No novo livro “Uma aventura a dois”, a autora Thaís Oliveira, conhecida por coautorar “Corajosas”, mergulha nos desafios da adolescência por meio da história de Mabel, uma jovem de 17 anos sufocada pelas expectativas familiares e religiosas. Inspirada em “A Pequena Sereia”, a obra narra a jornada de Mabel em busca de liberdade e autoconhecimento, ao mesmo tempo que aborda temas como identidade, consumo de álcool e relações familiares. Através das próprias experiências, Thaís destaca a importância de manter Deus no centro das decisões, mostrando que mesmo escolhas impulsivas podem levar à redenção.
O que inspirou a criação de Mabel e suas aventuras na trama? Há alguma conexão pessoal entre sua própria juventude e a personagem?
A ideia de escrever a Mabel nasceu após eu apresentar um filme da Disney para a minha irmã mais nova há 10 anos. Enquanto assistíamos, algumas características da Ariel não só chamaram a minha atenção como me fizeram refletir. Notei que, assim como a Pequena Sereia, muitas meninas carregam o desejo de explorar o mundo e por vezes se deixam levar pela impulsividade e emoções, o que as levam a colecionar um coraçãozinho machucado e dores que podem marcá-las para sempre. Eu sabia bem como era difícil agir de um jeito diferente da Ariel, afinal, apenas dois anos antes eu tinha me deixado levar por anseios parecidos e me arriscado em algumas aventuras seguindo o típico lema da adolescência: “Só se vive uma vez”. Aquelas reflexões me acompanharam por alguns dias e logo um desejo fez meu coração queimar: e se eu escrevesse uma história inspirada na Ariel que pudesse ajudar as meninas que nutrissem o mesmo desejo? Pois é, essa história nasceu há 10 anos.
Como você explora a questão da identidade e dos dilemas da adolescência em Uma Aventura a Dois? De que forma esses temas são abordados na história?
Motivada por meu anseio de ajudar meninas, construí uma personagem cheia de dilemas e falhas, que lida com tantos desafios quanto elas. É no dia a dia da Mabel, em meio as aventuras e desventuras, que as leitoras poderão apreender algumas lições preciosas sobre identidade e outras questões essenciais da vida cristã. Mabel cresceu em uma família imperfeita. Algumas atitudes tomadas por seus pais, bem como seu relacionamento superficial com o Senhor, colaboraram para que ela desenvolvesse alguns problemas de identidade. Ela não gosta muito do que vê no espelho, é insegura e se guia muito fácil pela opinião dos outros. Esses e outros problemas surgem na trama.
Mabel enfrenta um conflito entre seguir as regras de sua família e explorar novas experiências. Como você desenvolveu esse conflito e o que ele representa na jornada da personagem?
Embora tenha crescido em um lar cristão, Mabel está numa fase em que ela questiona a fé e tudo que a envolve. Ela está cansada das “regras” e não aguenta mais os pais pegando no pé dela. Quando o pai propõe um acordo para melhorar esse comportamento, Mabel vê ali uma oportunidade para tirar do papel seu maior desejo: alcançar a “liberdade”. A chegada de um vizinho de olhos verdes e sorriso torto ajuda a colocar fogo na fogueira, dando a ela a coragem que precisa para agir. Esse empurrãozinho permite que Mabel explore novas experiências, ela só não sabe o quanto algumas decisões imprudentes podem mudar a vida dela para sempre. A medida em que as leitoras acompanham essas aventuras, podem extrair lições preciosas e amadurecer ao lado da Mabel.
A história faz referências a elementos da cultura pop, como De repente 30 e The Walking Dead. Como essas referências contribuem para a narrativa e o desenvolvimento da personagem principal?
Ao construir a Mabel, prezei por criar uma protagonista que soasse real para as leitoras, uma garota que elas pudessem imaginar encontrando no corredor do colégio. Por isso, ela carrega gostos e hobbies que tantas outras meninas possuem, como o amor por livros e filmes de comédia romântica. A Mabel também ama se expressar por meio de suas músicas e filmes favoritos, por isso, eles sempre aparecem na narrativa, dando a ela mais profundidade e criando uma ponte de conexão com as leitoras.
Qual a importância de mostrar as consequências das decisões impulsivas de Mabel e como isso se alinha com a mensagem cristã do livro?
Como uma leitora assídua de livros juvenis, estou acostumada a ver protagonistas vivendo grandes aventuras e, na maioria das vezes, agindo impulsivamente sem colher quase nenhum fruto de suas escolhas. A vida, no entanto, não é assim. Por isso, na ficção cristã, nos preocupamos em trabalhar os dilemas de nossos personagens à luz das Escrituras, promovendo reflexão e com a ajuda do Espírito Santo, transformação. É isso que busco fazer através da história da Mabel. Convido as leitoras a refletirem sobre muitos dos sentimentos que as invadem, principalmente na adolescência, e as provoco a pensar nas consequências que eles podem trazer. É claro que o livro não é um sermão de domingo. As meninas podem refletir enquanto se divertem e se emocionam.

Como a sua experiência com o ministério Princesas Adoradoras Oficial influenciou a mensagem que você deseja transmitir com esta obra?
O Princesas Adoradoras surgiu ainda na minha adolescência, enquanto o Senhor restaurava minha identidade e me encorajava a compartilhar com outras garotas tudo o que eu estava aprendendo. São mais de 12 anos utilizando a internet para conversar com meninas de todo o Brasil sobre identidade, paternidade divina e vida cristã. Com este ministério, o Senhor me afiou e me preparou para abordar alguns desses temas em Uma aventura a dois. Inclusive, se eu pudesse elencar alguns dos temas que mais aparecem na trama, diria: identidade e paternidade divina. Ao decorrer da minha adolescência e juventude, o Senhor curou feridas em meu coração e me ensinou a me ver como Ele vê. Todas essas lições embasaram o trabalho que realizei com meninas, das mais variadas idades, nos últimos anos, e foram essenciais para a construção da Mabel e suas aventuras.
Mabel se encontra ao cantar louvores publicamente e apoiar uma amiga. Como você vê a relação entre a fé e a descoberta pessoal na vida da jovem?
Durante muitos anos, a fé da Mabel não era dela, mas sim de seus pais. A medida em que ela se aproxima do Senhor, ela passa a conhecê-lo de verdade e constrói um relacionamento sólido com Ele. Esse achegar Aquele que a criou permite que a Mabel finalmente entenda quem ela foi criada para ser e passe a viver os propósitos do céu para ela. Creio que não exista outro meio para se conhecer senão conhecendo Aquele que nos moldou!
O livro lida com questões como consumo excessivo de álcool e relacionamentos complicados. Qual foi a sua abordagem para tratar desses temas sensíveis de forma apropriada para o público jovem?
Procurei trazer estes temas de forma leve na narrativa, para que a obra pudesse ser lida por meninas mais jovens e mais velhas. E de modo intencional. Os temas não estão ali apenas para dar mais “peso” as cenas, mas sim para provocar nas leitoras reflexão. Afinal, elas também ouvem sobre isso nas escolas, redes sociais ou rodinhas de amigos. Tratados à luz do Evangelho, tais discussões podem ajudar as meninas a construírem uma visão mais sólida a respeito do que a Bíblia diz sobre esses dilemas, bem como oportunizar cura para aquelas meninas que já se feriram ao se envolver em um relacionamento amoroso tóxico, por exemplo.
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