimento saudável em um ambiente seguro.” ressalta, Ana.

Sobre: Ana Luiza Soares é fisioterapeuta, pós graduada em Fisioterapia Neuropediátrica com 17 anos em UTINeonatal e 6 anos em Ambulatório de seguimento dos bebês de risco. Atualmente, como proprietária e responsável técnica na Helper Kids – clínica de fisioterapia infantil, atua com intervenção precoce em bebês de zero a 24 meses de vida. É especialista em assimetria craniana, órtese craniana, torcicolo congênito, fisioterapia respiratória neonatal e pediátrica. @helperkids (11) 98969-8423

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