Tuany lança ‘Alguma Coisa’, uma nova canção com nuances de Beatles e hard rock

Luca Moreira
9 Min Read
Tuany (Camila Sánchez)

Quando nossos olhos encontram alguém, há o risco iminente de sermos seduzidos, hipnotizados e despertarmos sentimentos intensos. É nesse momento que percebemos que essa pessoa carrega algo distinto dos demais. Movida por essa aura de sedução, a cantora e compositora Tuany revela sua mais nova canção, “Alguma Coisa”.

Com um timbre que remete aos anos setenta e um ritmo marcante, em meio a uma sonoridade que flerta com o soul e o indie rock, a nova música de Tuany aborda um encantamento hipnotizante que caracteriza o processo de apaixonar-se.

“Alguma Coisa” marca o segundo lançamento de uma nova série de músicas da cantora e compositora, explorando ainda mais a assinatura singular de suas composições. O visualizer da canção também busca transmitir uma quebra com um passado (próximo ou distante), representando o início de uma transformação, como a construção de um casulo em evolução.

“Alguma Coisa” parece ser uma canção envolvente sobre encanto e sedução. Pode nos contar mais sobre a inspiração por trás dessa música?

A inspiração inicial foi na música “Something” dos Beatles, sobre esse algo de diferente e hipnotizante que alguém tem e desperta sentimentos fortes na gente, mas não é logo de cara que a gente percebe exatamente o que desperta esse encanto. Eu quis trazer esse tema e esse sentimento para uma música em português, baseada nas minhas vivências românticas e em como eu enxergo esse “something” na minha vida e com quem me relaciono.

Como você descreveria o estilo musical de “Alguma Coisa”? Quais são as influências que você trouxe para essa faixa?

Eu descrevo como um indie hard rock soul. Acho que aquela sonoridade mais despojada e um tanto mais moderna do indie rock se faz presente nela, como em todas as outras faixas que já lancei, mas a bateria, com os pratos um pouco mais sujos e o timbre mais fechado, e as guitarras, com riffs marcantes e o drive mais fechado também, trazem um ar de hard rock setentista, enquanto a melodia vocal e a interpretação trazem um toque do soul, principalmente no refrão que tem bastante melisma (algo que explorei mais nessa faixa) e vozes grandiosas, como um coral de cantoras soul.

Este lançamento faz parte de um projeto maior. Poderia nos explicar como ele se encaixa na narrativa geral do seu trabalho?

Acho que sonoramente ele traz um brilho em meio à uma sonoridade mais melancólica que eu sempre exploro, e que abre as portas para outras músicas que vão explorar essa sonoridade mais agitada, com mais guitarras marcantes e um pouco menos de melancolia. Minhas influências do rock estão mais presentes aqui, mas com a minha cara.

Você mencionou a criação do visualizer para acompanhar a música. Como você descreveria a conexão entre a parte visual e a sonora desse projeto?

O conceito, a parte visual e a parte poética da música abordam a metamorfose, que se divide em 4 partes aqui: a primeira quando você percebe que precisa de uma mudança, abandonar sentimentos, pessoas e enfrentar medos para evoluir; a segunda é o começo desse processo, quando você escolhe o que fica em você, o que do seu passado será queimado, e começa a maturar o que fará parte do próximo estágio; a terceira parte é dentro do casulo, amadurecendo, crescendo e respeitando o seu interior, o exterior e seu próprio tempo; a quarta parte é o nascimento da borboleta, que tem as marcas e traumas de quando era uma lagarta, mas que abraçou tudo isso e se transformou em algo maior.

Pode compartilhar mais sobre a produção e gravação da música? Há algo único ou especial que aconteceu durante o processo?

A produção da música foi feita pelo MaBê, no estúdio Angorá Music. Gravamos quase tudo lá, só a captação de bateria que foi feita no Estúdio Lanners e gravada pelo Marcelo Lima, todos os instrumentos de cordas foram gravados pelo próprio MaB, e eu gravei todas as vozes e teclas. Foi a primeira vez que produzi com ele, e foi a primeira vez que senti que não estava tentando forçar alguma coisa de sonoridade, sabe? Consegui deixar as minhas influências aparecerem sem medo, e assim incorporar todas elas no som que estávamos buscando. A troca que tive durante esse processo foi muito boa, tanto de conhecer coisas novas (artistas, técnicas, equipamentos) quanto de mostrar coisas que eu gosto e que queria incorporar nas músicas. Gravamos não só essa, mas todas as faixas respeitando nossas ideias e nosso tempo, para chegar no resultado que tínhamos dentro de nossas cabeças.

Qual mensagem ou emoção você espera que os ouvintes recebam ao ouvir “Alguma Coisa”?

Eu espero que desperte aquela sensação de admiração por alguém, que quando você menos espera se pega pensando e imaginando sobre, e como esse sentimento é gostoso de sentir.

Além da música, você se envolveu na produção e gravação do visualizer. Como foi essa experiência de trabalhar em todos esses aspectos criativos?

Eu sempre busco me envolver em todas as partes do projeto, mas produzir o visualizer sozinha foi uma experiência diferente, com seus prós e contras. Eu já tinha produzido e gravado outros clipes e visualizers sozinha, e é muito legal porque coloco tudo o que estou pensando de roteiro, cenário, figurino…tudo o que está na minha mente vai para o vídeo e faço do meu jeitinho. mas por outro lado, pode ser complicado gravar algumas cenas sozinha, e saber se está ficando do jeito imaginado ou não durante a gravação, já que não tem como gravar e assistir ao mesmo tempo, além de não ter uma equipe que te apoie nas ideias e no conceito…às vezes bate a dúvida “será que essa ideia tá boa?”, e uma resposta mais especializada fica em falta. Por sorte, tive a mega ajuda do meu namorado, Marcelo Lima, para gravar as cenas que representam o casulo e as que tem fogo.

O conceito de metamorfose parece ser uma parte importante deste projeto. Como isso se desenrola em “Alguma Coisa”?

Alguma Coisa é o começo de construção do casulo, onde você deixa certos sentimentos, traumas e pessoas para trás (ou dá um novo significado para isso em seu ser) para assim poder crescer e evoluir.  Esse conceito se desenrola principalmente no visualizer da música.

Como a estética do seu trabalho audiovisual se relaciona com a evolução que você mencionou em sua carreira?

Acredito que hoje eu sei quem a Tuany é e qual a imagem dela, isso me dá muito mais liberdade de explorar, arriscar, expor e brincar com quem sou como artista, tanto no audiovisual quanto na sonoridade.

Você mencionou que esse lançamento apresenta uma sonoridade mais “chiclete”. O que os ouvintes podem esperar em termos de estilo e pegada em comparação com o seu trabalho anterior?

Ela é uma música com melodias mais repetitivas, então acho que acaba grudando mais mesmo, e o refrão é muito energético, da vontade de cantar junto, a letra também é mais envolvente…e acho que é isso que diferencia ela um pouco de “Instalação”, que é uma música um pouco mais introspectiva e melancólica, com mais partes, mais informações melódicas e harmônicas.

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