Aimee Oliveira

“Recalculando a Rota”: Romance de Aimee Oliveira explora resiliência e amor no subúrbio do Rio de Janeiro

Luca Moreira
12 Min Read
Aimee Oliveira

No subúrbio do Rio de Janeiro, a jovem Vivian luta diariamente por uma vida melhor, enfrentando os desafios da periferia ao lado de sua mãe, avó, irmã e sobrinha. Em meio a essa jornada, a chegada do ex-namorado Vinícius, em recuperação de um acidente de moto, vira seu mundo de cabeça para baixo. Esse é o ponto de partida de “Recalculando a Rota”, o novo romance contemporâneo da premiada autora carioca Aimee Oliveira, publicado pela Plataforma21.

Com uma narrativa repleta de emoções, conflitos do passado e a busca incessante por seus sonhos, Vivian almeja abrir sua própria clínica estética para atender os moradores da periferia. Em um cenário regado a músicas de rap, samba e pagode, a autora, vencedora de dois prêmios Wattys do Wattpad, aborda temas como sororidade, amizade e o fortalecimento dos laços familiares.

“Recalculando a Rota”, com design de capa de Paula Cruz, é uma celebração do espírito resiliente das jovens brasileiras que nunca desistem de seus ideais, mesmo diante dos maiores desafios. Com uma escrita bem-humorada e personagens autênticos, Aimee Oliveira entrega uma história de amadurecimento que promete encantar os leitores.

“Recalculando a Rota” é ambientado no subúrbio do Rio de Janeiro e foca na vida de uma jovem batalhadora. O que te inspirou a criar a personagem Vivian e a ambientar a história neste cenário?

Sempre morei em São Gonçalo e cursei faculdade no Rio de Janeiro. As duas cidades ficam a quarenta minutos de distância uma da outra quando não tem trânsito. O problema é que, no geral, sempre tem trânsito e esse tempo parada no transporte público me fez pensar muita coisa sobre as diferenças de um lugar para o outro e essa foi minha principal inspiração para ambientar “Recalculando a Rota”.

A relação entre Vivian e Vinícius é central para o enredo, especialmente com o tema de “amantes-para-inimigos-para-amantes”. Como foi desenvolver essa dinâmica e o que você queria transmitir com essa segunda chance para o relacionamento deles?

Escrever as interações da Vivian e do Vinícius foi muito divertido, porque apesar de eles terem muitas questões para resolver, claramente ainda existe uma forte atração entre os dois. Além disso, eu queria muito que fosse uma narrativa leve, por isso, enquanto estava escrevendo sempre tentei equilibrar os conflitos com diálogos engraçados e pequenas peculiaridades do relacionamento deles. Minha principal intenção ao desenvolver o enredo entre os dois foi mostrar que as pessoas podem mudar, que a maturidade nos faz entender muita coisa que a gente não conseguia aceitar quando era mais jovem, e que é muito especial quando a gente tem a oportunidade de reconstruir nossas relações a partir desse aprendizado.

Vivian enfrenta muitos desafios típicos da vida na periferia brasileira. Como você equilibra a representação desses desafios com a resiliência e otimismo da personagem?

Acredito que a Vivian está longe de ser a única a tentar equilibrar o trabalho, os estudos, os sonhos e a falta de dinheiro, a inspiração para que ela seja assim vem dos milhões de outros jovens que também estão na correria para conseguir conquistar seu lugar no mundo e que continuam lutando apesar dos muitos pesares que enfrentam. Grande parte dos jovens brasileiros vivem esse tipo de realidade, pelo menos em algum nível, e eu vejo certa poesia nesse malabarismo que a gente faz para conseguir atingir nossos objetivos, por mais louco que eles sejam: querer viver de Literatura no Brasil, por exemplo.

A presença de quatro mulheres fortes na vida de Vivian, eu diria, é um dos destaques do livro. Pode nos contar um pouco mais sobre a importância da sororidade e do apoio feminino na história?

A Casa das Cinco Mulheres, como é chamado no livro, foi um cenário que eu amei construir. Eu queria que fosse um lugar acolhedor e cheio de energia, só não esperava que eu também fosse me sentir abraçada por essa atmosfera. Essas mulheres, cada uma do seu jeito, emanam força, atitude e determinação, o que acaba sendo causa de alguns conflitos ao longo da trama. Em especial na hora em que a avó de Vivian decide acolher Vinícius na casa, indo de encontro com a decisão de Vivian de se manter o mais longe possível do ex-namorado. Presenciar a explosão causada pelo atrito gerado por essas personalidades fortes foi algo muito satisfatório.

A música parece desempenhar um papel importante em “Recalculando a Rota”, com referências a rap, samba e pagode. Como você escolheu essas trilhas sonoras e qual o impacto delas na narrativa? Você montou alguma playlist?

Sim, eu montei uma playlist! Na verdade, sigo montando, porque acho que ela estará eternamente em construção. Gosto de ir adicionando músicas à medida que vou descobrindo coisas novas que combinam com o clima do livro. A música em Recalculando a Rota estabelece o ritmo dos acontecimentos, a atmosfera do bairro e embala a história de amor de Vivian e Vinícius. Não vejo a hora de os leitores curtirem as músicas que escolhi com tanto carinho para construir o mundinho de Recalculando a Rota! E aproveito para mencionar que, além de representar o clima do livro, essa playlist é ótima para dançar ou arrumar a casa. Ou arrumar a casa dançando, que é minha combinação preferida.

Aimee Oliveira
Aimee Oliveira

A abertura de uma clínica estética é o grande sonho de Vivian. O que a motivou a escolher essa profissão para a personagem e como isso reflete os temas de empoderamento e autoestima no livro?

Adoro pensar em profissões que não são muito retratadas nos livros que eu costumo ler, principalmente aquelas que não precisam de curso superior para serem exercidas. Em Recalculando a Rota, a Vivian faz um curso técnico enquanto corre atrás do seu sonho de abrir a clínica. Acredito que esse meu impulso de estar sempre procurando ocupações não tão convencionais vem do fato de que, quando eu estava na escola, as únicas opções de carreiras que me foram apresentadas eram aquelas que envolviam a faculdade. Meu ensino médio foi muito voltado ao desafio que é passar no vestibular, que, admito, não é fácil. No entanto, acredito que o maior desafio mesmo é fazer com que pessoas tão jovens façam uma escolha tão séria quanto a profissão que vão exercer pera o resto de suas vidas no meio da adolescência, que, por si só já é um período difícil, com seus próprios desafios. Gosto muito de escrever sobre esse período após ao ensino médio, em que muitos de nós têm que aprender que é normal a gente ter que recalcular a rota de nossas vidas de vez em quando e que a escolha de uma profissão também faz parte desse processo.

Você já ganhou dois prêmios Wattys e é autora de outros romances como “Ladeira Abaixo”. Como “Recalculando a Rota” se compara com seus trabalhos anteriores em termos de tema e abordagem?

Embora meus livros sejam muito diferentes entre eles, todos eles têm algo em comum: o amadurecimento que somos obrigados a ter na juventude, às vezes contra nossa vontade. Essa transição para a vida adulta tem suas dores e delícias e é justamente sobre elas que eu gosto de falar em meus livros. Isto é, além de escrever casais fofos e peculiares que fazem meu coração palpitar enquanto imagino o que vai acontecer entre eles.

Ganhar o prêmio Wattys em 2015 foi um dos primeiros sinais que tive de que seguir o sonho de ser escritora não era uma completa loucura. Invisível, que foi a obra premiada nesse ano, conquistou mais de 2 milhões e meio de leituras e abriu as portas para que muitos leitores conhecessem minha escrita. Vários deles seguem me lendo desde até hoje, nove anos depois. Isso é mais inacreditável do que eu consigo expressar.

“Recalculando a Rota” traz uma escrita bem-humorada e personagens realistas. Quais são os desafios e recompensas de escrever histórias que refletem a realidade cotidiana de tantas pessoas?

A melhor coisa, de longe, é a identificação que isso gera nas pessoas. Existem coisas que só têm no Brasil, né? Eu tenho muito prazer em falar sobre elas, me diverte. E para mim não tem recompensa melhor do que divertir outras pessoas com essas observações sobre o nosso cotidiano que é tão característica do nosso povo. Eu sempre tento me manter atenta a esses detalhes que nos fazem ser brasileiros, periféricos e jovens e tento passar essa realidade para os meus livros de uma forma leve e engraçada.

Por último, qual é a mensagem principal que você espera que os leitores tirem de “Recalculando a Rota”? E quais são seus próximos projetos literários?

Espero que os leitores deem boas risadas com Recalculando a Rota, além de profundos suspiros com a história de amor, amizade e volta por cima que criei para Vivian, Vinícius e seus amigos do Subúrbio de Subúrbio. Escrever esse livro foi um processo muito alegre e eu espero que essa alegria chegue aos leitores durante a leitura. E enquanto eles leem, eu já vou trabalhando nos meus próximos livros. Ainda não sei qual vou conseguir terminar primeiro, meu processo é um pouco caótico nesse quesito, eu vou escrevendo vários livros ao mesmo tempo até um roubar meu coração de vez. Mas, independentemente de qual livro eu termine, eu torço muito para que a Plataforma21 publique.

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