Raffael Emilio

Raffael Emilio reimagina a música brasileira em “Todo Som”, uma fusão única de ritmos

Luca Moreira
10 Min Read
Raffael Emilio

Na mais recente novidade do cenário musical brasileiro, Raffael Emilio lança “Todo Som”, uma faixa que rompe barreiras convencionais e convida o público a uma experiência auditiva distinta. A canção, que combina sambajazz, groove e rock, busca celebrar a essência da vida cotidiana no Brasil, prestando tributo às raízes da música nacional.

“Todo Som” não apenas se destaca por sua composição inovadora, mas também pela produção autêntica, liderada pelo próprio Raffael Emilio. O artista se propõe a criar um espaço onde o passado e o presente se encontram, incentivando uma apreciação renovada dos ícones musicais brasileiros e das emoções que as festas populares e encontros musicais evocam.

Complementando a experiência musical, o videoclipe de “Todo Som”, dirigido por Crial da Canis Filmes, mergulha nos sentimentos de saudade e conexão inerentes às celebrações brasileiras. Através dessa obra, Raffael Emilio não só desafia os limites do que a música pode ser, mas também reafirma a importância da celebração e da autenticidade cultural.

“Todo Som” desafia as estruturas convencionais da música ao propor uma jornada auditiva não-linear. Como surgiu a ideia de criar uma música sem refrão e com repetições, transmitindo uma sensação de “estranheza” e “sem resolução”?

Num período em que menos é mais, fazer esse movimento é um grande passo para mim. Em “Todo Som” eu quis dificultar as coisas, pelo menos na minha cabeça. Começar e terminar a música com uma convenção intrigante, colocar trompete sem outros instrumentos de sopro, fazendo um naipe sozinho, enfim, foi bem desafiador ser o compositor e ao mesmo tempo produtor dessa música. Eu gosto de muitos ritmos musicais e de gêneros distintos. Por isso quero trabalhar sempre a minha percepção e liberdade criativa. Quero mudar o tempo todo, para mim mesmo. Por isso pretendo caminhar a estrada que for para poder construir um público sólido. Em busca da estranheza familiar e da beleza desejada. E para isso não tenho pressa.

Você menciona que a música é uma homenagem aos pilares da música nacional e celebra a vida cotidiana brasileira. Quais são as principais influências e referências que você trouxe para essa composição?

Existem algumas influências que foram bem presentes na construção da letra e dos arranjos dessa música. A presença do rock traz muito a irreverência do grupo Os Novos Baianos, onde nos anos 70, muito influenciados pela presença e arte de João Gilberto, puderam imprimir um pensamento jovem e sagaz, ora explosivo ora calmaria. Unindo tudo isso à força motriz do violão e da canção brasileira. Como a letra não se deu em primeira mão, ou seja, fui escrevendo ao logo de meses, a ideia de um Brasil passado e consciente das suas inúmeras linguagens musicais foi se ascendendo em mim, como se houvesse uma nostalgia de um tempo da nossa música em que eu não vivi. Uma saudade mesmo.

No videoclipe de “Todo Som”, vemos uma narrativa que retrata um “Eu” em construção artística, que acaba se tornando uma raiz da música brasileira. Como foi o processo de criação desse conceito e qual mensagem você deseja transmitir através desse visual?

Acho que todo artista tem o sonho de ser uma grande referência. “Todo Som” foi minha forma de falar de música brasileira de uma maneira visceral e despretensiosa. A carreira de um artista é longa, se mistura com a vida real e no videoclipe eu sonho com essas coisas, com as saudades, os desejos. Trazer capas de discos de artistas que são referências da música daqui, denota um desejo quase ingênuo de fazer parte disso, sonhando em ser um grande nome da antiga MPB, num tempo que não é o deles.

Raffael Emilio
Raffael Emilio

Como foi trabalhar com o diretor Crial, da Canis Filmes, na concepção do videoclipe? Quais foram os principais desafios enfrentados durante a produção?

Eu e Crial tivemos várias reuniões até chegar no roteiro final e sinto que conseguimos imprimir a mensagem que a música pedia. Um dos maiores desafios do dia da gravação foi a incerteza do clima pois naqueles dias a chuva estava presente e sem trégua. Água a semana toda. No final tivemos uma grande alegria que foi presenciar na última locação, a “temida” chuva, que foi leve e coroou as cenas finais do clipe, onde quase como um ritual, eu canto ao redor de pessoas representadas por esses artistas, impressos nas capas de disco. Mostrando que a música brasileira é de fato meu alicerce.

A música e o videoclipe de “Todo Som” transmitem uma sensação de saudade das festas brasileiras e da conexão humana que elas representam. Como você espera que os ouvintes e espectadores recebam essa mensagem?

Espero que o público se identifique com esse sentimento de afeto que só no Brasil a gente tem. Em todas as minhas passagens por países da Europa e América Latina, não presenciei o calor da afetividade que só se encontra aqui. A nossa música é quase que um passe para o desprendimento da vida cotidiana.

Você menciona a vontade de chegar na sexta-feira, encontrar pessoas e viver a vida cotidiana brasileira ao som de tambores e festas populares. Como você acha que a música pode inspirar as pessoas a se reconectarem com esses aspectos da cultura brasileira?

Acredito que uma das principais funções de “Todo Som” é deixar o público em suspensão. É ouvir uma melodia familiar, relembrar dos nossos diversos ritmos, festas e manifestações e ao mesmo tempo ser atravessado pela irreverência dos solos de guitarra. Já no videoclipe, trazer esses artistas para o centro da minha conversa. De Carlos Lyra à Jovelina. De Wilson Simonal à Sivuca.

Raffael Emilio
Raffael Emilio

“Todo Som” reflete sua busca pela autenticidade na música. Como você define autenticidade na sua arte e como isso se manifesta nessa faixa em particular?

Autenticidade é ter um pouco de impulsividade em si, é ter coragem, desapegar do julgamento e confiar. Partir de um ponto zero e inserir referências, até o momento em que se pode criar algo e familiar a partir de um ponto inicial que até o momento só existia na sua cabeça.

Não tenho a pretensão de ser inovador, mas tenho o desejo de compor, produzir, arranjar e tocar sem amarras, realmente criar. A favor da música, sempre. Na canção eu cito a música como minha religião. Assim é.

O registro de “Todo Som” funde em si 3 ritmos: sambajazz, groove e rock. Como foi o processo de mesclar esses estilos e criar uma sonoridade coesa e única?

Essa é uma tônica forte do meu novo momento como artista. Misturar gêneros e estéticas tanto nos formatos de show como em conceito geral de criação. Não me prender à rótulos é de extrema importância para mim. Quero o ouvinte sendo sempre atravessado por dúvidas e nostalgias, isso faz com que eu me apegue sempre ao novo.

Você menciona a importância de explorar artistas do passado enquanto mergulha nas emoções evocadas pelas festas populares. Quais são os artistas do passado que mais te influenciaram e como eles contribuíram para a sua música?

No período em que comecei a feitura de “Todo Som” eu estava iniciando um estudo profundo sobre a figura e obra de João Gilberto. Artistas como Roberto Mendes e o samba chula, o clima do recôncavo baiano, tudo isso era presente. O rock na música representa o meu passado como integrante de bandas de hardcore, representa a rua, a rebeldia e Jards Macalé foi uma grande referência nesse sentido.

“Todo Som” é uma música que desafia as convenções e propõe uma experiência auditiva única. Como você espera que essa faixa seja recebida pelo público e qual impacto você espera que ela tenha na cena musical brasileira?

O que eu quero mesmo é realizar os projetos que tenho. Gravar discos, clipes, shows e encontros. Construir aos poucos uma base sólida onde me reconheçam pela irreverência. “Todo Som” é mistura brasileira e esse é meu desejo: me misturar nas tribos, ser camaleão, desafiar os ouvidos e questionar estruturas.

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