Miguel Rodrigues fala sobre abordagem LGBTQUIA+ no cinema brasileiro

Luca Moreira
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Miguel Rodrigues

Miguel Rodrigues é um dos grandes nomes do audiovisual, conhecido como criador, diretor e realizador. Com novelas de sucesso como “Kubanacan”, “Senhora do Destino”, “Duas Caras” e outras, ele agora deixa sua marca na sétima arte. Em 2023, estreou o filme “Stand Up – Minha Vida É Uma Piada”, contando com nomes como Carol Castro e Marco Luque no elenco. Recentemente, lançou “Love In Quarantine”, uma comédia romântica inteiramente gravada durante a quarentena.

Seu mais recente projeto foi também um dos maiores desafios. Apesar do elenco reduzido, com grandes nomes como Fafy Siqueira, Gabi Spaciari, Caroline Correa e David Wendefilm, filmar durante a pandemia foi um desafio único.

“Love In Quarantine” trata dos relacionamentos homo e heteroafetivos e seus desafios durante a quarentena. O filme foi exibido na mostra especial “em cartaz” no Cine Bijou e na Tela Cine Fronteiras. Com o roteiro em inglês, passará por um processo de dublagem antes de ser distribuído amplamente no Brasil.

Além de “Love In Quarantine”, Miguel tem marcado sua transição para o cinema com vários outros lançamentos. Em novembro de 2023, estreou “Stand Up – Minha Vida É Uma Piada”, uma comédia dramática estrelada por Carol Castro e Marco Luque, que será exibida no Telecine após o lançamento nos cinemas.

Explorando também o universo dos streamings, lançou ” #PartiuFama”, uma comédia teen com Augusto Madeira, Thomaz Costa e outros, disponível na HBOMax. Além disso, está atualmente produzindo três novos longas.

Miguel não se limita ao cinema. Ele lidera o evento cultural “Monólogos de Quinta” uma vez por mês no Bar Retrô na Pompéia, apresentando monólogos envolventes, música ao vivo e jogos de improvisação. Como sócio da produtora Take a Take, está em processo de produção da série de 4 episódios “Entre Abismos”, prometendo mais um grande projeto até o fim do ano.

Inspirado por Scorsese, Felini, Win Wender, David Lynch, Steven Spielberg, Tarantino, Stanley Kubrick e outros grandes nomes, Rodrigues busca criar um estilo cada vez mais singular. Grandes projetos ainda estão por vir no próximo ano.

Como foi a experiência de dirigir um filme que aborda os relacionamentos homo e heteroafetivos durante a pandemia?

Acho que dirigir romances, que tocam as pessoas e falar sobre relacionamento é lindo, pois faz parte da nossa natureza, seja qualquer um tipo, pois o que importa é o amor. Mas foi lindo dirigir estas duas atrizes maravilhosas que fizeram este lindo casal do filme.

Quais foram os principais desafios enfrentados durante a produção de “Love In Quarantine”?

Falta de recursos e o medo da pandemia, pois não tinha vacina e nem testes ainda disponíveis, então o cuidado era grande, mas ao mesmo tempo precisávamos rodar o filme, algumas locações de rua caíram pelas normativas do governo do estado e mesmo com autorização não podíamos filmar lá, então tínhamos que improvisar. Mas com muita fé em Deus e vontade de fazer cinema, deu tudo certo e ninguém ficou doente.

Em meio aos desafios causados pela pandemia, houve alguma situação inusitada ou engraçada que ocorreu durante as gravações?

Muitas situações, a atriz Caroline Correa estava vindo de Los Angeles para o Brasil e não podíamos alterar datas pois se acontecesse qualquer atraso, tudo mudaria, estávamos indo para locação quando descobrimos das normativas que impossibilitava filmagem no Minhocão, tive que sair de bicicleta antes da equipe para descobrir onde poderia ser a cena de reencontro do casal para chamar todos enquanto esperavam na rua, mas deu tudo certo.

“Love In Quarantine” traz um elenco diversificado e talentoso. Como foi trabalhar com artistas como Fafy Siqueira, Gabi Spaciari, Caroline Corrêa e David Wendefilm?

Foi incrível, Gaby é uma talentosa atriz e muito preparada para câmera e organizada nas repetições, na continuidade e emotiva com muita técnica. Já a Caroline Correa nas cenas mais dramáticas foi sempre muito intuitiva e explosiva como um furacão, cada take, cada plano ela fazia algo diferente, marcas diferentes, eu a deixava livre para render o máximo possível. Fafy Siqueira maravilhosa, disponível, um talento sempre aberto às possibilidades, criativa e muito gentil, com toda sua experiência na área foi divertido e o David um grande ator e uma pessoa muito educada, sempre a fim de fazer o melhor e todos sempre muito a fim de se entregar.

O filme aborda a história de Alex, interpretada por Gaby Spaciari, uma artista plástica que se vê confinada em São Paulo com o ex-namorado de sua esposa. Como você descreveria o desenrolar dessa trama e as situações que surgem daí?

Imagina ela super organizada em todos os sentidos, vê na mesma casa um gringo louco, despirocado que só faz lambança e ela não pode expulsá-lo. Quando entra a personagem da Fafy, a dona Odete, com sua máscara que cobre a cabeça inteira, não fala inglês e acha que o Gringo é o tão sonhado namorado da filha. A mulher no outro lado do mundo sem poder voltar, ela se vê em um furacão de emoções.

Miguel Rodrigues

Considerando sua trajetória tanto na TV quanto no cinema, quais são as principais diferenças e semelhanças que você enxerga entre os dois meios?

Uma obra fechada, outra obra aberta, tempo de produção, ritmo de entrega e principalmente o cuidado que você tem no cinema acaba sendo maior pelo tempo e por saber que vai para uma tela grande, muda a perspectiva.

Você é conhecido por trabalhar em projetos que exploram diferentes aspectos da cultura e da sociedade. Como acredita que “Love In Quarantine” vai impactar o público em relação às questões dos relacionamentos durante a pandemia?

Acho que a pandemia afetou muitos casais, as pessoas tiveram que conviver mais de perto, toda família todo dia juntos, alguns souberam tirar proveito, outros não aguentaram a pressão e se separaram. O filme deixa bem claro como é difícil amar e colocar regras em um relacionamento e que todo mundo pode errar e que perdoar uma traição é um amor maior.

Além da direção de filmes, você lidera o evento “Monólogos de Quinta”. Como essa experiência contribui para sua carreira e influencia seu trabalho como cineasta?

Minha carreira começou no teatro como ator, Monólogos de Quinta é um resgate de uma parte disso, é um lugar para receber amigos e poder colocar para fora na boca dos personagens que faço, algo que eu queira falar ou criticar de uma forma divertida e lúdica. Este projeto foi criado com a intenção de ter um espaço em São Paulo, onde você associa arte, entretenimento, música e acting e claro drinks especiais. Dia 14 de dezembro teremos nossa última sessão do ano, despedida 2023.

Quais são os próximos projetos em que você está trabalhando? Pode nos dar alguma prévia ou detalhe sobre o que está por vir?

Estou finalizando a série chamada “Entre Abismos”, de 04 episódios, que também quero fazer um corte para um filme de longa-metragem. Tenho convite da produtora Patrícia Chamon para um longa lindo chamado “Cartas Para Deus”, que é um dos projetos que mais me dá orgulho de ser convidado, pois sou muito crente em Deus e agradecido por este convite. Entre diversos outros projetos.

Durante sua trajetória, você foi parte de várias novelas renomadas. Como essa experiência na TV influencia seu trabalho na direção de filmes?

Acho que o mais interessante é a prática de dirigir muitas cenas todos dias e isso te dá ferramentas para resolver e achar soluções rápidas e eficazes para aquele problema.

Para finalizar, qual é a mensagem principal que você espera que o público leve após assistir a “Love In Quarantine”?

Que o amor não tem regras, que cada um faz suas próprias regras e que o perdão é um dos requisitos para um casal sobreviver, seja ele hétero ou homofetivo.

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