Referência em multimídia, José Antônio Ramalho apresenta a arte de contar boas histórias no livro “Storytelling: Cativando com a Narrativa”

Luca Moreira
12 Min Read
José Antônio Ramalho (Foto: Divulgação)

Tornar as palavras mais atraentes aos olhos e ouvidos de quem as recebe, a ponto de dominarem toda a sua atenção, é fundamental para criar vínculos de qualidade com as pessoas, e isso vale também para marcas e empresas. Em “Storytelling: Cativando com a Narrativa”, publicado pela Almedina Brasil, o especialista em tecnologia, escritor, fotógrafo e cineasta José Antônio Ramalho reúne os fundamentos teóricos e práticos necessários para quem quer dominar a arte de contar boas histórias. Contos.

Como referência profissional multimídia, o autor construiu uma carreira de sucesso em diversas áreas porque contar histórias faz parte de seu DNA. Formou-se em engenharia da computação pela Universidade Mackenzie em 1984, começou a escrever livros técnicos e passou a atuar em outras áreas. Publicou 123 obras sobre tecnologia, mitologia grega, fotografia e aventura, traduzidas para vários idiomas, incluindo inglês, espanhol, polonês e chinês. Junto com Álvaro Garner, ele também idealizou e co-organizou a 4ª temporada do show “50 por 1” e vários documentários de viagens.

Neste título, Ramalho compartilha sua experiência para ajudar as marcas a envolver seu público e mantê-lo curioso sobre a mensagem que está sendo transmitida. A técnica de storytelling permite que o conteúdo seja transmitido por meio de um enredo bem desenvolvido, com uma narrativa envolvente, utilizando um conjunto de palavras e recursos audiovisuais adequados. A ideia deste guia é incorporar técnicas à rotina do leitor para atingir seu público de maneira eficaz.

Trabalhando com as tecnologias atuais, o autor apresenta as melhores práticas para envolver o público e melhorar projetos profissionais ou pessoais. Ramalho também aborda a adequação do formato da história para o público-alvo; gestão das emoções; aplicação de estruturas narrativas geralmente aceitas; e habilidades de contar histórias.

“Storytelling: Cativando Através do Storytelling” une teoria e prática através de atividades sugeridas em diversas áreas da cognição humana. Além disso, disponibiliza uma série de exercícios que auxiliam no desenvolvimento de soluções criativas. O livro destaca o valor de narrativas autênticas aliadas a uma atitude persuasiva que mudará a trajetória do leitor. Confira a entrevista!

Auxiliando a criação de conexões saudáveis entre empresas e públicos, você lançou recentemente o livro “Storytelling: Cativando com a Narrativa”, onde ensina a arte de se contar boas histórias. Na sua opinião, o que qualifica uma boa história e qual tem sido o principal erro das empresas atuais ao tentarem contar as suas?

A essência de uma boa história é a sua capacidade de envolver os sentimentos e tocar as emoções das pessoas. Não importa se a história é ficção, um documentário ou uma apresentação corporativa. Quando isso acontece as pessoas podem esquecer quando ou quem contou a história, mas sempre se lembrarão dela.

As empresas erram quando não humanizam as histórias que contam. Por exemplo, ao invés de dizer as qualidades de um produto e torná-lo o centro da história, deveriam contar a história das pessoas que se beneficiam do produto e como a vida delas é melhor com o seu uso.

Quando tratamos de público, é sempre visível que estamos falando de pessoas que possuem diversas categorias, tanto como gostos que se identificam, culturas, entre vários outros aspectos, e que dependendo dos objetivos dessa empresa, ela terá que aprender a lidar. Levando em consideração essa versatilidade, é possível conseguir elaborar uma receita de bolo para relacionar com seu público ou cada caso se torna um caso?

Os dois. Dificilmente uma história agradará gregos e troianos. O ideal seria contar uma versão para cada grupo considerando os seus valores. Quando não podemos restringir a comunicação a um grupo específico, o que nos dá mais capacidade de escolher a linguagem mais adequada, devemos fazer uso de metáforas e analogias que são comuns a maioria. Por exemplo, uma comunicação nacional deve evitar regionalismos que podem não ser bem entendidos por uma parte da audiência.

Formado em computação pela Universidade Mackenzie, você possui uma carreira que vem se estendendo há bastante tempo, desde a década de 80, e hoje tem a arte de contar histórias no DNA do seu trabalho. O que mais o atraiu para estudar a parte de computação e o que o levou para o caminho da multimídia?

O que eu mais queria quando crescesse era tornar-me astronauta ou piloto de Fórmula 1. Eu não consegui nenhuma das duas, mas um componente da minha personalidade é a curiosidade. Sempre buscando conhecer coisas novas e a computação, naquele período, era algo que estava se expandindo no Brasil. Eu vi ali uma oportunidade de aprender e poder me especializar em algo que achava ser promissor.

Em paralelo à faculdade, eu comecei a dar aulas de informática e não havia nenhuma literatura em português sobre os assuntos, os softwares, que eu ensinava. Então, eu criei uma primeira apostila que depois virou meu primeiro livro. Me tornei jornalista especializado em tecnologia e viajava muito para cobrir eventos no exterior. Aí comecei a fotografar os lugares e a escrever sobre viagens.

Com isso, passei a escrever para públicos diferentes e tinha que desenvolver uma linguagem específica para cada um. Movido pela curiosidade e pela teia da vida acabei explorando igualmente outros temas. Uma viagem à Grécia me despertou a paixão pela Mitologia grega e me levou a escrever uma coleção de livros para crianças.

José Antônio Ramalho (Foto: Divulgação)

Em relação à literatura, você possui mais de 123 obras em várias áreas como a tecnologia, mitologia grega, fotografia e aventura e que foram traduzidos para diversos idiomas. Nessa questão de abordagem sobre diferentes temas distintos, você considera apto a tudologia? Qual a importância que os estudos tiveram para a construção de cada uma dessas obras?

Aqui volto a falar sobre a mola que impulsiona minha vida. A curiosidade. Quero ter resposta para tudo, então procuro, dentro das minhas limitações, estudar os temas e ampliar minha base de conhecimento. Hoje o Google ou ChatGPT podem sanar sua dúvida, mas você só adquire o conhecimento quando o armazena dentro de si. Os conhecimentos que você adquire em uma área ajudam demais em outras. É um ciclo contínuo de aprendizado. Isso posto, é importante lembrar que uma das características de um bom contador de histórias é ser um ótimo ouvidor. Algumas pessoas insistem em opinar espontaneamente sobre muitos temas o que, às vezes, causa um desconforto e uma imagem até negativa. Apesar de escrever sobre diversas áreas, eu busco compartimentalizar esses conhecimentos. Não é raro eu escutar algo como: você é o mesmo Ramalho que escreve sobre tecnologia? Resumindo, acho importante que as pessoas descubram que você sabe ao invés de serem bombardeadas com seu conhecimento.

Juntamente com Álvaro Garnero, você apresentou a 4ª temporada do programa “50 por 1” na RecordTV, além de diversos documentários sobre viagens. Como foi passar por essa experiência na televisão?

Foi algo inesperado e que me abriu novos horizontes para contar histórias. Aprendi muito. Da concepção da ideia da “Volta ao mundo em 80 dias” à criação do roteiro geográfico e as histórias que seriam contadas em cada local, tudo de forma muito dinâmica, foi desafiador. Aquela foi considerada a melhor temporada do programa. Depois daquela experiência, incluí a produção de vídeos no meu conjunto de ferramentas como contador de histórias.

Como principal objetivo desta obra, você quis compartilhar da sua expertise em auxiliar marcas e engajar audiência e principalmente mantê-la curiosa sobre a mensagem que se deseja passar através de suas campanhas. Nessa questão, acredita que todo empresário ou pessoa física poderá tirar benefícios da técnica de storytelling? Como ela se faz presente no nosso dia a dia, apesar de às vezes não a percebermos?

Sem dúvida alguma o Storytelling faz parte da vida de todos nós, profissional ou pessoalmente. Cada dia vivemos um capítulo de nossa história. Alguns dias somos protagonistas, em outros coadjuvantes, mas a maioria de nós não teve ensinamentos específicos para escrever e atuar nessa história. O livro se preocupa em despertar no leitor o desejo de tomar as rédeas da sua história e utilizar técnicas e conhecimentos reconhecidamente eficientes. Tudo acompanhado de muita prática. Em cada capítulo, o leitor tem atividades para aplicar o que acabou de conhecer.

Nos dias atuais, a presença das marcas nas redes sociais estão sendo cada vez mais essenciais para o sucesso dos negócios, incluindo branding, que ajuda a passar a mensagem que a marca deseja transmitir para o público. Em relação ao público nas plataformas, o que tem sido mais difícil – conquistar os novos ou manter os que já temos?

A pulverização dos canais de comunicação promovida pelas redes sociais tirou muito do poder das marcas que não controlam mais quem fala sobre seus produtos e sua imagem. Pessoalmente, acho mais desafiador manter o que temos, mas a conquista de novos é parte fundamental da continuidade do negócio.

Com tudo o que aprendemos no livro sobre storytelling, realmente vemos o quanto ele é importante para o nosso sucesso, e principalmente como cada detalhe acaba sendo crucial para garanti-lo. Por outro lado, a aplicação falha dos recursos e das técnicas, podem causar desafios para quem deseja recuperar a sua imagem?

Recuperar uma imagem é muito mais difícil do que a sua obtenção. O que se criou durante anos pode ser perdido em uma postagem infeliz. Então, sim, uma história mal contada arruína a reputação de marcas e pessoas. Mas se nos focarmos em transmitir uma história verdadeira, ética e que, através dos sentimentos, toque as emoções do público, estaremos criando uma estrada sólida para cativar a audiência. Através do site www.storytelling.ramalho.com.br os leitores podem conhecer mais sobre o tema e o livro.

Acompanhe José Antônio Ramalho no Instagram

Share this Article
Leave a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você não pode copiar conteúdo desta página