Lee Mingu (리 밍구), mais conhecido como SHATEAU, é filho de pais coreanos, nascido em 18 de junho de 1988 em Assunção, Paraguai. Morou em sua terra natal até os 20 anos e veio para o Brasil em 2008, onde morou três anos e trabalhou como sommelier em um bar da capital, São Paulo.
Em 2011, foi para a Coreia do Sul dar continuidade à carreira de sommelier, mas decidiu dar início ao seu sonho, trabalhar com música. Aprendeu sozinho a tocar violão aos 15 anos e comprou um violão ao chegar no país de origem de seus pais, onde iniciou sua carreira profissional como músico, produtor musical e DJ.
Sua carreira de DJ na Coreia do Sul decolou e então ele começou a receber ofertas para trabalhar como produtor, trabalhando principalmente como produtor fantasma para grandes nomes da cena asiática (Coreia do Sul, Japão e China) até 2018.
O artista já passou por vários segmentos, produziu música nos gêneros indie, eletrônica e hip-hop, passou uma temporada no Japão e na China, graças a essas experiências o produtor está atualmente experimentando outros gêneros e subgêneros em seu trabalho.
Em 2019, voltou ao Brasil e assinou contrato como produtor musical com a agência K2B, onde atuou como diretor musical produzindo conteúdo para YouTube com influenciadores como o ídolo SPAX (ex-integrante do BLANC7). A parceria entre os dois deu certo, eles trabalharam juntos em outras músicas durante o período de isolamento social no auge da pandemia de COVID-19 e moraram juntos por três meses durante a estada do ídolo no Brasil.
Esse ano, ele planeja produzir e iniciar colaborações com artistas brasileiros e fazer shows em todo o país. Seu último trabalho é “Can I” em colaboração com o influenciador LEO HA, que foi lançado em dezembro de 2022 no Brasil. Confira a entrevista!
Você nasceu no Paraguai, viveu na Coreia do Sul, no Japão, na China e também no Brasil, e agora está de volta a este país. O que motivou o retorno ao Brasil e quais as principais diferenças que você sentiu em relação ao mercado musical?
Sinceramente não tem muita diferença, claro que tem diferença de cultura, de idioma, de comida, mas não tem muita diferença no contexto geral. Sempre gostei do público e da música brasileira, e também tenho meus amigos no Brasil, para mim é um desafio, em relação ao mercado musical na música em si não tem muita diferença, mas o público aqui no Brasil eu acho que é um dos mais energéticos e positivos em comparação com outros países.
Podemos dizer que o pontapé inicial para sua carreira na indústria musical foi na adolescência, quando aprendeu a tocar violão sozinho. Nesse sentido, podemos imaginar que o interesse pelos instrumentos o fez tornar-se músico, mas como você começou a trabalhar como produtor musical?
Para mim era apenas um hobby criar música, tocar instrumentos, mas com o passar do tempo o hobby continuou sendo um trabalho em si. Comecei a colocar minha música no soundcloud, recebi vários e-mails e DMs para colaborações, alguns contatos queriam me contratar como compositor também, e bem, agora ainda estou no mercado como produtor musical.
Você já trabalhou com diferentes gêneros musicais, como o pop e o rap, para citar alguns. Ainda assim, já manifestou o desejo de testar mais gêneros musicais. Quais seriam os gêneros com os quais você tem interesse em se aventurar profissionalmente que ainda não experimentou?
Não tenho um gênero musical favorito até agora, e gosto de trabalhar com vários gêneros também, mas eu amo bossa nova, amo muito, no final da minha carreira quero produzir várias músicas de bossa nova com língua coreana.

Seu trabalho mais recente, a faixa Can I, conta com a participação vocal do influencer Leo Ha. Como surgiu essa parceria?
No ano de 2018, estive no Brasil em uma empresa chamada K2B, fui produtor e engenheiro musical, como também era uma empresa de youtubers, foi lá que conheci o LEO, tive que fazer cover com artistas da empresa e lá surgiu a ideia de colaboração com ele.
Já não é novidade que os movimentos culturais sul-coreanos estão sendo tendência no mundo todo, atingindo tanto jovens como adultos, como é o caso do k-pop e outras questões. Como você sente que vem sendo o seu reconhecimento nos países pelo qual tem passado e qual foi o momento mais marcante que teve na carreira?
Infelizmente a maior parte da minha música não se caracteriza como K-Pop, é claro que tenho músicas desse gênero que fiz em parceria com o SPAX também, mas minha música é mais baseada em hip hop e pop house, mas ainda assim o público kpopper também me apoia muito e quero agradecer muito a essa galera pelo carinho e acolhimento que tenho recebido. Acho que ainda não chegou meu momento mais marcante, mas quero que seja aqui no Brasil.
Antes de ir para a Coréia do Sul, o seu primeiro trabalho foi como sommelier em um bar na capital de São Paulo e lá acabou que durante um período de tempo continuou na carreira, porém decidiu iniciar na música. Qual foi o sinal que era a hora de tomar esse novo rumo na sua vida?
Às vezes para mudar o rumo da sua carreira ou da sua vida não precisa de sinal, no meu caso foi algo natural, adorava trabalhar como sommelier mas também adorava ouvir música, então para mim acabou acontecendo naturalmente, as coisas foram mudando de rumo organicamente e agora eu estou no mercado da música.

Um fato curioso é que quando a sua carreira de DJ começou a deslanchar, você foi chamado para ser produtor, inclusive trabalhos como ghost producer, no caso onde não se assina suas próprias produções. Por mais que tenha sido esse tipo de trabalho, acredita que ele possa ter trazido maior experiência X reconhecimento no seu currículo?
Trabalhar como GHOST PRODUCER foi uma das razões pelas quais estou trabalhando, ainda estou trabalhando sem assinar alguns projetos. Para mim, o currículo em que lista minha música está posicionada não é muito importante. Cada experiência e cada trabalho para mim são muito valiosos e importantes, valem mais do que ver o meu nome em todos os projetos em que eu trabalho ou na lista de charts e etc.
Quando retornou ao Brasil em 2019, você assinou contrato como produtor musical da Agência K2B, onde atuou na produção de vários youtubers e influenciadores digitais. O que achou de trabalhar com essa nova geração de “artistas da internet” e o que explica o fenômeno que eles têm causado?
Eu sempre separo artistas musicais e influenciadores, claro que tem vezes que influenciadores viram músicos, mas é muito diferente entre músicos e influenciadores. Tenho respeito pelos dois, mas músico é sempre músico, de qualquer forma, foi uma ótima vivência e acredito que a realidade em que estamos vivendo agora acaba gerando uma demanda maior, por isso esse fenômeno. Na K2B a grande maioria dos influencers eram de origem asiática e eles tem bombado muito nas redes sociais desde então, acredito que a ascensão da Hallyu e do K-Pop em si acabaram colaborando direta ou indiretamente para esse fenômeno no caso deles.
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*Com Regina Soares