Do Grupo Xadrez ao Calcinha Preta: Daniel Diau relembra jornada de sucesso no mercado musical

Luca Moreira
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Daniel Diau, vocalista da renomada banda Calcinha Preta, compartilha sua jornada marcada por desafios, determinação e paixão pela música. Desde os primeiros passos nos bares, influenciado pelo sertanejo, até os palcos lotados, sua carreira foi moldada por uma paixão inabalável pela arte de cantar.

A experiência na Calcinha Preta marcou sua trajetória, emplacando sucessos e ensinando valiosas lições sobre palco, público e sucesso. Após alguns projetos individuais, Daniel voltou à banda, motivado pela identidade musical e pelo carinho dos fãs.

Um momento desafiador foi a cirurgia na garganta, em 2008, que o afastou temporariamente dos palcos. Porém, a fé e a determinação o ajudaram a superar esse obstáculo, renovando sua dedicação à música. Sua conversão ao evangelho trouxe uma nova perspectiva, levando-o a gravar um álbum solo gospel. Mesmo na transição entre o secular e o gospel, Daniel busca transmitir mensagens de amor e fé através da música.

Olhando para o futuro, Daniel compartilha seus planos e sonhos, incluindo uma possível mudança para os Estados Unidos e uma vida mais tranquila ao lado da família. No entanto, a música permanece em seu coração, sempre presente em suas aspirações e em sua gratidão pela jornada até aqui.

Daniel, sua jornada na música começou desde cedo, cantando em bares e formando duplas influenciadas pelo sertanejo. Como essas experiências iniciais moldaram sua carreira e sua identidade musical ao longo dos anos?

A minha jornada musical começou desde cedo. Realmente comecei na igreja aos meus 10 anos de idade, cantando alguns hinos e louvores. Aos 19 anos, foi quando comecei a cantar em barzinhos. Antes disso, já participava de um grupinho chamado Grupo Xadrez, que formei na época imitando o Dominó. Dos membros, fui o único que continuou na carreira musical. Depois, comecei a cantar em bares. Tive um parceiro, o Daniel de Alma, com quem formei uma dupla sertaneja. Foi aí que veio o sertanejo. Antes disso, costumava cantar músicas de Roupa Nova, Fivers, e Yahoo, entre outros estilos. Para mim, foi uma experiência muito gratificante e maravilhosa. O que realmente mudou minha carreira foi cantar músicas sertanejas, nas quais minha voz já se identificava com o estilo de cantores como Leonardo, Zezé Di Camargo, Marco & Alcântara, Chitãozinho & Xororó, Chrystian & Ralf. Foram esses artistas que me inspirei ao ouvir suas músicas para cantar em barzinhos. Hoje, estou interpretando essas músicas no forró. Comecei a cantar o forronejo, fazendo o forró com músicas sertanejas em ritmo romântico. São canções que marcaram épocas e falam sobre família e amor. Para mim, é muito gratificante cantar músicas que abordam temas tão significativos da vida de um casal.

Daniel Diau
Daniel Diau

Você teve uma passagem marcante pela banda Calcinha Preta, onde emplacou vários sucessos. Como foi sua experiência nessa banda e o que você mais aprendeu durante esse período?

Tive várias passagens no Calcinha Preta e ainda estou na banda até hoje. Marcantes foram as músicas que fizeram época, aquelas que regravamos e tivemos reinterpretações, diversões. Plantamos vários sucessos, como “Hoje à Noite”, “Mágica”, e “Cobertor”, que foram pioneiras, não é verdade? O que mais aprendi aqui foi a experiência com o palco e o público, como lidar com os fãs e o sucesso também. Manter o sucesso é difícil, não é mesmo? Hoje, graças a Deus, conseguimos manter esse sucesso porque fazemos um trabalho com muito carinho, muito amor para o nosso público e para os fãs. Nunca tive vergonha de subir no palco, de cantar, de pegar no microfone. Sempre foi meu sonho. Uma vez, pensei que não tinha o sonho de ser conhecido, de dar autógrafos, tirar fotos. E Deus me concedeu essa honra. Para mim, não há dinheiro no mundo que compre o carinho e o amor que Deus tem por nós e pelo nosso público.

Daniel Diau
Daniel Diau

Após alguns projetos individuais que não alcançaram o sucesso esperado, você retornou à Calcinha Preta. O que o motivou a voltar à banda e como foi esse retorno para você?

É verdade, sempre almejamos ter um sonho, não é mesmo? Um projeto pessoal para mostrar verdadeiramente o nosso trabalho, aquilo que sempre amamos fazer. Eu sempre amei cantar, gosto de transmitir mensagens de amor através da música. Gosto de cantar canções que falam sinceramente ao coração. Nem sempre todos os projetos dão certo, mas hoje estou voltando para o Calcinha Preta também. O que me motivou foi realmente o repertório de músicas, os estilos musicais, porque quando se fala de Daniel Diau, aí se fala de Calcinha Preta. Isso é uma marca, uma identidade, certo? Então, estamos aqui hoje, juntos com o nome Calcinha Preta, para continuar transmitindo amor através da música para vocês. Este retorno está sendo muito bom, verdadeiramente maravilhoso. E sou grato por todas as bênçãos que Deus tem nos concedido. Aqui é só gratidão.

Em 2008, você se afastou temporariamente da música devido a uma cirurgia na garganta. Como foi esse período de recuperação e como isso impactou sua carreira e sua vida pessoal?

Realmente, em 2008 tive um probleminha na minha corda vocal, rompi um cisto e precisei passar por um processo de quase um ano sem poder cantar direito, sem poder fazer nada. Foi um período difícil e demorado, mas graças a Deus, Jesus me curou. Creio que Ele tem colocado a mão na minha vida, porque sempre disse e continuo dizendo que a minha voz é do Senhor Jesus. Foi Ele quem me deu, então aqui nada é nosso, tudo é dele. Em 2008, me afastei justamente por causa dessa cirurgia que precisei fazer. Não foi uma operação na corda vocal, pois corda vocal não se opera assim, como meu médico disse, estou rindo, ele só retirou o cisto. Fiquei em processo de alguns antibióticos, mas creio que nem precisei tomar muitos, porque sei que o que me curou não foram os remédios, meu remédio foi Jesus. Eu sei que Ele é o Deus que cura, liberta e salva. Chorei aos pés dele e Ele me deu a vitória de hoje, me permitindo cantar duas vezes mais do que eu imaginava. Esse período de recuperação teve seu impacto, mas acreditar em um Deus para quem nada é impossível, um Deus que cura, realmente me restaurou. Isso eu proclamo aos quatro cantos do mundo, porque sem Ele não somos nada.

Após sua conversão ao evangelho, você gravou seu primeiro álbum solo gospel. Como foi essa transição da música secular para a música gospel e qual foi a mensagem que você quis transmitir com esse trabalho?

Eu nasci no berço evangélico, minha família toda é evangélica. Meu pai era evangelista. Graças a Deus, minha esposa também é evangélica, nós viemos juntos para o caminho da fé. Através dela, retornei para a igreja após um período afastado. Para mim, a vida de fé foi uma vida de abundância, de sentir a presença de Deus, de confiar que Ele nunca nos deixaria faltar nada. Passamos por momentos difíceis, apertos, mas o que Deus tem para nós é maior do que tudo isso. Faço questão de gravar vários projetos para o Senhor, porque acredito que é pouco diante do que Ele tem feito por nós. Meu primeiro álbum foi uma experiência muito significativa. Quanto ao secular, não separo minha fé do que faço hoje, pois é um trabalho onde tento passar uma mensagem de amor e mostrar que Deus é real e capaz de todas as coisas. Faço ministrações e ganho almas para Jesus mesmo no meio secular, falando do amor de Cristo para as pessoas. Não deixo de ser evangélico, pois ser evangélico não é uma questão de religião, mas de fé na palavra de Deus. Creio que o que Deus reserva para nossa vida é muito mais do que podemos imaginar, e me considero um cristão, crendo em Cristo, que morreu por todos nós e é o filho de Deus.

Em 2016, você, juntamente com Silvânia Aquino e Paulinha Abelha, anunciou o projeto da banda “Gigantes do Brasil”. Como surgiu essa ideia e o que vocês esperavam alcançar com esse novo projeto?

Sim, isso mesmo, a banda Gigantes do Brasil foi uma transição do gospel para o secular, após meu período no call center. A ideia surgiu a partir do projeto chamado Gigantes do Samba, combinando o nome com Gigantes do Brasil. A proposta era mostrar que só Deus é maior que nós. Organizamos toda a estrutura da banda antes mesmo de ela existir, com agenda marcada e tudo. Quando nos reunimos em minha casa, começamos a planejar os movimentos e shows, e a demanda já estava alta antes mesmo de começarmos. Foi uma bênção alcançarmos nosso objetivo de levar músicas boas e positivas para o público, independentemente da idade. O projeto durou cerca de 10 meses, mas enfrentou questões administrativas que o levaram ao fim. Agora, estamos juntos novamente, com Paulinha no lugar dela, e a banda segue comigo e com o apoio de muitos fãs.

Você retornou à banda Calcinha Preta em 2018 após 10 anos. O que o motivou a voltar para a banda e como tem sido essa nova fase para você?

O que me motivou a retornar para a banda em 2018 foi principalmente a questão financeira, sabe? É preciso trabalhar, não é? Não podemos ficar à toa e desperdiçar nossos talentos por 10 anos. Deus nos deu talento para multiplicarmos, não é? Então, é isso que buscamos fazer. Eu entrei de volta em 2018 e desde então estou aqui. Estamos passando por uma fase muito boa, com um novo projeto atemporal. Estamos resgatando músicas que não entraram em DVDs, apenas foram gravadas, e agora estamos incluindo em nossos shows e DVDs. É algo que nos enche os olhos, nos satisfaz muito. São músicas lindas, com melodias incríveis, e isso é muito gratificante para nós.

Ao longo de sua carreira, você passou por diferentes experiências e projetos musicais. O que você considera como os momentos mais desafiadores e gratificantes de sua trajetória até agora?

É, realmente, eu passei por um perrengue muito grande com alguns empresários. E esse foi um grande desafio, não é? Lidar com pessoas que não tinham noção do que estavam fazendo, pessoas que só me viam com a intenção de receber dinheiro e não investir no projeto. Esse é um desafio para muitos, encarar isso, não é? O que foi gratificante foi ter voltado para a Calcinha Preta. Então, minha trajetória sempre foi na Calcinha Preta, desde quando eu saí e hoje estou de volta. Apesar de ter tido muitos cantores aqui tentando cantar as músicas que eu gravei na época, tem muitos cantores bons que passaram por aqui. O Beck Rabello também estava aqui na época, foi quando o empresário pediu se podíamos trazê-lo para a banda para somar comigo, porque ele canta muito bem. A gente trouxe, e ele ficou aqui um período, foi quando eu saí e depois voltei. Assim, a gente foi… Quando eu perdi a minha mãe na época, o Beck ficou aqui segurando a onda, e eu passei um tempo um pouco distante, né? Então, o projeto fora, não deu certo por conta de empresários. É isso que eu falo, tem muitos empresários que dizem que são uma coisa, mas não são, são mentirosos, são lobos querendo se aproveitar de você para poder ganhar dinheiro. Eles não visam o projeto, não visam fazer algo bacana para que ambos possam ganhar no futuro. Eles só visam receber o dinheiro, colocar no bolso e sair fora.

Como você vê a evolução da música e do mercado fonográfico ao longo dos anos, especialmente considerando as mudanças tecnológicas e sociais?

De um tempo para cá, muita coisa mudou. A música evoluiu e se tornou algo descartável. Atualmente, um artista precisa lançar uma música por mês para manter o sucesso, mas esse sucesso dura pouco, talvez um mês, antes de precisar de algo novo. Tornou-se muito descartável. Mas, apesar disso, temos uma nova geração de músicos jovens e talentosos que respeitamos e consideramos amigos. Eles estão evoluindo em seus trabalhos e momentos, o que é gratificante de ver. Essa nova geração está empenhada e dedicada à música, o que é admirável.

Levando em conta as mudanças tecnológicas e sociais, estamos aqui observando e esperando para ver o que o futuro reserva. Há muita coisa que pode acontecer e muitas mudanças que ainda estão por vir. Pode ter certeza de que o futuro da música trará ainda mais transformações.

Olhando para o futuro, quais são seus planos e objetivos na música? Há algo em particular que você gostaria de realizar ou explorar nos próximos anos?

Olha, olhando para o futuro, meus planos e objetivos na música incluem a ideia de parar. Não pretendo viver a vida toda cantando. Acredito que chega um momento em que precisamos parar. Não quero estar com 60 anos ainda nos palcos. Quero viver minha vida em paz com minha família. Meu verdadeiro sonho é morar fora do Brasil, nos Estados Unidos. Esse é, sem dúvidas, o maior sonho da minha vida. Essa é uma parte mais particular da minha vida que nunca compartilhei com ninguém, mas estou expondo para vocês agora. A realização desse sonho vai depender do que eu decidir fazer, do que vou viver. Não vou esquecer da música, porque a música é algo que realmente mexe comigo. Está no sangue. Então, a música eu nunca deixarei, mas estar em turnê, viajando, pegando estrada, avião pra cima e pra baixo, não quero mais essa vida. Quero uma vida mais tranquila com minha esposa, minha família, andar na minha casa. Meu maior sonho é morar fora do Brasil, nos Estados Unidos, e lá, talvez, cantar para os amigos. Se for a uma festinha, um aniversário ou algo assim, eu vou cantar, porque eu faço questão. E cantar na minha igreja, voltar a me envolver mais ainda no evangelho, cantando só para o Senhor Jesus na minha igreja. Por enquanto, não posso cantar, pois ainda estou no mundo secular, mas meus pastores não veem problema, se eu quiser cantar, eu canto, porque é uma escolha minha dentro do evangelho. E o amor que eu tenho pelo meu Deus? Por tudo que Ele tem feito em minha vida. Só por colocar uma mulher maravilhosa como ela na minha vida, uma família que pedi a Deus e Ele me deu, então é só agradecer. Gratidão é a palavra de hoje e de sempre. Beijo no coração, obrigado pelo carinho.

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