Ano será marcado por ajustes estratégicos, maior integração de serviços e avanço da automação para garantir escala e segurança
O mercado brasileiro para provedores de serviços gerenciados (MSP), avaliado em torno US$ 950 milhões, tem estimativa de crescer a uma taxa anual composta (CAGR) de cerca de 13% até 2028. Uma previsão que tem se concretizado com a adoção contínua do modelo tanto por pequenas e médias empresas quanto por grandes corporações, com mais de 55% do total utilizando serviços de MSP, segundo o estudo da Market Research Intellect. Esses números reforçam que o MSP está deixando de ser uma alternativa pontual para se consolidar como estratégia principal, exigindo dos provedores cada vez mais maturidade, escopo e responsabilidade contínua.
Para Rodrigo Gazola, CEO da ADDEE, empresa especializada em soluções de segurança para prestadores de serviços de TI e representante exclusiva da N-able no Brasil, 2026 será de ajustes estratégicos. “Empresas demandam serviços mais completos, integrados e consistentes. Para acompanhar essa evolução, será necessário uma adaptação clara e assertiva”, afirma. O executivo destaca seis tendências práticas que estão moldando o setor no Brasil.
1. Do executor ao arquiteto: MSP assume papel educativo
Com ataques cada vez mais sofisticados, combinando automação, exploração de vulnerabilidades desconhecidas e novas formas de engenharia social, muitas empresas reconhecem riscos, mas ainda não compreendem a extensão de seu impacto financeiro e operacional.
Nesse cenário, MSPs passam a atuar como consultores de risco, traduzindo ameaças para a linguagem de negócio, orientando decisões e guiando investimentos. Sem esse protagonismo educativo, a relação fica limitada ao comparativo de preço, reduzindo valor e abrindo espaço para escolhas equivocadas.
2. Recorrência obrigatória: projetos avulsos passam à condição secundária
A dinâmica de ameaças e a velocidade com que novos vetores de ataque surgem tornaram insuficientes as práticas tradicionais baseadas em ações pontuais, como trocar um firewall ou instalar um antivírus isolado. Esses projetos corrigem lacunas específicas, mas não acompanham a evolução constante do ambiente digital. Por isso, em 2026, ganha força um movimento definitivo de migração dos orçamentos para modelos de serviços recorrentes, capazes de oferecer proteção contínua e alinhada ao ritmo das operações.
Soluções como detecção e resposta 24×7, arquiteturas Zero Trust, segurança e governança em cloud, conformidade permanente e gestão contínua de vulnerabilidades passam a compor a base estratégica das empresas, reduzindo janelas de exposição e permitindo atuação proativa.
Na prática, a diferença é estrutural: enquanto projetos atuam sobre o passado, corrigindo pontualmente falhas já identificadas, os serviços gerenciados protegem o futuro, garantindo monitoramento ininterrupto, resposta rápida a incidentes e capacidade de adaptação diante de novas ameaças. Esse modelo recorrente consolida-se como o único capaz de sustentar operações digitais em ambientes cada vez mais complexos e regulados.
3. Plataforma única: ambiente integrado reduz falhas e gastos
Ambientes construídos ao longo de anos, com soluções adquiridas em momentos diferentes e de fornecedores variados, criam cenários fragmentados que aumentam ruído operacional, multiplicam pontos de falha e elevam custos de manutenção. A ausência de integração gera retrabalho, dificulta o diagnóstico de incidentes e compromete a precisão das análises, tornando a infraestrutura mais vulnerável e menos eficiente.
Em 2026, MSPs competitivos consolidam a virada para o modelo de plataforma única, integrando monitoramento, automação, cloud, segurança e governança em um ecossistema centralizado, capaz de enxergar o ambiente de ponta a ponta e agir de forma coordenada. Esse movimento transforma a modernização tecnológica ao deixar de ser um projeto isolado, desconectado do dia a dia, e passar a ser uma agenda operacional contínua, com ajustes incrementais, otimização constante e redução significativa de custos por redundância e complexidade. A unidade de plataforma se torna, assim, o motor de eficiência, previsibilidade e escala para MSPs e para seus clientes.
4. Segurança em foco: mid-market regulado exige padrão robusto
Setores como saúde, financeiro, jurídico e varejo de grande porte operam sob uma combinação crescente de normas, auditorias e exigências de conformidade que tornam a segurança um pilar crítico da operação. Nesse contexto, o mid‑market regulado demanda padrões equivalentes aos de grandes corporações, com camadas completas de detecção, resposta, governança, proteção de identidades e políticas contínuas de compliance.
A segurança deixa de ser tratada como “add‑on” ou complemento às soluções de TI e passa a compor a espinha dorsal da infraestrutura, influenciando desde processos internos até a relação com clientes, parceiros e órgãos fiscalizadores. Em 2026, MSPs que atuam nesses segmentos precisam entregar arquiteturas robustas, documentação rastreável e visibilidade total do ambiente, garantindo aderência a requisitos legais, prevenção de incidentes e capacidade de resposta rápida. O movimento é claro: em mercados regulados, segurança não é diferencial, é pré‑requisito para operar.
5. Automação e IA: aceleração via inteligência e escala
Com ambientes cada vez mais complexos e um volume crescente de alertas, tornou‑se inviável sustentar operações de segurança apoiadas exclusivamente em processos manuais. A automação assume papel central ao eliminar tickets repetitivos, padronizar rotinas e liberar as equipes para análises de maior impacto.
A inteligência artificial amplia ainda mais esse ganho ao priorizar automaticamente eventos críticos, correlacionar sinais dispersos e executar respostas em segundos, algo impossível em um fluxo totalmente humano. Em 2026, automação e IA formam o núcleo da estratégia de escala dos MSPs, permitindo operar com eficiência, reduzir tempo de resposta e aumentar a precisão das decisões mesmo diante de ambientes que não param de crescer.
6. MSP redefine padrão: responsabilidade contínua vira regra
A consolidação do modelo MSP em 2026 marca a virada definitiva do setor para um padrão baseado em recorrência e cobertura ponta a ponta. A segurança deixa de ser tratada como uma entrega única e passa a ser conduzida como um processo permanente, que exige monitoramento contínuo, ajustes constantes e respostas rápidas a novos vetores de ataque.
O MSP assume a responsabilidade de manter o ambiente atualizado, resiliente e aderente às normas, atuando como guardião operacional e estratégico do cliente. O modelo gerenciado torna‑se, assim, o único capaz de sustentar eficiência, proteção e escala no longo prazo, garantindo que a evolução tecnológica e as mudanças no panorama de ameaças sejam acompanhadas de forma coordenada e previsível.