A cantora e compositora Sylvestra Bianchi lançou, no dia 3 de março, o single Vibrações do Alto, faixa que marcou mais um passo na construção de sua identidade artística dentro do conceito de Rock Cósmico. Com uma sonoridade leve e envolvente, a música apresentou uma proposta que une espiritualidade, bem-estar e consciência no cotidiano, convidando o ouvinte a desacelerar e se reconectar consigo mesmo. Inspirada em um processo pessoal de conexão espiritual, a canção foi concebida como um mantra acessível, reforçando a busca por equilíbrio emocional e presença em meio à rotina acelerada.
“Vibrações do Alto” surge como um convite à presença e à leveza em meio à rotina acelerada. Em que momento da sua vida você sentiu que precisava transformar esse sentimento em música?
“Vibrações do Alto” nasceu em um momento em que eu senti a necessidade de desacelerar e me reconectar comigo mesma.
Em meio à rotina e aos pensamentos acelerados, percebi o quanto é fácil se desconectar da própria energia e entrar no automático.
Foi nesse espaço de pausa e conexão que a música veio, quase como um chamado interior.
Ela surgiu como um mantra, uma forma de lembrar, a mim e a quem ouvir, que a gente pode escolher viver com mais leveza, presença e consciência, mesmo no meio do dia a dia.
Transformar esse sentimento em música foi muito natural, porque é assim que eu consigo expressar e compartilhar aquilo que vivo.
Você descreve a faixa como um “mantra cantado e alegre”. Como foi o processo de criar uma canção que pudesse funcionar tanto como música quanto como experiência meditativa?
“Vibrações do Alto” surgiu de forma muito intuitiva, como um mantra mesmo. A intenção sempre foi trazer uma sensação de bem-estar e elevação de energia.
A letra não é repetitiva, ela vai trazendo mensagens ao longo da música, mas o instrumental cria essa atmosfera de mantra. O atabaque, o violão e o baixo conduzem a música de uma forma contínua, quase como um fluxo, que ajuda a entrar em um estado mais presente e tranquilo.
É uma música que pode ser ouvida no dia a dia, mas que também cria uma experiência mais meditativa por causa da vibração e da atmosfera sonora.

O conceito de Rock Cósmico parece ser um dos pilares do seu trabalho artístico. Como nasceu essa ideia de unir música, espiritualidade e bem-estar dentro de um mesmo universo sonoro?
Eu criei o estilo musical Rock Cósmico para ter minha liberdade criativa. Minhas composições pedem uma variação de ritmos e estilos para poderem transmitir um estado emocional do que as letras trazem.
O Rock foi o que me motivou a começar esse projeto em 2016, no começo era o estilo predominante, hoje as músicas são um pouco mais leves, por uma necessidade de adequação das temáticas espiritualistas. Hoje o rock entra como sua representatividade: como força, expressão e identidade. E se une a outras sonoridades mais suaves para abrir espaço para a espiritualidade, o bem-estar e a conexão interior.
O Rock Cósmico nasce justamente dessa união, entre intensidade e leveza, entre o humano e o espiritual, criando uma experiência que vai além da música, mas que também toca o sentir e o autoconhecimento.
A sonoridade da música traz elementos orgânicos como percussão, violão e baixo, criando uma atmosfera acolhedora. Como vocês pensaram esses arranjos para transmitir essa sensação de fluidez e conexão?
Os arranjos musicais foram produzidos pelo Leomaristi, que tem uma sensibilidade muito alinhada com aquilo que eu busco transmitir nas composições. Ele entende a intenção da música e traduz isso na atmosfera do instrumental.
Nós não nos prendemos a um estilo fixo, sentimos o que a música pede e deixamos a liberdade criativa conduzir o processo.
Como “Vibrações do Alto” nasceu como um mantra alegre, o instrumental precisava refletir esse estado. A escolha da percussão, do violão e do baixo veio justamente para criar essa sensação de fluidez, acolhimento e conexão, conduzindo quem escuta para um lugar mais leve e presente.

A composição surgiu a partir de um momento de conexão espiritual vivido em 2023. Você poderia contar um pouco mais sobre como essa experiência influenciou a letra e a energia da música?
2023 foi um ano em que eu pausei os lançamentos para me dedicar à composição de uma nova série de músicas. Foi um período em que senti a necessidade de acalmar minha rotina e o meu estado interior, para me conectar mais profundamente com a intuição e com a espiritualidade.
A maioria dessas músicas surgiu ao amanhecer. Muitas vezes eu acordava com letras e melodias já presentes, como um chamado para escrever. Esse estado de conexão costuma vir nos momentos mais silenciosos e tranquilos do dia.
Algumas canções vieram de um processo de canalização, outras de forma mais intuitiva, como uma psicografia. Mas todas nasceram com a mesma intenção: transmitir mensagens que auxiliem no bem-estar, na consciência e no autoconhecimento.
Seu trabalho propõe uma espiritualidade integrada à vida cotidiana, sem necessariamente estar ligada a rituais formais. Como você acredita que a música pode ajudar as pessoas a se reconectarem consigo mesmas no dia a dia?
Eu acredito em uma espiritualidade livre, universalista, que não está presa a uma única forma ou religião. Cada pessoa encontra seu caminho para evoluir.
Hoje, o que muitas pessoas mais precisam é justamente de um momento para parar e olhar para dentro. A rotina acaba afastando a gente desse espaço de escuta interior.
A música entra como uma ponte para esse reencontro. Ela tem o poder de tocar direto no sentir, de acalmar a mente e ajudar a pessoa a se reconectar com ela mesma, sem precisar de um ritual formal.
Muitas vezes, é na simplicidade, como em ouvir uma música, respirar, se permitir sentir, que as respostas começam a aparecer.

Sua trajetória é interessante porque você tem formação em áreas como engenharia civil e administração antes de seguir o caminho da música. Como foi atender a esse chamado artístico e espiritual para transformar sua vida?
A espiritualidade sempre esteve presente na minha vida, mas quando precisei escolher uma formação acadêmica, ainda não via uma profissão que estivesse alinhada aos meus dons e talentos.
Minha primeira formação foi em administração, que é útil em qualquer área. Depois me formei em engenharia civil, uma escolha mais ligada à trajetória da minha família.
Em 2015, tive um chamado espiritual muito claro. Diferentes terapeutas e espiritualistas, cada um dentro do seu trabalho, confirmaram que eu deveria resgatar meus dons artísticos da infância: eu canto desde pequena.
Nesse mesmo período, a música já fazia parte da minha vida como lazer, principalmente através do rock, indo a shows pelo Brasil e pelo mundo.
Iniciar o projeto artístico foi sair completamente da zona de conforto. Eu vinha de uma rotina estruturada, e precisei aprender tudo do zero: produção musical, gravação, lançamentos, técnicas vocais.
A espiritualidade não me trouxe um caminho fácil, mas me trouxe direção. Foi um processo de muito aprendizado, que contribuiu não só para a minha evolução como artista, mas também como pessoa.
Quando alguém ouvir “Vibrações do Alto” pela primeira vez — talvez em um momento difícil ou em meio ao caos do cotidiano — que sensação ou mensagem você espera que essa pessoa leve consigo?
Espero que a pessoa sinta um acolhimento, como se fosse um respiro no meio do caos. Que a música ajude a acalmar a mente e trazer mais leveza para aquele momento.
A intenção é lembrar que é possível transformar o estado interno, mesmo quando o externo está desafiador. Que existe um caminho de mais paz, e que ele começa dentro de cada um.
Se “Vibrações do Alto” conseguir proporcionar esse retorno para si, esse instante de presença e conexão interior, ela já cumpriu o seu propósito.
Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa é de um momento para voltar para dentro e lembrar que a paz sempre esteve ali.

Acompanhe Sylvestra Bianchi no Instagram