Shah Onwuka estreia como protagonista em “Dark Arrows” e destaca força feminina no western

Luca Moreira
7 Min Read
Shah Onwuka (Matt Kallish)
Shah Onwuka (Matt Kallish)

A atriz Shah Onwuka dá um passo decisivo em sua carreira ao assumir seu primeiro papel protagonista em Dark Arrows, um western ambientado na Alta Califórnia de 1846 que propõe uma nova perspectiva para o gênero. Interpretando Caroline, uma mulher marcada pela luta pela sobrevivência em um cenário violento, Onwuka constrói uma personagem que vai além do trauma, revelando inteligência, coragem e transformação. Em entrevista, a atriz fala sobre o processo intenso de preparação, a construção emocional da personagem e o significado de dar voz a histórias historicamente silenciadas no cinema.

Dark Arrows marca sua estreia em um papel protagonista. O que mais te atraiu na personagem Caroline e nessa história ambientada em 1846 na Alta Califórnia?

A personagem Caroline me conquistou por causa de seu ar de mistério. Mergulhar em sua origem e no que a move exigiu uma parte de mim mesma. Precisei viajar profundamente pela minha imaginação e pelo mundo da história e, como atriz, sempre que você tem a oportunidade de aceitar um papel no qual pode se perder, você deve aceitar. Existe um presente no fim desse arco-íris. Como alguém nascida em Los Angeles, fiquei muito animada com a ideia de explorar esse gênero ambientado na Alta Califórnia de 1846! Senti que estava me conectando às minhas raízes.

Caroline é uma mulher lutando para sobreviver em um mundo violento e imprevisível. Como você se preparou emocional e fisicamente para interpretar uma jornada tão intensa?

Para me preparar emocional e fisicamente para o peso da história de Caroline, trabalhei de perto com Gregory Berger, um dos meus coaches de atuação de confiança nesse projeto. Trabalhei com a imaginação e mergulhei em uma sequência de “porquês”. A emoção vem das ações, é uma reação ao fato de estarmos nos aproximando ou nos afastando do que queremos. Trabalhei com o texto e com minha própria conexão criativa com a história para entender com clareza o que Caroline queria e o que a motivava. Isso permitiu que meu trabalho fluísse, além de me dar um caminho saudável para sair da personagem e voltar a ser eu mesma.

O filme traz uma nova abordagem para o gênero western ao colocar no centro uma personagem que raramente tem protagonismo. O que esse tipo de representação significa para você como atriz?

Acredito que, se escavarmos nossas histórias e gêneros ao longo do tempo, encontraremos vozes ocultas. E essas vozes estarão nos grupos marginalizados de cada época. Eu venho de uma longa linhagem de mulheres que serviram seus países e comunidades e usaram o que tinham para elevar suas famílias. Para mim, Caroline representa essas mulheres, e com essa voz vem o protagonismo. Como atriz, revelar vozes de uma época em que sentimos que já ouvimos tudo é algo empoderador e emocionante. Tenho muita esperança no futuro da indústria e fico feliz em fazer parte dessa conversa como atriz e cineasta.

Shah Onwuka (Matt Kallish)
Shah Onwuka (Matt Kallish)

A relação entre Caroline e o ladrão recluso está no centro da história. Como foi construir essa dinâmica de confiança e sobrevivência com seu colega de cena?

Como atriz, eu amo brincar de imaginar. No centro de toda narrativa estão os relacionamentos. Nós não assistimos apenas pela trama, nos apaixonamos por histórias que transformam as pessoas e suas relações. Vejo a história de Caroline e James como um tipo de amor que raramente vemos nas telas. Duas pessoas lutando por suas vidas e, ao mesmo tempo, deixando para trás tudo o que as ajudou a sobreviver, para poder acolher alguém que representa o futuro, e não o passado. Eu amo como essa história desafiou minhas próprias expectativas sobre essa relação e me transformou junto com eles.

Sua formação inclui teatro clássico, técnica Meisner e estudos na RADA. Como essas experiências moldaram sua atuação neste projeto?

Ser atriz de cinema/TV e também de teatro molda minha atuação porque o processo de ensaio influencia a liberdade que terei no set. Do Meisner à RADA, uma coisa é certa: minha formação foi rigorosa e me mostrou algo essencial — eu amo o que faço. Eu amo viver esses personagens e vestir os “trajes” de novos mundos e caminhar com eles. Minha formação me transformou em uma atriz resiliente, consciente de que esse é o meu caminho. Atuar é um serviço à humanidade, e neste projeto eu servi à história de uma mulher que abandona o papel de vítima e assume seu poder — um poder capaz de mudar o destino de futuras gerações.

Caroline é retratada não apenas por suas dificuldades, mas também por sua inteligência, coragem e resiliência. Qual foi o maior desafio em equilibrar essas camadas na construção da personagem?

O maior desafio foi lembrar que, em cada cena, Caroline tem o direito de sentir tudo como se fosse a primeira vez. Eu sabia muito sobre ela, mas precisava confiar no trabalho e permanecer em um estado de descoberta, trazendo espontaneidade para sua jornada.

Esse papel já vem sendo visto como um momento marcante na sua carreira. O que você espera que o público sinta ao assistir à sua performance em Dark Arrows?

Obrigada por reconhecer esse momento tão importante na minha carreira. Se esse for o primeiro presente que posso oferecer a quem se conecta com meu trabalho, espero que cada pessoa que assistir a Dark Arrows encontre sua própria Caroline dentro de si. Ou seja, que saia do cinema com um senso renovado de capacidade, fé e clareza — e com coragem para voltar a sonhar. Que sinta que, ao dar o primeiro passo e confiar na magia dos encontros inesperados ao longo do caminho, seus sonhos podem se tornar realidade.

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