Lavínia fala sobre lançamento do álbum “No Meu Umbigo” e sua origem com Caetano Veloso

Luca Moreira
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Lavínia (Matheus de Jesus)
Lavínia (Matheus de Jesus)

Em “No Meu Umbigo”, Lavínia, uma talentosa cantora, compositora e atriz baiana, nos oferece uma jornada musical rica em diversidade rítmica e sonora, refletindo suas profundas raízes na Bahia e suas experiências no teatro. Este álbum de estreia não é apenas uma celebração do amor e das memórias, mas também uma ode à colaboração criativa, contando com a participação de figuras icônicas da música brasileira como Otto, Manoel Cordeiro e Edil Pacheco, além de talentos emergentes em cada faixa.

O título do seu álbum de estreia, “No Meu Umbigo”, tem uma origem especial, graças a uma sugestão de Caetano Veloso. Como foi esse momento de inspiração e qual é o significado desse título para você?

Caetano escutou uma faixa em que cito Estranho Amor no dia em que nos conhecemos em um réveillon na sua casa na Bahia. Ouviu com toda atenção e ao término sugeriu o nome “No Meu Umbigo”. Na hora eu soube que não haveria título melhor para meu álbum de estreia. Afinal, esse nome me remete ao nascimento. E a concepção desse disco foi um longo processo. Muito íntimo, intenso e que exigiu de mim paciência. Realmente foi um parto musical. Caetano sabe das coisas.

O álbum “No Meu Umbigo” é descrito como um passeio por ritmos e sonoridades diversas. Quais foram as principais influências musicais que ajudaram a moldar o som deste trabalho?

Eu sou apaixonada pela riqueza musical do nosso país. E sou bem eclética: O sol do Nordeste, Gonzaga, balanço do xote, Rita Lee, Tom Zé, o canto de Gal, a poesia de Caetano, a delicadeza da Bossa Nova… tudo isso me toca demais e por isso se reflete de forma natural em minha voz e no meu jeito de ser e de compor.

Você menciona que a obra é essencialmente feminina, refletindo suas próprias experiências como mulher. Como sua perspectiva feminina influenciou as letras e as mensagens do álbum?

Sou uma mulher que busca cada dia ser mais livre, mais autêntica, mais verdadeira com meus sentimentos e com o sentir do outro. As composições formam um mosaico de quem fui, de quem sou, do que vivi e do que busco viver.

Lavínia (Matheus de Jesus)
Lavínia (Matheus de Jesus)

Além de cantora, você também é atriz. Como sua experiência no teatro contribuiu para a produção e interpretação das músicas em “No Meu Umbigo”?

Acredito que a arte me possibilita experimentar todas as minhas versões, é um portal de autoconhecimento poderoso. Então interpretando ou compondo encontro partes muito genuínas minhas. O palco para mim é templo, chão sagrado.

O álbum conta com a participação especial de vários artistas talentosos, como Otto, Manoel Cordeiro e Beto Barreto. Como essas colaborações enriqueceram o processo criativo e a diversidade do álbum?

Acredito numa arte coletiva, tecida por gente diversa, que, quando junta agrega, soma. Todos os convidados que estão no disco trouxeram contribuições essenciais para esse resultado tão colorido e cheio de nuances de No Meu Umbigo. Em uma era tão digital, foi ótimo trazer esse coletivo para perto, fez do estúdio uma verdadeira festa.

“Conselho” é uma das faixas do álbum que fala sobre relações tóxicas e a força feminina. Qual foi a inspiração por trás dessa música e qual mensagem você espera transmitir para seus ouvintes?

A inspiração mais especificamente foi uma amiga muito próxima que estava vivendo uma relação tóxica e não havia se dado conta, embora estivesse se sentindo triste naquele lugar. Na verdade, a mensagem é um lembrete de amor para toda mulher. Sem perceber acontece de, em algum momento da vida, a gente viver relacionamentos que, em vez de nos ampliar, nos encolhe.

Lavínia (Matheus de Jesus)
Lavínia (Matheus de Jesus)

“Venha Pra Bahia” é uma faixa que faz referência ao seu avô, França Teixeira, um comunicador tropicalista. Como a herança familiar e a cultura baiana influenciaram a composição dessa música e do álbum como um todo?

Meu avô foi um pioneiro da comunicação entre as décadas de 1960 e 1980, criando jargões, abrindo rádio e TV para a participação popular ao vivo, realizando entrevistas inesquecíveis com personalidades brasileiras, fazendo o primeiro talk show do Brasil. Enfim, ele é minha grande inspiração. E isso, agregado a toda a vivência em Salvador, minha terra, e nas minhas férias em Itaparica e no Recôncavo Baiano, a convivência com as pessoas desses lugares, a história de toda essa gente tão bonita, fui formando o meu repertório que se reflete na minha arte, com certeza.

Você menciona que “Hotel Solar” é uma declaração de amor à sua cidade natal, Salvador. Qual é a relação entre a cidade e a sua música, e como você espera que essa faixa ressoe com seus ouvintes?

“Hotel Solar” fala dos bairros de Salvador, dos lugares que a gente percorre naturalmente dentro daquela cidade que tanto amo e que encanta a todo mundo que chega lá. É mágica, não tem como explicar racionalmente Salvador. Precisa sentir.

O álbum encerra com “Pinta Um Baião”, uma música que evoca suas lembranças do Recôncavo Baiano e traz elementos eletrônicos. Como essa faixa reflete suas raízes e sua visão para o futuro da música?

A música é uma viagem. Uma verdadeira viagem às minhas origens, à roça que passava as férias da minha infância, da minha adolescência. Terra linda, onde me sinto muito livre, onde minha essência ecoa, onde me sinto mais eu. Pinta um Baião é uma parceria minha com Otto e traz muitos elementos percussivos, que eu amo e pretendo explorar ainda mais em trabalhos futuros.

“Mon Amour” é descrita como uma faixa divertida, com uma dose de humor e amor. Como você equilibra temas mais leves e lúdicos com as mensagens mais profundas que permeiam o álbum?

Não componho com intenção. Em geral, flui. E essa canção veio por uma brincadeira, um pensamento que me levou para esse lugar. Do ser leve sobre algo que para outra pessoa poderia ser um incômodo. Enfim, componho na primeira pessoa, e deixo que meu mood do dia flua para onde quiser me levar.

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