Cantor e instrumentista, Souza Conzê se descobriu músico ainda na adolescência e como muitos outros jovens, foi seu próprio professor, já que no início de sua trajetória não pôde frequentar aulas de canto ou para aprender a tocar os instrumentos. Ao longo dos anos, no entanto, teve oportunidade de passar por escolas musicais bem reconhecidas como o Conservatório Alberto Nepomuceno e a Viva Escola de Artes.

Apesar de ter iniciado a carreira musical há quase sete anos, Conzê lançou seu primeiro single “Quarentena” no início de 2021, uma composição autoral, inspirada pelo período de pandemia que vivemos. A música foi realizada em parceria com o produtor Leonardo Nathan e João Neto, responsáveis por alguns dos arranjos instrumentais e pode ser encontrada nas principais plataformas de streaming. Confira a entrevista:

Como foi o processo de se descobrir músico/instrumentista até trabalhar profissionalmente com a música?

Aos 13 anos de idade, tive os primeiros contatos com o violão e em julho de 2000 aprendi a tocar instrumento. Foi amor a primeira vista e desde então a música passou a ser cada vez mais presente na minha vida. Aos 15 anos participei da minha primeira banda de rock que se formou na escola e acabei indo parar no contrabaixo porque era o instrumento que havia sobrado.

Cheguei a tentar o curso de música do antigo CEFET onde não fui aprovado e cheguei a ser bolsista do Conservatório Alberto Nepomuceno pra estudar violão clássico quando a prefeitura de Fortaleza mantinha um programa da instituição.  Com o passar dos anos fui aprendendo outros instrumentos e me interessando cada vez mais. Também passei um período da minha vida como músico de igreja, mas só em 2014 eu iniciei profissionalmente na noite. Em 2016 fui selecionado como bolsista da Viva escola de Artes onde estudei contrabaixo. E finalmente no final de 2019 e começo de 2020 decidi me preparar pra seguir carreira solo. Infelizmente por conta da pandemia o meu single só saiu esse ano.

Quarentena é o seu primeiro lançamento? Como foi a produção do single?

Quarentena é a minha primeira composição que gravei e lancei. A produção desse single se deu graças a parceira que fiz com um amigo dono de estúdio num esquema de troca de serviços. Porque até então, ainda não vivo exclusivamente de música e a minha segunda atividade é como prestador de serviços na área de construção civil. A produção do single só contou com três pessoas: O Produtor Leonardo Nathan que gravou o arranjo de guitarra e o solo, com o meu amigo João neto que fez todos os arranjos de teclado e comigo que gravei a bateria, o contrabaixo, as duas linhas de violão, a guitarra base, o bongô e a voz.

Já tem outros lançamentos em andamento?

Atualmente estou me preparando pra lançar um EP, mas ainda está tudo parado por conta da pandemia.

Foto: Reprodução/Instagram

Antes da pandemia, como era o seu trabalho na música? Apresentava-se em eventos?

Antes da pandemia eu estava trabalhando como músico freelancer tocando contrabaixo ou percuteria para outros músicos da cidade.

Muitas pessoas que sofrem de transtornos psíquicos e emocionais vêem na arte musical uma maneira de se desligar um pouquinho de tudo isso. Você tem algum fã ou admirador (a) do seu trabalho que passa por isso, que viu na sua música uma forma de conforto?

Como o meu lançamento é muito recente ainda não pude ter esse tipo de feedback. Mas a história do lançamento é a própria resposta dessa pergunta. Eu estava passando por dificuldades financeiras pra conseguir lançar o single e estava em casa sem poder fazer muita coisa. Um dia eu resolvi sair de um estágio pré-depressão tomando a atitude de lançar essa música do jeito que eu conseguisse. Afinal só faltava o ensaio fotográfico pra poder ne lançar. Um dia peguei meu tripé, o celular e o violão e fui pra trilha do Cocó fazer as minhas fotos sozinho. E nos dias seguintes fiz a mesma coisa fazendo fotos inclusive no passeio público. Às vezes pode parecer um pouco de arrogância minha mostrar todas coisas que fiz sozinho, mas o que quero mostrar aqui não é arrogância e sim força de vontade. Eu não disponho de uma equipe e recursos financeiros, então eu pesquiso muito e trabalho com o máximo de coisas que posso fazer pra conseguir lançar meu trabalho. Então, o lançamento dessa música pra mim já foi uma prova de superação de um momento difícil  e pré-depressivo. A minha música foi que me deu forças pra lutar pelo seu lançamento.

Foto: Reprodução/Instagram

Conta um pouquinho sobre sua origem e artistas que o inspiraram na música?

Eu sou um cara de origem pobre, nascido no Rio de janeiro e criado aqui em Fortaleza. Estudante de escola pública e que infelizmente não pude optar por estudar até concluir uma faculdade. Tive as minhas oportunidades como todo mundo, mas é difícil explicar pra alguém da periferia o potencial dos estudos pra resultados que ele próprio desconhece. É mais difícil se motivar. Porém eu lembro que na infância eu  dormia ouvindo música clássica na Universitária FM e não era ninguém que me pedia, eu ia lá e colocava porque gostava de ouvir. Então a música esteve comigo desde sempre.

Como é hoje escolher um   determinado tipo de estilo na música que seja mais autoral e menos comercial, pelo menos para definir um determinado público?

Bom, quem define o que é comercial ou não é o mercado. Agora essa formação de público já se provou ser uma coisa complexa e sem fórmulas com o advento da internet e seus virais. Eu acredito que a grande escolha na música hoje é ser compositor de canções ou criador de hits. E com sorte, as duas coisas.

Foto: Reprodução/Instagram

Sendo o seu primeiro lançamento, a canção Quarentena, como você deseja que ela seja lembrada daqui a alguns anos?

Quarentena é uma música de esperança. Ela foi escrita pra celebrar tudo o que a vida já foi, do que sentimos saudades, do que a gente quer que volte a ser e com um pouco de humor. Eu gostaria que essa canção pudesse ser lembrada por todos os bons momentos que conseguimos viver nesse período tão complicado.

Quais suas influências musicais?

Tenho muita influência do Rock pop nacional, da MPB, música regional e clássicos do rock internacional.

Foto: Reprodução/Instagram

Você que compõe suas músicas? Como se inspira e cria as letras? 

As minhas composições são geralmente produto do que eu estou vivendo nesse momento. Então tenho composições de temas variados que muitas vezes são fruto das minhas reflexões, insatisfações ou dos sentimentos que estiverem mais aflorados.

Quais instrumentos você toca e como aprendeu?

Sou músico autodidata. Muito do que sei foi através da curiosidade. Hoje toco Violão, bateria, ukulele, contrabaixo, percuteria e arranho no piano e no violino.

Foto: Reprodução/Instagram

Está criando novas composições para que possam virar singles?

A idéia agora é reunir as composições que tenho e as que forem surgindo  pra um EP ou um Álbum.

Um momento marcante da sua trajetória musical

O momento mais marcante até agora foi ver minha música lançada e o feedback das pessoas que já ouviram a canção.

Em tempos de pandemia, como sobreviver de música?

Hoje em dia alguns músicos estão optando pelas lives com o cachê via pix.

O que você  quer alcançar com a música, suas metas?

A minha meta é fazer a minha música chegar ao maior número de pessoas possível para que eu conquiste a atenção e quem sabe até um certo público. Gostaria de agradecer a oportunidade da entrevista e dizer que Quarentena está em todas as plataformas digitais de streaming.

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