Serviços financeiros ampliam receita e permitem conhecer melhor o cliente

Luca Moreira
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Em meio ao processo de desbancarização do país, empresas de diferentes segmentos despertam para as vantagens de oferecer crédito e outros serviços ao seu consumidor

Nos últimos anos, gigantes globais como Carrefour (França), Coles (Austrália), Sainsbury’s e Tesco (Inglaterra) passaram a oferecer serviços de crédito, empréstimos e seguros para seus clientes. O Brasil não fica atrás, pois redes como C&A, Lojas Renner, Natura e Pernambucanas também já abriram os olhos para o potencial desse mercado e estão indo muito além do velho crediário. Longe de ser mera coincidência, esse movimento reflete o despertar de empresas dos mais diferentes setores sobre os benefícios de disponibilizar serviços financeiros para sua base de consumidores.

“Além de gerar receitas extras importantes, a prática permite oferecer soluções para reduzir os pontos de fricção ao longo do processo de compra e ainda cria a oportunidade de acessar dados para conhecer melhor seu público e aperfeiçoar estratégias de venda”, resume Sarah Almachar, fundadora e administradora da Evlos, hub de soluções tecnológicas que ajuda empresas a oferecer soluções financeiras ao consumidor.

Segundo Sarah, uma das maneiras mais simples para uma companhia incorporar esses serviços é embutindo sistemas de terceiros em sua plataforma. Neste caso, as margens acabam sendo menores, mas o risco também é mais baixo, afinal o capital vem todo do parceiro. E a boa notícia é que, só de adotar este modelo, a empresa já consegue colher frutos importantes.

“Embutir e operacionalizar este tipo de solução acaba sendo um grande laboratório para o varejo aprender com seu ecossistema. A partir disso, ele consegue oferecer soluções que facilitam a vida de quem compra, como financiamento, linhas de crédito e até mesmo a opção de pagamento por meio de criptomoedas”, aponta.

Outro benefício de incorporar serviços financeiros está em entrar na intimidade do cliente. Por meio deles, a empresa passa a perceber uma série de dados que apontam tendências de consumo. Ou, no caso do segmento B2B, é possível ter uma visão global de toda a cadeia produtiva e enxergar novas oportunidades de negócio.

“Quem tem um bom ecossistema ainda consegue alavancá-lo com novas fontes de receita sem necessariamente virar uma instituição financeira. No caso de pessoas que viajam bastante, por exemplo, é possível criar um cartão-seguro, abrir parcelamento de compras no exterior, oferecer salto multimoedas, e tudo isso se reflete em ganhos adicionais”, cita.

Já as companhias mais robustas ainda contam com a opção de estruturar operações para oferecer crédito e outros serviços com seus próprios recursos, permitindo alcançar ganhos ainda mais elevados.

“Na Evlos, temos capacidade para dar apoio tanto na parte de tecnologia, quanto no conhecimento das regras do mercado. Caso a empresa deseje aportar dinheiro, ajudamos a estruturar um fundo, emitir títulos. O segmento financeiro é altamente lucrativo, e quando um negócio tem ao seu lado uma plataforma que entende e atua como facilitadora, é possível fazer seu dinheiro e sua base girar muito mais”, encerra.

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