O cantor e compositor Tiago Dezordi apresenta o single Um Canto de Natureza, faixa que marca o início de uma nova fase em sua trajetória ao trazer, pela primeira vez, um repertório autoral em português e fortemente conectado às suas raízes brasileiras. Com uma sonoridade que mistura elementos tradicionais e contemporâneos, a música surge como um convite à desaceleração e ao reencontro com a simplicidade, refletindo sobre o contraste entre a correria urbana e a serenidade da natureza. Em entrevista, o artista fala sobre o processo criativo da canção, o resgate de sua identidade musical e o momento de transição que vive na carreira.
O single “Um Canto de Natureza” marca seu primeiro lançamento autoral em português depois de várias músicas em inglês. O que despertou em você essa vontade de se expressar musicalmente na sua própria língua?
Na verdade eu sempre compus nas duas línguas. Quando a melodia começa a sair, eu escolho a língua de uma maneira mais ou menos natural: se a batida é na linha do rock clássico, automaticamente eu começo a conceber uma letra em inglês e quando a levada puxa para um ritmo mais brasileiro eu exploro letras na nossa língua-mãe. Tem sido assim.
A música surge como um convite para desacelerar e reencontrar a simplicidade da natureza. Em que momento você percebeu que precisava transformar essa sensação em canção?
A pressa é algo que me perturba um pouco e que é mais comum no meu dia-a-dia do que eu gostaria. Isso me inquieta. Dar conta de tudo o que uma vida urbana atribulada exige nos mantém quase sempre em estado de constante alerta, muitas vezes de pressa, e aí o tempo voa e a gente nem percebe. A gente vive acelerado e a aceleração nos faz perder as texturas dos momentos. Escrever sobre isso surgiu dessa sensação e da vontade que tenho de mudar essa condição, ainda que por temporariamente.

Você menciona que a composição nasceu após uma caminhada em meio ao verde. Como esses momentos de silêncio e contemplação influenciam o seu processo criativo?
Então, caminhar em um lugar tranquilo, mais sossegado, me coloca mais em contato comigo. Não tendo pressa, nem um objetivo específico que não seja me exercitar um pouco, a cabeça pode se conectar com os meus sentimentos e sonhos. E é desse substrato que nascem as minhas as canções.
A sonoridade da faixa mistura elementos tradicionais da música brasileira com nuances contemporâneas. Como foi construir esse encontro entre o Brasil mais raiz e a produção atual?
Um canto de natureza nasceu no violão e aos poucos foram surgindo as ideias de instrumentos e arranjos. Até aí é um processo muito individual. Depois, já na pré-produção, eu pedi para o Guilherme Gê, coprodutor, inserir samples e viagens mais contemporâneas. Primeiro porque eu gosto dessa mistura de sonoridades e depois pra trazer a música para um lugar mais atual mesmo. E aí essa construção dos efeitos foi trabalho do Gê. São efeitos sutis (até porque a música também é). Eu gostei do resultado.

Suas influências transitam entre artistas internacionais como Pink Floyd e Neil Young e nomes fundamentais da música brasileira como Luiz Gonzaga e Belchior. Como essas referências tão diferentes convivem dentro da sua identidade musical?
Pra mim isso se deu de forma natural. O rock veio pelo meu irmão mais velho, a música brasileira pela minha irmã, e no meio disso tudo, lá no interior do Rio Grande do Sul, onde eu morava, tinha ainda uma mãe pianista e um pai alagoano. A mistura era inevitável (risos). Que bom que foi assim, me abriu horizontes.
O videoclipe foi gravado em meio à natureza no interior de Minas Gerais. De que forma esse ambiente ajudou a traduzir visualmente a mensagem da música?
A música retrata, simbolicamente, as minhas incursões de moto para a serra Carioca, algo que faço com frequência, então era natural que o clipe passasse por isso. Não foi uma busca por reproduzir o que acontece na realidade, nem usar a letra da música como um roteiro. Foi algo que nasceu em cima da ideia da música, mas que tem vida até certo ponto independente.
Durante a pandemia você passou por um período de introspecção que resultou em novas composições. O que esse momento de pausa mudou na sua relação com a música e com a própria vida?
Ter tempo consigo é fundamental para compor. É preciso parar, desacelerar, sentir, não ter nada urgente pra fazer. E a pandemia trouxe isso. Não tinha idas e vindas e tudo se fazia de casa. E aí o tempo surgiu. Além disso, o momento transbordava sensibilidade. Todas aquelas mortes, o sofrimento e, ao mesmo tempo, a esperança de sairmos melhores daquilo me mobilizou bastante. E eu aproveitei pra me conectar comigo, moldar minhas ideias e conceber minhas melodias. Foi uma semente que eu plantei naqueles dias difíceis e que germinou e continua dando bons frutos.
“Um Canto de Natureza” abre uma nova fase da sua carreira. Que caminhos sonoros e temáticos você imagina explorar nos próximos lançamentos?
Virão outras músicas com a mesma pegada brasileira, regional. A capa de “Um canto de natureza” é uma sanfona pra simbolizar essa guinada para a música brasileira, para o interior do Brasil. E as próximas músicas virão com a mesma pegada e capas com outros instrumentos representativos dessa nova fase. Há algumas músicas prontas, que serão lançadas em breve, e outras sendo gravadas. Estou curtindo esse movimento.
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