Mistério cósmico e suspense científico se encontram em Vale do Silêncio – O Enigma do Lago, novo thriller de Eduardo Bega

Luca Moreira
7 Min Read

O inexplicável invade a rotina de uma pequena cidade mineira em Vale do Silêncio – O Enigma do Lago, novo thriller de Eduardo Bega que mistura suspense científico, lendas urbanas e mistério cósmico. Partindo de um fenômeno inquietante — três luzes azuis que mergulham em um lago sem provocar qualquer impacto visível —, o autor constrói uma narrativa ágil e provocativa sobre os limites da razão humana e o fascínio pelo que a ciência ainda não consegue explicar.

O livro parte de um fenômeno misterioso — três luzes azuis mergulhando no lago sem respingar. Qual foi o “gatilho real” que despertou em você a vontade de transformar enigmas científicos em ficção provocativa?

As luzes azuis são “explicadas” em Vale do Silêncio e deixam de ser um fenômeno misterioso — mas isso é apenas o início. Muitas revelações surpreendentes nascem dessa cena, que funciona como um detalhe inicial. O “gatilho real” vem da minha visão muito particular de como percebo o universo que nos envolve: a Terra como um laboratório experimental. Nosso passado cumpre uma agenda alienígena de evolução, e o nosso futuro já está planejado.

Ao combinar mistério cósmico, humor e realismo fantástico, você cria uma atmosfera muito brasileira para temas normalmente tratados com seriedade extrema. Por que era importante para você explorar o desconhecido com leveza e ironia?

Com leveza, sim — mas não com ironia. O humor é parte natural da obra, fruto de situações inesperadas. Como escritor brasileiro, essa atmosfera não poderia ser diferente. Ambientada em Minas Gerais, por causa dos inúmeros casos de avistamento, a história foi concebida como um thriller de revelações surpreendentes e viagens interplanetárias. Não é um artigo técnico sobre extraterrestres: tratá-lo com seriedade extrema tornaria a leitura enfadonha.

Tony, Sarah e Vicente representam três formas diferentes de encarar o inexplicável. Em qual deles você enxerga mais do seu próprio olhar para o mistério?

Na verdade, não me identifico diretamente com Tony, Sarah ou Vicente. O personagem que reflete meu olhar é Raymond, o abduzido. Seu desaparecimento funciona como um mito, já que ele mantém vivo um blog sobre cidades utópicas e viagens interplanetárias. A abdução, nesse sentido, é conveniente: alimenta o mistério e sustenta o suspense. Raymond é, de fato, o meu olhar para o mistério de Vale do Silêncio.

Você cresceu profissionalmente em ambientes tecnológicos e industriais. Em que medida essa vivência molda sua maneira de imaginar fenômenos que desafiam lógica, engenharia e ciência?

Eu olho para uma estrutura colossal e logo fico imaginando como ela foi construída. Vejo aqueles megálitos de Puma Punko na Bolívia (em forma de H) espalhados como se tivessem sido jogados aleatoriamente. Cantos vivos usinados em baixo relevo nas pedras, furos em curva nos cantos. Precisão nos cortes em pedras enormes. Estão lá há 1500 anos para quem quiser ver. É fato, não é ficção. Só quem vem da área tecnológica entende a complexidade desses resultados, que ainda hoje desafiam nossa engenharia.

O livro questiona a aceleração da humanidade — da luz elétrica à ida à Lua — como se estivéssemos sempre correndo atrás de algo que não compreendemos totalmente. Como essa reflexão entrou no processo de escrita?

A evolução acelerada da tecnologia não aparece em Vale do Silêncio de forma explícita, mas está presente nas entrelinhas da narrativa. Assim como diversos pontos da nossa própria evolução natural parecem não se encaixar e sugerem uma possível “intervenção planejada”. É dessa reflexão que nasce o primeiro volume da obra.

A obra toca em temas universais — medo, curiosidade, necessidade de acreditar em algo — mas ambientados em uma pequena cidade de Minas Gerais. O que essa escolha diz sobre a forma brasileira de lidar com mistérios?

A obra se conecta a Minas Gerais pela sua relevância ufológica, pela mineração e pelo suposto interesse alienígena em minerais raros. A curiosidade e o medo surgem de avistamentos reais, filmados e viralizados nas redes sociais. Tony, da área de tecnologia, se impressiona com os vídeos; Sarah não se importa muito, mas tem seus motivos; e Vicente Martins, repórter em crise profissional, é levado ao centro dos acontecimentos quase como punição. A cidade vive um clima turístico de tema alien — algo muito brasileiro.

O humor aparece como um “alívio científico” diante do extraordinário. Para você, rir do inexplicável é também uma forma de enfrentá-lo?

O humor é intrínseco à obra, não há como separá-lo. Ele nasce de uma visão muito particular de como percebo o universo, mas não se manifesta em piadas ou sátiras. Surge das situações inesperadas, como a relação tóxica entre o chefe da redação e o repórter Vicente Martins, em que a busca pela audiência a qualquer custo gera momentos engraçados e cotidianos.

Depois de décadas trabalhando com raciocínio lógico e sistemas, o que você descobriu sobre si mesmo ao se permitir escrever uma ficção que abraça o improvável?

Escrever Vale do Silêncio foi quase um chamado. A obra nasceu em cerca de quatro meses, como se quisesse sair de mim, impulsionado pelo desejo de compartilhar essa visão com outras pessoas. Alguns amigos chegaram a perguntar se o Planeta Mirax realmente existia, porque a narrativa impressiona e parece possível. Não há relação direta com minhas décadas de trabalho em raciocínio lógico: trata-se de uma ficção que abraça uma realidade muito provável. E, nesse processo, descobri que há muitos elos perdidos na evolução do nosso planeta.

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