Lumanzin comenta lançamento de seu último projeto: “mansinha”

Lumanzin (Foto: Leonardo Yugo)

Música, performance e artes visuais são integradas ao trabalho de Lumanzin. Prestes a pegar a estrada para o lançamento de seu mais recente álbum, “mansinha”, ela iniciou uma série de vídeos ao vivo que mostram o poder e a intimidade de seu repertório. O primeiro lançamento foi a da faixa “Quando eu Nasci”.

Acompanhada por Lucas Thunder (baixo), Danilo Moura (percussão) e Renato Putini (guitarra), o disco foi gravado em seu primeiro show, reconectando com o público. As faixas se entrelaçam entre MPB e jazz, oferecendo som com melodias e letras suaves, dando aos ouvintes um nível único de complexidade.

Lumanzin iniciou a sua carreira artística muito cedo, lançando a sua primeira composição aos 11 anos no álbum “Um Bolo Musical” da Escola de Música do Teca. Seus lançamentos começaram em 2016 com o EP “abusos” e além de parcerias e colaborações, lançou em 2019 o álbum solo “quarentena” e o single “me diz” em 2020. Confira a entrevista!

Provocando uma verdadeira mistura de sentidos que misturam música, performance e artes visuais, o álbum “mansinha” trouxe para nós uma série de apresentações ao vivo. Como foi o nascimento desse projeto?

Foi tudo na base do improviso e necessidade. O show ainda é um projeto em desenvolvimento porque só da pra pagar estúdio pra ensaiar realmente quando vai ter show, mas conforme a demanda vai aumentando, o show vai se construindo e evoluindo. Quero ter mais oportunidades de tocar em lugares mais estruturados pra poder trazer outros aspectos que não sejam só o som. Poder levar uma técnica de luz que conheça o set, que trabalhe a luz com a gente, poder colocar as projeções com os visuais que já estão montados pra quando essa oportunidade aparecer, mas como também agora estou num momento de transição de produção e booking e etc, preciso me estabelecer melhor nos dois pés e partir pra cima.

Um dos primeiros estouros desse novo projeto é o single “Quando Eu Nasci”. O que o inspirou nessa nova música e por que esse foi o momento certo para seu lançamento? Você costuma planejar suas músicas?

Um dia eu tava sentada em casa com dois amigos e estávamos falando da America Latina. Aí um deles, o Chico, disse: “o que conta mais é onde o Sol pintou sua pele pela primeira vez”. Ai pensei “nossssssssa, que coisa linda”. Fiquei com a frase na cabeça e improvisei a letra e o violão. Ela é propositalmente feita em cima de um único acorde, trazendo a ideia da repetição, do mesmo lugar, e de repente trago uma nota grave a mais pra trazer um peso, uma tensão e depois segue na mesmisse. A versão que está no álbum foi gravada durante uma live session feita nos estúdios da Pândega Produtora de Florianópolis. A live ta no YouTube, mas sem “quando eu nasci” por que na época achei que era entregar o ouro muito cedo.

Não acho que existiu um momento certo para o álbum ser lançado. Ele foi… Um dia estava nas plataformas. Normalmente me planejo mais. Senti falta de um planejamento mais sério, mais detalhado, mais investimento, mas muitas coisas estavam acontecendo no momento então estou feliz com o fato de que ele está aí, está sendo consumido em diversos lugares.

Lumanzin (Foto: Leonardo Yugo)

As suas apresentações também trouxeram uma equipe de peso que foram os músicos Lucas Thunder, Danilo Moura e Renato Putini. Como foi a seleção da banda e o repertório do álbum?

Bem, o Renato é meu parceiro desde os primórdios da minha carreira. Meu primeiro show foi também o primeiro show dele, fizemos juntos. Tivemos uma banda chamada Luzia que rodou bastante, fazíamos um som doido, então sempre conto com ele. O Danilo e o Thunder conheci na vida, nos rolês e eles que gravaram o baixo e as percussões de “Me Diz”, um single que lancei em 2020. O trampo e a sensibilidade deles, o groove, a conversa, adoro tudo na nossa relação, então não tive dúvidas em quem chamar pra me acompanhar nos palcos na estreia desse disco.

O seu estilo musical, contando um pouco mais do seu lado artístico, ele vem muito do MPB e do Jazz, promovendo algo único para os ouvintes. Que tipo de energia você se dedica a passar a partir do seu trabalho?

Eu acho que na verdade esse “algo único” que eu trago vem mais da experiência que eu tenho com a música clássica do que necessariamente com o MPB e o Jazz. Diria que sou uma mistura de Monteverdi com Hannah Montana e por algum motivo meu som não parece nenhum dos dois hahahaha. Eu procuro trazer vários tipos de energias e intenções com meu trabalho. Tento as fazer soarem bem diferentes também. Por exemplo, “mãe” e “fim do mundo” têm interpretações quase opostas. Uma é super forte, meio rock, meio pra frente, energética, a outra é triste, um tom melancólico, quase chorando. 

Lumanzin (Foto: Leonardo Yugo)

A sua carreira como compositora teve início ainda muito jovem, aos 11 anos, e foi parte do álbum “Um Bolo Musical”. Você ainda se lembra de como foi feita essa composição e dos seus primeiros contatos no meio musical?

A faixa que escrevi chama “minha turma” e eu lembro certinho da hora que tava compondo ela. Como sempre, foi no improviso. Tava tomando banho e passando muito sabonete na minha barriga, bem coisa de criança mesmo e cantarolando os nomes dos meus amiguinhos de sala. Acho que isso foi no mesmo dia que eu tinha aula, ou um dia antes, aí cheguei à sala de aula, apresentei a música e criamos em cima dela, fizemos uma segunda parte. Ficou muito fofa! Vou tentar procurar e subir no SoundCloud ou algo assim, por que o álbum não ta indisponível nas plataformas infelizmente.

Teve um projeto seu que foi bastante bacana é o álbum “quarentena” de 2019. Como a pandemia serviu de um momento de inspiração para você como artista e qual foi à importância da música nesse momento complicado que tivemos que passar?

Então, lançado em 2019. Foi antes da pandemia. O nome do meu álbum não tem relação alguma com o COVID. Chama “quarentena’ porque no fim de 2017, eu fiz um aborto e logo depois eu passei por um momento muito sensível, muito triste e que desencadeou uma tosse que durou mais de 100 dias (achei até que era coqueluche, que é uma doença super-rara). Cheguei a quebrar costela, não coseguia respirar, então não tinha opção a não ser me isolar no meu quarto e esperar toda aquela tristeza e indisposição física passar. Por isso, “quarentena”. 
Mas a quarentena que vivemos como sociedade me trouxe muitos pensamentos de desistência da arte, mas que depois foram se revirando, revirando e claro que achei dentro de mim um lugar de inspiração. Como tive a possibilidade de passar a quarentena inteira bem em contato com a natureza, achei a inspiração na contemplação do tempo. A observação das pequenas nuances.

Lumanzin (Foto: Leonardo Yugo)

Focado em popularizar seu trabalho fora do país, o seu trabalho já se destacou em outros lugares do mundo como Canadá, Espanha e outros países no continente europeu. A partir de qual momento você percebeu que o seu trabalho estava tomando essa proporção e como estão sendo seus passos lá fora?

Meu trabalho só chegou lá fora por que eu cheguei lá fisicamente, então ele ainda está totalmente atrelado a pessoas que me conhecem e pessoas que conhecem pessoas que me conhecem. Não é como se eu tivesse estourado online e atingido gente de fora do meu ciclo. Então eu vejo as proporções dele ainda bem limitadas, mas estou focada 100% em expandir meu alcance e reconhecimento internacionalmente, sempre foi meu maior ponto de interesse. Desde pequena eu quero viver uma vida poliglota, pegar muito avião, conhecer muito pico e eu graças a deus a arte também permite essa movimentação. Estou trabalhando agora em musicas em inglês, albanês, outras línguas, outros estilos e sempre chamar meus amigos de fora pra participar, assim como chamei 22 amigos de dentro pra tocar no “mansinha” rsrs. 

Além dos seus sucessos com o público, o seu desempenho de carreira também vem rendendo vários prêmios, tais como o ArtVeine pelo vídeo “Meia Noite em Vênus” e também a concorrência com outros através dos clipes “Grito Desesperado de Mulheres Abandonadas” e “Dia a Dia”. O que esse reconhecimento significa na sua carreira?

Olha, ser artista multimedia é difícil porque não existe ainda na cabeça das pessoas a ideia de que um artista pode ter várias faces, usar várias linguagens. Então quando recebo um reconhecimento relacionado ao meu trabalho visual, eu só consigo ficar muito feliz por estar abrindo também essas portas pra minha carreira, de não me frustrar achando que só vou poder trabalhar com uma linguagem para o resto da minha vida. Além de que um trampo puxa o outro! Gostam do clipe por causa do visual, mas também por que gostam da música, da letra, do ritmo, que seja. 

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*Com Andrezza Barros

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