Miri Brock une perfeitamente o pop e o dub para explorar os amores casuais em “Nem Vem”

Luca Moreira
11 Min Read
Miri Brock (Gissauro)

Depois de atrair atenção com o lançamento do EP “Eu Nunca Amei Você”, Miri Brock continua a mostrar sua paixão pelas pistas de dança com uma sequência de músicas vibrantes. A talentosa cantora e compositora, após o sucesso do single “A Parte Boa”, apresenta agora “Nem Vem”, uma canção que mistura elementos do pop e do dub. Na nova faixa, Miri revela uma narrativa ousada, onde expressa seus desejos mais íntimos, contrastando com a postura de alguém que não se entrega por completo.

Enquanto seu primeiro trabalho solo, Miri Brock abordou as expectativas frustradas e corações partidos, agora ela se direciona para um novo momento: o da liberdade, onde se entrega à diversão das pistas – literalmente.

Originária do Rio Grande do Sul, Miri Brock acumula mais de uma década de experiência musical, especialmente como vocalista na banda Louis & Anas, posteriormente renomeada como Louis. A banda explorava uma fusão única de estilos, incorporando elementos de soul, disco e R&B, o que se revelou uma valiosa fonte de versatilidade e presença de palco. No ano anterior, Miri lançou seu aguardado EP de estreia, exibindo habilmente sua capacidade de mesclar influências do soul, R&B, MPB e pagode, criando uma experiência sonora única.

Atualmente baseada em São Paulo, Miri inicia uma nova etapa em sua carreira musical. Com o mais recente single “Nem Vem”, ela oferece uma perspectiva contemporânea sobre amores casuais e prazer, destacando a visão feminina e feminista. “Nem Vem” já está disponível em todas as principais plataformas de música, lançado pelo selo Dorsal, com distribuição pela Believe.

O seu EP “Eu Nunca Amei Você” explorou temas de desamores e corações partidos. Como a sua nova música “Nem Vem” se encaixa nesse contexto, e como ela representa a sua evolução musical?

Nem Vem ainda representa um descontentamento nas relações, mas sem melancolia. É um incômodo com a indisponibilidade do outro, mas representado de uma forma mais leve. Em termos musicais, sinto que estou cada vez mais segura do que quero transmitir e das escolhas que faço junto aos produtores e produtoras musicais com quem trabalho. Também sinto que estou cada vez mais corajosa para experimentar novas sonoridades sem preconceito.

A canção aborda o conceito de “benching”. Como essa experiência influenciou a criação da música e qual mensagem você espera transmitir sobre relações casuais?

Na época que escrevi essa música eu estava me relacionando com uma pessoa que morava em outra cidade. Nós tínhamos um contato on-line intenso, mas os encontros eram muito escassos. Comecei a me dar conta que tinha uma vontade dele de me manter ali, pois as promessas de novos encontros eram constantes, mas quase nunca aconteciam. Me dei conta que estava aceitando migalhas de atenção e dando muita importância para elas. A mensagem que quero transmitir é de que precisamos estar atentos e atentas a esses sinais, pois isso pode afetar a nossa autoestima. Se a pessoa quer mesmo te ver, ela vai dar um jeito. Isso não quer dizer que ela não sinta nada por você ou que você deve cortar relações com ela. Na música eu sigo querendo ver a pessoa, mas nesse caso colocando essa relação num lugar de total descompromisso: é causal mesmo, vem me ver, a gente vai ter uma noite gostosa e deu. Também sei pelo que ouço das minhas amigas e fãs, que muitas mulheres não gostam ou estão cansadas de encontros casuais. Então essas têm que prestar ainda mais atenção: se você quer mais que uma noite, te valoriza e parte para outra, pois quem fica dizendo que está com saudade e não dá um jeito de matar, é porque não tá com tanta saudade assim.

Houve alguma experiência pessoal específica que inspirou a criação de “Nem Vem”? Como o processo de escrita reflete suas próprias vivências?

A canção foi escrita quando eu estava vivendo a situação que citei acima, mas depois me dei conta que já era um sentimento que vinha de muitas outras relações. Desde que eu me separei depois de um casamento de 6 anos eu passei a ter relações casuais e sempre sentia que me davam menos do que eu queria/merecia. Mas aí fui entendendo que era eu que me jogava com muita intensidade nas relações com pessoas que eu nem conhecia direito, aquele velho papo de mal conhecer  e já colocar num pedestal e achar que estava apaixonada. Foi a terapia + a composição dessas músicas que me ajudou a me entender melhor e mudar esse comportamento. Agora estou vivendo relações bem mais saudáveis e acredito que isso será refletido nos meus próximos lançamentos.

Ao se afastar do tom mais melancólico do EP anterior, como você descreveria a mudança de atmosfera em “Nem Vem” e qual é a vibe que você espera transmitir com essa nova música?

É uma vibe mais “tudo bem não vamos nos casar, nem quero, vamos curtir e ser sinceros com nossos desejos”.

Você mencionou a fusão de estilos em sua banda anterior, Louis & Anas. Como essas experiências passadas influenciam o seu trabalho solo atual, especialmente em “Nem Vem”?

Uma das músicas que o público mais apreciava nos shows da Louis era uma mistura de rock com dub, a música se chama We’re Gonna Fight. O Rodrigo Fetter, tecladista, produtor musical e compositor da Louis era muito fã de dub e ele me influenciou bastante a gostar do gênero, sempre trazia uns sons desse estilo para a gente ouvir nas viagens e junções da banda. Eu nem tinha parado para pensar nisso até você me fazer essa pergunta, mas acredito que Nem Vem tenha uma relação direta com o tipo de som que a gente fazia e curtia nessa época.

Miri Brock (Gissauro)

A música pop e o dub são elementos notáveis em “Nem Vem”. Pode compartilhar um pouco sobre a escolha desses estilos e como eles contribuem para a narrativa da música?

Desde que lancei a carreira solo, eu assumi o pop como bandeira. Eu sempre amei música pop e tenho explorado a mistura do pop com outros gêneros. O dub foi um teste que deu certo nessa música. Primeiro toquei ela no violão numa levada meio R&B, mas aí pensei que ela tinha que ser mais “leve” e experimentei mudar a levada para o reggae/dub e senti que fez mais sentido. Inclusive se casou melhor com a mensagem da música. Tipo quando você está meio irritada com algo e fuma um e se acalma e deixa rolar.

Sua música anterior, “A Parte Boa”, já tinha uma proposta dançante. Esse é um direcionamento que pretende manter em seus próximos lançamentos?

Acho que a proposta dançante vem desde Me Diz O Que Que É, primeiro single da minha carreira solo. Eu sou uma pessoa dançante (risos). A primeira faculdade que pensei em fazer na vida foi de dança, participei de grupos de dança na escola e durante toda a adolescência. Então é algo que vem naturalmente para mim. Além disso, dançar é antidepressivo, alegra a alma. Me agrada pensar que posso ajudar as pessoas a se sentirem melhores com músicas que vão fazê-las sentirem vontade de se mexer!

Como tem sido a transição de ser vocalista em uma banda para uma carreira solo? Quais desafios e recompensas essa transição trouxe para você?

Tem sido uma jornada e tanto. Por um lado, eu amo poder tomar as decisões e assumir o que eu quero fazer, mostrar a minha verdade artística sem precisar que um grupo esteja na mesma sintonia e querendo as mesmas coisas. Banda é coletivo, é um casamento, tudo precisa ser compartilhado. Então a liberdade de fazer o que eu quero é tudo para mim. Mas por outro lado, assim como na vida de solteira, o caminho é um pouco solitário. Na banda todo mundo aposta junto, soma as forças, tem mais gente criando. Além de que tenho que contratar músicos sempre e isso custa caro (risos).

Além do aspecto musical, você aborda questões femininas em suas letras. Como a perspectiva feminista influencia sua música e o que você espera transmitir a outras mulheres através da sua arte?

Meu principal objetivo é levantar outras mulheres. É mostrar para elas que sim todas passamos por essas situações insalubres nas relações, mas que podemos nos amar mais e sair delas. E, acima de tudo, que podemos assumir nossos desejos.

O que podemos esperar do futuro de Miri Brock? Há mais novos projetos ou colaborações em vista?

Dizem que não é bom criar expectativas, mas comigo podem criar (risos). Eu vim ao mundo para fazer história. De onde eu vim (Espumoso – RS), quase não existem mulheres fazendo música e eu vou seguir fazendo por mim e por elas. E embora eu já esteja na música há um tempão, como artista solo estou apenas começando. Estou compondo um álbum e já tenho feats confirmados para o início do próximo ano.

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