A força de uma carreira internacional

Rodolfo Gomes
3 Min Read

* Por Sorahya Camargo

Construir uma carreira em mais de um país sempre funcionou menos como um deslocamento físico e mais como a oportunidade de compreender diferentes ecossistemas produtivos. Ao longo de duas décadas atuando em operações de ponta a ponta da cadeia de suprimentos, percebi que a experiência internacional não é um adorno profissional, mas um mecanismo que amplia a capacidade de leitura de sistemas complexos. A cada empresa, país ou processo que integrei, revisitei modelos mentais, testei premissas e reaprendi fluxos, o que ampliou minha visão analítica e aprofundou o entendimento sobre o comportamento real da cadeia em suas diversas camadas, como planejamento, capacidade, inventário, fornecedores e execução.

Trabalhar na Nova Zelândia exigiu lidar com ambientes industriais que operam com alta cadência, dependência de planejamento preditivo e estruturas produtivas que demandam precisão diária. Em funções voltadas à produção, ao planejamento de materiais, à gestão de fornecedores e à implementação de sistemas como SAP e Ariba, observei com clareza o impacto de pequenas falhas operacionais sobre o desempenho global da cadeia. A vivência internacional fortaleceu competências que não se desenvolvem apenas pelo domínio técnico, mas pela convivência com contextos que desafiam rotinas, prazos e relações profissionais.

Outra dimensão dessa trajetória ocorre na exposição a modelos de governança que valorizam estabilidade e previsibilidade operacional. A atuação em empresas multinacionais como Lion Brewery, Frucor Suntory, Volvo do Brasil e Rheem New Zealand evidenciou que a gestão de riscos, o alinhamento entre áreas e o uso disciplinado de dados são elementos que fazem parte da estrutura organizacional e não apenas iniciativas isoladas. A convivência com esses padrões cria a capacidade de transitar com naturalidade entre a estratégia e a operação, competência essencial para quem trabalha com planejamento integrado e decisões de curto e longo prazo.

O contato constante com diferentes equipes, idiomas e metodologias também reforçou a compreensão sobre o papel humano dentro de processos altamente técnicos. Em supply chain, mudanças de sistemas, ajustes de inventário ou revisões de rota só ganham escala quando acompanhadas de comunicação consistente e colaboração concreta. A experiência multicultural ajudou a consolidar uma abordagem baseada em precisão analítica, clareza e construção de consenso.

Atuar internacionalmente mostrou que a mobilidade profissional não se resume ao ato de trabalhar fora do país de origem. Trata-se de expandir fronteiras cognitivas e compreender como organizações respondem à pressão, adaptam fluxos e sustentam desempenho. Essa soma de vivências transforma a carreira em um processo contínuo de aprendizado e adaptação. É justamente essa combinação que fortalece profissionais capazes de contribuir em diferentes mercados com visão ampla e capacidade real de execução.

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