Matt Doherty leva sátira caótica sobre conspirações ao JDIFF com Failed State

Luca Moreira
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Matt Doherty
Matt Doherty

Selecionado para o Julien Dubuque International Film Festival (JDIFF), Failed State, do cineasta e ator Matt Doherty, mistura conspirações, cultura pop e humor caótico para refletir sobre um mundo onde até a verdade parece instável. Em entrevista, o diretor fala sobre a origem do projeto durante a pandemia, os desafios do cinema independente e como o filme transforma o absurdo contemporâneo em sátira e catarse.

Failed State começa com uma premissa extremamente caótica e engraçada, misturando conspiração, televisão, CIA e Hollywood. Como surgiu essa ideia e o que te atraiu nela como cineasta?

A ideia surgiu de um sentimento coletivo muito forte durante a pandemia e as paralisações na indústria. Estávamos exaustos, muitos de nós envolvidos em movimentos de greve, e havia também uma indignação moral no ar. Ao mesmo tempo, vivíamos um momento em que teorias da conspiração passaram a fazer parte do cotidiano — pessoas acreditando em coisas absurdas. Isso me fez perceber que essas narrativas sempre foram a base dos thrillers de Hollywood. Então pensei: e se eu invertesse isso e colocasse um espelho na frente da realidade?

O filme brinca com paranoia, poder e cultura pop, mas sempre através de uma lente cômica. Como você encontrou o tom certo para equilibrar o absurdo e a narrativa?

Usamos o que eu chamo de “comédia punk rock”. É como um tempero: você pega algo familiar e adiciona intensidade. O filme é uma espécie de autorretrato de nós mesmos em conflito com a nossa própria percepção da verdade. É caótico e confuso, mas também engraçado — pelo menos na maior parte do tempo.

Matt Doherty
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Como diretor e produtor, como você trabalhou para transformar um conceito tão ousado em uma experiência coesa e envolvente para o público?

O objetivo sempre foi equilibrar a ideia com entretenimento. O filme questiona quem são os heróis hoje, quem realmente merece nossa torcida em meio ao caos. Existe essa necessidade humana de encontrar alguém com princípios claros — mas será que isso ainda é possível? Trabalhei para que essas reflexões estivessem presentes sem perder o ritmo e o envolvimento do público.

Há algo muito oportuno na ideia de uma “realidade alternativa” afetando o equilíbrio global de poder. Você acha que o humor do filme também funciona como um comentário sobre o mundo contemporâneo?

Com certeza. Vivemos um momento em que até a verdade parece instável. O humor do filme surge justamente desse cenário — ele reflete esse caos e, ao mesmo tempo, permite que a gente ria dele. Existe uma espécie de catarse nisso, uma forma de lidar com esse mundo confuso.

Matt Doherty
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Sua jornada começou diante das câmeras quando criança, e agora você retorna em uma posição de liderança criativa. O que este momento representa para você artisticamente?

Comecei como ator mirim, mas percebi que minha paixão estava em escrever e dirigir. Para mim, fazer cinema é liderar um grupo de pessoas em uma jornada coletiva. Também venho da música e da improvisação, então valorizo muito esse processo colaborativo e criativo. Este momento representa justamente isso: poder criar algo do meu jeito, com uma equipe em que confio.

Já que esta é a estreia mundial, o que mais te anima em finalmente apresentar Failed State ao público e ver como as pessoas reagem a este universo?

Espero que o filme inspire as pessoas a criarem. Que elas parem de esperar pelo momento perfeito, pelo equipamento ideal. Nós mesmos gravamos com iPhone e lidamos com muitas limitações. Mas no final, o mais importante é fazer algo com verdade. E também espero que o público possa rir junto desse momento estranho que estamos vivendo.

O filme integra a programação do Julien Dubuque International Film Festival (JDIFF), conhecido por valorizar o cinema independente. O que essa seleção representa para você?

Para cineastas independentes de verdade, sem grandes estruturas de marketing, o JDIFF é um dos melhores ambientes possíveis. É uma comunidade que realmente valoriza e apoia quem está criando de forma independente. Isso significa muito para mim e reforça minha vontade de continuar fazendo filmes.

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