Em A Maldição da Mandioca, a escritora paulistana Thaís Vieira de Souza apresenta uma narrativa que combina ficção científica, história e reflexão econômica para investigar os caminhos do Brasil ao longo dos séculos. A trama acompanha Max, um jovem que vive no ano de 3050 e, em meio a crises existenciais, aceita a missão de voltar ao passado para compreender as origens das decisões políticas e econômicas que moldaram o país. Ao revisitar momentos decisivos da história brasileira, a autora propõe uma leitura crítica sobre o imediatismo cultural e convida o leitor a refletir sobre as escolhas que podem redefinir o futuro da nação.
Em A maldição da mandioca, você cria um futuro aparentemente perfeito em 3050, mas ainda assim apresenta um protagonista que sente um profundo vazio existencial. O que te interessava explorar sobre essa contradição entre progresso material e busca por sentido?
Quando falamos do ser humano, a busca por sentido é inevitável; é o que move grandes feitos, como os que vamos desvendar em “A Maldição da Mandioca”. Mesmo que o cenário seja perfeito, apresentar um protagonista que poderia ser qualquer um de nós gera conexão e torna a história interessante. Max nos mostra que, sem um propósito real, o progresso material não preenche vazios existenciais.
A jornada de Max o leva a atravessar diferentes momentos decisivos da história do Brasil. Como surgiu a ideia de usar a viagem no tempo como ferramenta narrativa para discutir questões econômicas e sociais do país?
Era preciso que o protagonista enxergasse a história de um ponto de vista privilegiado, vindo do futuro. Max desvenda o Brasil sob a ótica econômica e acaba surpreendendo-se com o que encontra. A ideia era apresentar dados desconhecidos sobre o país, revelando que nossos problemas atuais são padrões que se repetem. A viagem no tempo mostra que o passado ainda dita o presente.
O livro é definido como uma “ficção econômica”, algo pouco comum na literatura brasileira. Como foi o desafio de transformar conceitos históricos e econômicos em uma narrativa envolvente para o leitor?
Na verdade, este não foi um desafio; foi a melhor parte! Usar a ficção como ferramenta é conceder ao leitor acesso a dados técnicos de maneira leve. Isso traz o público para perto, fazendo com que enxergue, sob novas lentes, o tamanho do potencial do Brasil. E no final das contas, ninguém resiste a uma boa história e, de quebra, ainda revelaremos as engrenagens que ainda travam nossa prosperidade.
Ao longo da história, Max identifica uma cultura de imediatismo que atravessa séculos da história brasileira. O que te levou a refletir sobre esse padrão e como ele influencia as escolhas do país até hoje?
A abundância de recursos naturais e climáticos mais o afluxo de imigrantes gerou um crescimento desordenado que ficou aquém do potencial. Há 500 anos o Brasil possui facilidades que formaram a cultura do imediatismo. Daí vem a “maldição”: a facilidade de colher o que a terra dá, como a mandioca, nos viciou no ganho imediato, sem a necessidade de planejar no longo prazo e estruturar o futuro.

A obra mistura aventura, romance, reflexão histórica e análise econômica. Como você encontrou o equilíbrio entre contar uma boa história e, ao mesmo tempo, provocar reflexões sobre o futuro do Brasil?
Toda boa história precisa conversar com a realidade. No livro, o personagem é real: ele sofre, se apaixona e tem crises familiares, e encontra sentido ao realizar algo muito maior que ele. Toda essa trama é o que humaniza o coração do livro: um plano de crescimento para o Brasil. Ao mergulhar nesta jornada, o leitor percebe que o futuro econômico do país, é resultado das nossas escolhas.
Max começa a história perdido em suas próprias dúvidas e termina tentando propor um novo caminho para o país. De que forma a jornada dele também reflete processos de autodescoberta que muitas pessoas vivem hoje?
De todas as formas! Todo ser humano precisa encontrar sentido para sua vida. A história do nosso protagonista mostra que, apesar das crises e medos, com um pouco de coragem, cada um de nós pode encontrar o real propósito de sua existência. Max troca a inércia pelo protagonismo, provando que qualquer transformação começa pela disposição de assumir o seu papel na história.
Seu livro sugere que compreender as raízes históricas pode nos dar ferramentas para transformar o futuro. Na sua visão, que lições da história brasileira ainda precisamos aprender melhor?
A melhor maneira de resolver problemas antigos é enxergar a história sob uma nova ótica. A partir daí, estaremos prontos para planejar o futuro. Max fez isso de maneira brilhante. O Brasil, por exemplo, ainda não passou pelo ciclo de desenvolvimento educacional; isso nos faria crescer 5% ao ano pelos próximos 25 anos! Poderíamos crescer em muitos outros aspectos se cultivássemos este olhar.
Ao terminar a leitura de A maldição da mandioca, que tipo de reflexão ou questionamento você gostaria que os leitores levassem consigo sobre seu papel individual e coletivo na construção do futuro?
Gostaria que cada um mudasse a visão que possui do Brasil e de sua própria história. Ao longo de nossa trajetória, é verdade que poderíamos ter crescido muito mais, mas ainda temos muitas cartas para jogar! O futuro não é o que simplesmente acontece, mas o que intencionalmente decidimos construir. Precisamos acreditar e, com coragem e determinação, reescrever um final verdadeiramente feliz.
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