Will Magalhães reverencia música brasileira e jazz clássico dos Beatles em remake musical

Luca Moreira
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Will Magalhães

Existem faixas na cultura pop que parecem um objeto sagrado, que se tornam parte da história de modo tão forte que não se toca, ou mexe nelas, só se tem devoção. O renomado guitarrista, compositor e produtor musical Will Magalhães traz ao mesmo tempo um olhar respeitoso e uma rebeldia de querer mudar tudo para um dos maiores clássicos dos Beatles e consequentemente para música do século XX: “Blackbird”. Nesta nova versão instrumental, Magalhães combina elementos da mpb, do jazz contemporâneo e do rock para criar uma experiência sonora nova para todos que conhecem a versão original. O lançamento chega junto de um vídeo especial no canal do artista.

A música carrega uma mensagem poderosa de esperança e superação. Inspirada pelo contexto de opressão vivido nos Estados Unidos durante o movimento pelos direitos civis nas décadas de 1950 e 1960, a composição original de Paul McCartney ressoa a importância de manter a fé mesmo em meio às adversidades e é uma mensagem importante para se renovar constantemente.

A faixa foi meticulosamente recriada no estúdio, contando com a magistral contribuição de músicos talentosos: André Fróes na bateria, Marco Brito no piano, Max Dias no baixo, e o próprio Will Magalhães na guitarra. A produção musical ficou a cargo de Nema Antunes, enquanto a mixagem e masterização foram realizadas por Fabrício Mattos, um profissional laureado com 2 prêmios Latin Grammy e 7 indicações.

Will Magalhães, que também integra o renomado Sexteto Sucupira, inclui em sua carreira colaborações com diversos artistas e grupos, desde ícones da MPB e do jazz até nomes proeminentes do universo do samba e do pop. Ele já compartilhou o palco com artistas como Jane Duboc, Ney Matogrosso, João Donato, Fernanda Abreu e muitos outros.

Atualmente, ele está se preparando para o lançamento de seu primeiro álbum autoral e instrumental intitulado “Impressões”, produzido por Nema Antunes. Enquanto isso, “Blackbird” está disponível para audição em todos os serviços de música.

Sua versão de “Blackbird” combina elementos da MPB, jazz contemporâneo e rock. Como você escolheu esses elementos para recriar essa faixa clássica dos Beatles?

Na verdade, não foi uma escolha, esses gêneros (e suas variadas vertentes) me acompanham há muito tempo na minha jornada musical. Então, é natural que minhas composições caminhem nessa direção.

“Blackbird” originalmente carrega uma mensagem poderosa de esperança e superação. Como você interpretou essa mensagem ao criar a versão instrumental da música?

O que sempre me chamou a atenção em Blackbird é a beleza e simplicidade da melodia. Minha inspiração para desenvolver o arranjo veio a partir daí. A mensagem por trás da letra foi descoberta depois, quando eu pesquisava, junto à minha equipe, sobre as possibilidades para desenvolver o roteiro do clipe.

O vídeo especial que acompanha o lançamento adiciona uma dimensão visual à sua interpretação. Pode compartilhar sobre o processo de criação desse vídeo e como ele complementa a experiência auditiva de “Blackbird”?

O clipe é fruto dessa pesquisa por trás da letra da canção original. O roteiro foi desenvolvido por César Marquez. Assim como o desenrolar do arranjo, o clipe possui um processo evolutivo que mistura lucidez com devaneios, acompanhando a intensidade e a dinâmica da música. O ponto alto de piração é o solo de guitarra, improvisado e intenso.

Contou com músicos talentosos na recriação de “Blackbird”. Como foi a colaboração no estúdio e como cada um contribuiu para dar vida a essa nova versão?

A música e o arranjo de Blackbird me acompanham há um bom tempo durante minhas apresentações musicais. No período de pré-produção, eu escrevi a partitura e compartilhei com o produtor musical Nema Antunes, que gostou muito e comprou a ideia. No estúdio, cada músico colocou sua interpretação, sua alma e fez a música ganhar vida e muita energia.

Além de “Blackbird”, você está se preparando para lançar seu primeiro álbum autoral e instrumental, “Impressões”. Pode nos contar um pouco sobre o que esperar desse álbum e como ele se diferencia de seus outros trabalhos?

Impressões é o álbum que carrega minha identidade como músico. É o resumo e o aprimoramento de tudo que eu vivi nos meus 20 anos como profissional dessa arte. É o meu primeiro álbum e o ponto inicial da minha história fonográfica.

Com uma carreira marcada por colaborações com artistas de diversos gêneros, como você aborda a fusão de estilos musicais em seus projetos e qual é o papel dessa diversidade na sua expressão artística?

Essa diversidade é a minha maior autenticidade artística, até então. A diversidade é o retrato do povo brasileiro, então, nada mais verdadeiro do que isso na minha caminhada. Através dessa fusão de gêneros e ritmos, eu sigo construindo a minha identidade e, como guitarrista “sideman”, me apresento preparado para tocar ao lado de diferentes grupos e artistas, o que me deixa mais inserido no mercado de trabalho.

O contexto de opressão nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 inspirou a composição original de “Blackbird”. Como você acredita que a música pode continuar a ser uma voz importante para expressar mensagens de esperança e resistência nos dias de hoje?

Simplesmente porque essa é umas principais características ou objetivos do fazer musical. A música sempre vem carregada de emoções e inspirações que fazem parte do contexto social e é uma ferramenta de conexão muito grande com o indivíduo. Dessa forma, a música vai ser sempre uma voz importante na sociedade.

Você mencionou o contexto histórico que inspirou a música original. Como você, como artista, vê a responsabilidade de abordar questões sociais e políticas por meio da sua música?

Não acredito que abordar questões sociais e políticas seja uma responsabilidade de todo artista. Acredito que isso aconteça naturalmente de acordo com o envolvimento do mesmo com essas questões. Não vejo como uma obrigação, afinal, é preciso ser autêntico e honesto com os sentimentos. Abordando ou não essas questões, a música vai ter sempre um papel importante na sociedade e na política, pois sempre vai haver uma mensagem importante para cada indivíduo, em diferentes contextos de vida.

Ao longo da sua carreira, você compartilhou o palco com uma variedade impressionante de artistas. Existe algum momento particular que destaca como mais significativo ou memorável para você até agora?

Dividir o palco com Ney Matogrosso foi muito emocionante.

Como foi a experiência de abrir seu próprio estúdio em Curitiba e como isso influenciou o processo criativo, especialmente na produção de “Blackbird”?

Na verdade, Blackbird foi gravada no estúdio da Bituca – Universidade de Música Popular, em Barbacena/MG, minha terra natal. O que deixou o momento ainda mais especial, pois foi onde eu estudei durante 6 anos de minha vida.

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