Miguel Ângelo comenta experiência de trabalhar pela primeira vez em novela através de “A Infância de Romeu e Julieta”

Luca Moreira
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Miguel Ângelo (Jordan Vilas)

Miguel Ângelo, ator mirim de destaque na novela ‘A Infância de Romeu e Julieta’, desempenha o papel de Romeu Monteiro, filho de Vera (interpretada por Bianca Rinaldi) e Bernardo (interpretado por Fábio Ventura). O jovem ator, proveniente da Cidade de Deus, uma favela na periferia do Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo com sua mãe, Vânia Regina da Silva, para viver seu primeiro protagonista na televisão aberta. Com apenas 12 anos, ele reconhece a responsabilidade que carrega e se torna uma inspiração para outras crianças negras que buscam oportunidades semelhantes.

Na trama de ‘A Infância de Romeu e Julieta’, Romeu faz parte da abastada e poderosa família Monteiro, que reside no luxuoso condomínio Residencial Verona, construído por seu avô, Leandro Monteiro, no lado Torre do bairro Castanheira. Esse contexto permite que a dramaturgia explore reflexões sobre conceitos e oportunidades para as próximas gerações.

Assim como seu personagem, Miguel Ângelo é apaixonado por esportes e aventuras. Ambos compartilham a determinação em alcançar seus objetivos, sem temer desafios. Em meio à trama, Romeu se encanta por Julieta, residente de um sobrado antigo na Vila, pertencente à família Campos, inimiga dos Monteiro. A história reflete a rivalidade entre as famílias e os obstáculos enfrentados pelo casal. Para se preparar para o papel, Miguel Ângelo precisou aprender tênis, um esporte diferente de suas preferências, como o futebol e o basquete.

Apesar de sua pouca idade, Miguel Ângelo já possui uma trajetória consolidada no mundo artístico. Seus primeiros passos foram dados em 2014, na série ‘O Caçador’, e desde então, participou de diferentes produções, como o curta ‘O Nosso Legado’, exibido pela ONU em Nova York, e o filme ‘Barba, Cabelo e Bigode’, na Netflix, em 2022. Além disso, atuou na série da Netflix ‘Candelária’, ainda inédita. No teatro, Miguel esteve em ‘O Mágico de OZ’ e na peça ‘O Amor Como Revolução’, baseada no livro homônimo do pastor Henrique Vieira, sob a direção de Rodrigo França e coprodução de Lázaro Ramos.

Ao longo de sua carreira, o jovem participou de diversos curtas-metragens e clipes musicais, como ‘Mais Jovem, Mais Bela, Mais Linda’, de Thiago Martins, e colaborou com o álbum ‘Proteja os Seus Sonhos’, de Conceição Evaristo. Sua atual experiência no SBT tem sido gratificante, e ele comemorou a aprovação no teste no dia de São Cosme e Damião junto à sua família. Reconhecido por seu talento, Miguel ganhou o Prêmio Jovem Brasileiro na categoria Jovem do Futuro e foi indicado ao Prêmio Noticiasdetv.com e ao 1º Prêmio ArteBlitz de Novela, onde concorre como Melhor Ator Revelação.

Sua jornada inspiradora destaca-se em meio a desafios enfrentados por um menino negro, de origem humilde na periferia, criado por uma mãe solo. Seu êxito e o espaço que conquistou na arte tornam-no uma figura relevante para as novas gerações.

Como foi para você interpretar Romeu Monteiro na novela “A Infância de Romeu e Julieta” e quais foram as principais inspirações para dar vida a esse personagem?

Para mim está sendo uma grande experiência viver este personagem tão querido. Minha principal inspiração é o Lázaro Ramos, por conseguir viver vários personagens com excelência, da comédia ao drama.

Como foi a sua preparação para o papel de Romeu, que envolveu aprender a praticar um esporte de elite como o tênis?

A preparação requer muito estudo e dedicação. Às vezes, isso implica em deixar de estar com os amigos em festas, de me divertir… Está sendo esplêndida esta experiência de aprender a jogar tênis! Até mesmo porque é um esporte que poucos têm a oportunidade de aprender.

Você mencionou a importância de representar personagens que gerem reflexão sobre conceitos e chances para as próximas gerações. Como você espera que a sua atuação influencie o público mais jovem?

Mostrando que somos uma grande potência e que só precisamos de oportunidades para gerar mais. É UBUNTU: ‘Eu sou porque nós somos’.

Miguel Ângelo (Jordan Vilas)

Com uma carreira já diversificada no cinema, televisão e teatro, quais foram os desafios mais marcantes que enfrentou até agora como ator mirim?

Mudar para outro estado, gravar todos os dias com um volume grande de cenas, pois os outros trabalhos eram no máximo quatro vezes na semana. Mas estou amando esta experiência, pois está me trazendo outra bagagem: de amadurecimento.

Sendo reconhecido por premiações como o Prêmio Jovem Brasileiro e o Prêmio ArteBlitz de Novela, como você se sente diante desse reconhecimento e qual é o significado desses prêmios para você?

O Prêmio Jovem foi uma experiência incrível, porque este é meu primeiro trabalho em novela. Receber o prêmio mostra que estão mudando os conceitos sobre o futuro. Mais pessoas como eu estarão neste lugar. E sobre os outros prêmios em que fui indicado, penso que estão reconhecendo o meu trabalho, estão gostando do que estou fazendo. Então, me sinto muito lisonjeado só pelo fato de estar participando.

Como você vê o seu papel como referência para outras crianças negras que buscam oportunidades no mundo do entretenimento?

Vejo e entendo que não é fácil, pois comecei aos quatro anos de idade. Sonhos foram feitos para serem realizados, projetos para serem executados. Foca nos estudos, nos objetivos, e vai! Lembrando sempre: tenha seu alicerce como base para tudo, a família.

Miguel Ângelo (Jordan Vilas)

Como foi para você como ator, explorar a complexidade de um personagem que se apaixona por alguém de uma família rival, tal como a história de Romeu e Julieta de Shakespeare?

Está sendo bem divertido, pois entre Romeu e Julieta, não há esta rivalidade. Muito pelo contrário, eles tentam de todas as formas unir as famílias.

Em meio a uma trajetória artística repleta de conquistas, qual momento ou papel você considera o mais marcante até agora em sua carreira?

Viver o Romeu Monteiro está sendo uma conquista e uma experiência muito marcante, até porque foge totalmente do estereótipo de uma família negra que estávamos acostumados a ver na TV.

Você mencionou a sua identificação com o personagem Romeu em termos de gostos esportivos. Como essas semelhanças ajudaram na construção desse papel?

Ele é bem competitivo, e eu também sou muito. Ele é desbravador, amigo, carinhoso, leal. Então, eu não tinha muita coisa para acrescentar. Em algumas cenas, eu empresto o Miguel para ele. Aí, fazemos esta troca.

Além de atuar, você esteve presente em clipes, curtas-metragens e projetos musicais. Como essas experiências contribuíram para a sua formação como artista e influenciaram o seu trabalho como ator na televisão?

O teatro me preparou para os improvisos. Os clipes me prepararam para saber me posicionar para a câmera na hora de gravar. E tudo que está ligado à arte, eu amo!

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