Cristina Valori une conflito entre irmãs e amores de ontem e hoje em novo livro

Luca Moreira
7 Min Read
Cristina Valori

Com uma narrativa que mergulha nas complexidades dos relacionamentos e das escolhas pessoais, “Amor Errado”, da autora Cristina Valori, oferece uma reflexão profunda sobre os dilemas enfrentados pela protagonista Mia Andrade. Afastada do convívio familiar e dos amigos, Mia se vê confrontada com o retorno de uma antiga paixão, André, agora casado com sua irmã mais velha e com uma filha. Ao ser confrontada com a proposta de ser barriga de aluguel para sua irmã, Mia se vê diante de uma encruzilhada entre seus desejos pessoais e as expectativas familiares. Em meio a conflitos familiares, dramas pessoais e questionamentos sobre suas próprias escolhas, a protagonista é levada a reavaliar suas prioridades e buscar um novo caminho para sua vida. Com uma narrativa envolvente e temas relevantes como conflito familiar, romance proibido e superação, “Amor Errado” convida o leitor a refletir sobre os desafios e as possibilidades de recomeço, mesmo quando os amores do passado parecem ter dado errado.

“Amor Errado” explora temas profundos como dor, culpa e remorso na vida da protagonista Mia. Como esses elementos influenciam a narrativa e a jornada de Mia?

Além de influenciar, esses elementos direcionam a vida da Mia. Em determinado momento da história (depois de um acontecimento trágico), eles se tornam parte da personalidade dela. Uma rotina instaurada com muita culpa e remorso.

A trama envolve dilemas pessoais e familiares, incluindo a proposta de Mia ser barriga de aluguel para a irmã, Pilar. Como esses conflitos impactam o desenvolvimento da história?

Esses conflitos moldam a trama, afinal Mia se questiona se conseguirá cumprir o papel que não lhe pertence. Se aceitar o pedido da irmã, amenizará a culpa que sente? Se ela é merecedora de tal privilégio?

Você aborda a temática do retorno de uma antiga paixão (André) na vida de Mia. Como esse reencontro molda a protagonista e suas perspectivas em relação ao amor?

As perspectivas dela são sempre saudosistas. Na verdade, ela enxerga suas escolhas amorosas de maneira negativa. Permanece muito tempo presa no “se” e acaba esquecendo de viver o presente. Além de não compreender que, na verdade, nunca existiram escolhas erradas.

O livro toca em questões de casamento e maternidade, sugerindo que esses não eram planos originais de Mia. De que maneira essas reflexões sobre relacionamentos traduzem os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres?

Mia nunca ofendeu ou levantou uma bandeira sobre a decisão de não ser mãe ou se casar. Na verdade, a trama aborda o tema de maneira livre e coerente. Mia sempre se preocupou consigo mesma e (um pouco de spoiler aqui) quando a vida a leva para outra direção, a decisão foi pensada e tomada de acordo com as próprias convicções.

A história sugere que Mia deixou sonhos e objetivos presos a um passado mal resolvido. Como ela evolui ao longo do romance em termos de autoconhecimento e aceitação?

Mia deixou a vida muito presa à família, aos erros do passado e insistindo nessas falhas. Esse autoconhecimento e aceitação, acontece depois que ela consegue se libertar das amarradas invisíveis.

Cristina Valori

Na obra, você aborda o conflito entre certo e errado. Como esse dilema ético se desenrola na narrativa, e qual mensagem pretende transmitir sobre recomeços?

Não podemos viver no passado, nem viver a vida de outra pessoa. Independentemente de ser filho, mãe, marido, irmã… Não importa a relação. Temos que dividir a vida com essa pessoa, para que assim aconteça o autoconhecimento.

A Qualis Editora tem publicado obras que destacam personagens femininas fortes e complexas. De que forma Mia contribui para esse cenário, e como ela se destaca como protagonista?

Considero a Mia uma personagem forte e complexa. Ela possui uma vida interessante, com uma ótima carreira na área da educação, mas quando percebe que a felicidade sobrepõe a culpa, ela se anula. Todo o autoconhecimento conquistado ao longo dos anos desmorona.

A temática do romance entre mulher mais velha e homem mais novo é explorada na trama. Como isso é abordado, e quais nuances essa relação traz para a história?

A diferença de idade na trama foi trabalhada com muita sensatez. Estereótipos e infantilidades foram deixados de lado, tanto pela Mia como pelo Isaac. Mesmo sendo mais jovem, o apoio dele e a maturidade moldada para o personagem, trouxeram leveza para Mia, além de novas perspectivas.

A obra é indicada especialmente ao público feminino. Como o livro se conecta com as experiências e desafios enfrentados por mulheres na contemporaneidade?

Por causa da irmã, Mia experimenta um pouco os conflitos que envolvem a maternidade. Tempo para os filhos? Como criá-los? Mudança dos corpos? Rotinas? Ser mãe ou não? Presença na vida dos filhos? Questões que estão presentes no dia a dia das mulheres.

Ao mesmo tempo em que Mia é uma mulher proativa, com um bom emprego e independência financeira, ela não consegue fugir das perguntas que compõem uma sociedade dominada por conceitos antigos.

Ao lidar com temas como recomeço e superação, como “Amor Errado” oferece insights valiosos para os leitores sobre as diferentes formas de reconstruir a vida após desafios amorosos?

Talvez a principal mensagem do “Amor Errado” está na certeza de que o mais importante para nós é a compreensão de duas perguntas: “onde você está?” e “onde quer estar?” Mia não enxergava a vida dela pelo prisma adequado, perdendo oportunidades e experiências românticas e felizes. Viver pelos olhos da irmã e da família, a impossibilitou de optar pelas boas escolhas e não conhecer a si mesma.

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