Raquel Mozzer alerta: RHs intoxicados por IA podem comprometer decisões em 2026

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O início de 2026 encontra departamentos de Recursos Humanos cada vez mais dependentes de ferramentas de inteligência artificial. O problema não está no uso da tecnologia, mas na forma como ela vem sendo aplicada: não como apoio ao pensamento humano, e sim como substituta dele.

Sistemas baseados em IA operam a partir de padrões, históricos e comparações estatísticas. Pessoas, no entanto, são contexto, contradição e imprevisibilidade. Quando essa diferença é ignorada, o risco deixa de ser operacional e passa a ser estratégico.

No recrutamento e seleção, esse deslocamento de responsabilidade se torna ainda mais evidente. Processos seletivos excessivamente longos, com múltiplas etapas automatizadas e testes padronizados, muitas vezes não indicam rigor, mas insegurança. Em vez de qualificar decisões, acabam mascarando a ausência de critérios claros, desalinhamentos internos e falhas de gestão que nenhuma tecnologia é capaz de corrigir. Automatizar decisões não fortalece estruturas frágeis.

Do outro lado da mesa, os candidatos também passaram a responder à automação com automação. Currículos otimizados por algoritmos, respostas ensaiadas e entrevistas roteirizadas por IA tornaram-se prática comum. O resultado é um embate silencioso entre sistemas, no qual o fator humano se dilui e a autenticidade se perde.

Para a headhunter Raquel Mozzer, esse movimento cria uma falsa sensação de eficiência. “Quando a IA passa a decidir sozinha, o processo pode até ficar mais rápido, mas não necessariamente mais inteligente. O impacto aparece depois, no aumento do turnover e no desalinhamento cultural”, avalia.

Esse cenário reforça um ponto central: IA contra IA não gera conexão. Gera distorção. E os efeitos tendem a surgir rapidamente, com contratações tecnicamente corretas, mas estrategicamente equivocadas.

O papel do headhunter, nesse contexto, não é competir com a tecnologia, mas equilibrá-la. O olhar humano é o que interpreta contexto, questiona demandas mal definidas, provoca lideranças e conecta estratégia, cultura e pessoas reais. A inteligência artificial acelera etapas. Ela não sustenta decisões.

O alerta para 2026 é claro: tecnologia pode otimizar processos, mas quem responde pelas consequências continua sendo gente. Quando o RH esquece disso, não perde apenas eficiência. Perde critério.

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