Ketlin Groisman

Ketlin Groisman: Da superação pessoal ao rompimento de tabus

Luca Moreira
16 Min Read
Ketlin Groisman

Ketlin Groisman, uma influenciadora digital, compartilhou recentemente sua jornada pessoal, revelando aspectos íntimos de sua vida que desafiam estereótipos e preconceitos enraizados. Desde sua mudança de Brasília para o Rio Grande do Sul aos sete anos até as decisões impactantes tomadas após a perda do pai aos 12 anos, Ketlin abriu o coração sobre as dificuldades enfrentadas e as escolhas que moldaram sua trajetória. Em uma entrevista franca, ela discutiu como a abertura de uma conta no OnlyFans para custear despesas veterinárias de seu cachorro foi um ponto de virada, levando-a a superar a depressão e a repensar sua visão de vida. Essa mudança não veio sem desafios, enfrentando o estigma e o julgamento associados ao trabalho no mercado sensual.

No entanto, Ketlin defende sua profissão com firmeza, destacando a diferença entre vender imagens e vender o corpo, enquanto desafia as percepções conservadoras. Sua história também aborda questões de segurança online e enfrentamento do assédio nas redes sociais, oferecendo uma visão valiosa sobre os altos e baixos da vida como influenciadora digital.

Como foi mudar de Brasília para o Rio Grande do Sul aos sete anos?

Então, eu saí de Brasília com sete anos. Meus pais tinham uma clínica de quiropraxia lá, onde também davam cursos na área de estética. Eu tinha uma vida muito estabelecida, pois já tinha minhas amizades, meu colégio, conhecia todo mundo. Essa fase foi bem difícil para mim, porque eu não conhecia ninguém no Rio Grande do Sul. Nós nos mudamos porque minha família, por parte de mãe, era daqui, e minha mãe queria ficar mais próxima da família. Foi difícil para mim porque eu não conhecia ninguém, além dos meus parentes. Fazer novas amizades na escola foi um desafio.

Perder seu pai aos 12 anos deve ter sido muito difícil. Como isso influenciou sua vida e decisões?

Eu perdi meu pai quando tinha 12 anos. Comigo moravam meu pai, minha mãe e a mãe dele. Quando meu pai morreu, ficaram minha mãe e minha avó. Minha avó acabou morrendo cinco anos depois dele. Isso me impactou muito, porque eu me senti meio sozinho. Minha mãe tinha que trabalhar, e eu, com 12 anos, fui cuidar da minha avó, que tinha 98 anos. Tive que cuidar dela sozinha, então perdi um pouco da minha infância. Eu cuidava da minha avó enquanto minha mãe trabalhava, porque minha avó não podia ficar sozinha. Comecei a amadurecer muito cedo e a pensar no futuro que eu queria ter. Não tive aquela parte da infância de fazer coisas só de criança. Eu pensava muito no que precisava ser e ter para mudar de vida, porque, quando meu pai morreu, passamos por muita necessidade financeira. Meu pai era quem sustentava a casa praticamente, então esse período foi bem difícil para nós.

Abrir um OnlyFans para custear despesas veterinárias do seu cachorro foi uma escolha desafiadora. Como você se sentiu e qual foi a reação das pessoas?

Em 2022, se eu não me engano, eu tinha um cachorro chamado Max. Peguei esse cachorro logo quando meu pai morreu, em 2010. Ele era muito especial para mim e eu fazia de tudo por ele. Porém, ele começou a ficar muito mal e eu não tinha dinheiro para pagar o veterinário. Quando o levei ao veterinário, me disseram que o tratamento dele começaria a partir de R$ 3.000. Ele estava com problema no fígado e precisava de soro, transfusão de sangue e internação, mas eu não tinha esse dinheiro.

Na época, eu já fazia algumas fotos sensuais com amigos fotógrafos, só para ter. Pensei então: por que não abrir uma conta na plataforma? Muita gente já me pedia isso naquela época. Foi uma decisão difícil, porque eu tinha um certo preconceito com isso e não vivia fazendo esse tipo de trabalho. Eu estava na faculdade e foi complicado encarar o preconceito das pessoas. Eu realmente não queria fazer isso, mas acabou sendo a melhor decisão que tomei.

Acredito que a plataforma mudou a vida das pessoas, porque consegui custear o tratamento dele. Infelizmente, ele morreu, mas fiz tudo que pude por ele.

Ketlin Groisman
Ketlin Groisman

Você mencionou que vender conteúdo adulto a ajudou a superar a depressão. Pode falar mais sobre como isso mudou sua visão de vida?

Meu cachorro ficou doente e eu fiquei muito deprimida. Sempre me preocupei muito com meu futuro, desde os meus 12 anos, quando meu pai morreu. Eu não via muita saída do que fazer. Estava na faculdade, que ia demorar cinco anos para me formar, e o estágio não pagava muito. Já tinha trabalhado em outros lugares antes da faculdade. Fui estagiária de educação física e trabalhei numa loja de roupas, mas não conseguia me sustentar. Ganhar R$ 450 por mês trabalhando 12 horas por dia era impossível para mim.

Entrei na faculdade, que era de período integral, e não tinha como trabalhar. Mesmo depois de me formar, sabia que um estágio não pagaria bem. A virada de conteúdo para mim foi muito grande e impactou muito a minha vida. No começo, tive que lidar com muito preconceito, principalmente comigo mesma, por expor a minha vida na internet dessa maneira.

Falei com a minha mãe e ela aceitou super tranquilamente, mas para mim foi difícil no início. Mudou muito meu jeito de viver a vida. Pensei: nossa, tem como fazer as coisas de um jeito diferente. A gente não precisa se prender só à faculdade e às coisas que o pessoal está acostumado, às coisas tradicionais. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida.

Muitos ainda têm uma visão conservadora sobre o trabalho no mercado sensual. Qual sua opinião sobre essa percepção?

Muita gente confunde. Muitas pessoas acham que eu faço programa, que sou garota de programa, mas não é isso. Eu sempre explico para as pessoas: uma coisa é você vender seu corpo, deixar outras pessoas encostarem em você; outra coisa é vender suas imagens, sendo que ninguém vai encostar em você. Estou vendendo apenas imagens. Hoje, me sinto até bem fazendo isso. Eu gosto do que faço e, para falar a verdade, não me importo com a opinião das pessoas.

A minha vida mudou tanto para melhor depois de tudo isso que a opinião de ninguém é relevante para me fazer voltar ao sofrimento, à preocupação, e à depressão que eu vivia antes. A visão conservadora que algumas pessoas têm infelizmente não vai mudar. Muitas pessoas fazem coisas piores escondidas. Eu não. Eu me exponho, sou o que sou e falo a verdade.

Com os riscos de vazamento de dados, você teve preocupações iniciais com segurança e exposição online?

Eu já pensei bastante nessa questão e, sim, já tive conteúdos vazados. Já precisei contratar advogados para tentar remover esses conteúdos. Os conteúdos que tenho vazados são muito antigos, o que acho que é uma realidade comum para quem trabalha nessa área hoje em dia. Infelizmente, a pirataria ainda é um problema, mas hoje eu vejo isso até como uma forma de marketing.

Eles divulgam apenas alguns conteúdos, e isso desperta a curiosidade das pessoas, que acabam procurando mais na internet. No meu caso, por exemplo, não tem todo o meu material na internet, apenas os mais antigos, como mencionei. Hoje em dia, eu não me preocupo tanto com isso e até deixo os conteúdos antigos porque acabam funcionando como uma forma de marketing.

Ketlin Groisman
Ketlin Groisman

Nas redes sociais, você enfrenta tanto respeito quanto julgamento. Como lida com o assédio online?

Eu tive que aprender a lidar com isso. Meu primeiro vídeo viralizou nas redes e atingiu 3 milhões e 400 mil visualizações. Recebi comentários de todos os tipos. Antes de viralizar, a gente fica naquela bolha, onde as pessoas que te conhecem e te seguem geralmente são mais gentis. Mas quando um vídeo viraliza, você começa a receber comentários de todos os públicos, incluindo os maldosos, os haters e os positivos.

Eu tive que aprender a lidar com isso e entender que, quanto mais você se expõe, mais vai receber comentários negativos. Quanto mais você sai da sua bolha e vai para o mundo, mais críticas surgem, mas também aumenta sua visibilidade. Hoje em dia, isso é muito tranquilo para mim, porque entendi que quanto mais você é vista, mais críticas vai receber. Se você tem haters e gente te criticando, é porque seu trabalho está dando certo.

Na minha visão, essas críticas vêm de pessoas que não têm nada melhor para fazer. Quem tem a própria vida para cuidar e outras coisas para fazer não fica cuidando da vida dos outros e criticando na internet. Hoje, esses comentários não são relevantes para mim. Às vezes, eu até olho o perfil das pessoas que comentam e percebo que muitas vezes o comentário delas não faz sentido.

É fácil julgar vendo apenas uma parte do meu trabalho, como um vídeo de 30 segundos. Se a pessoa me conhecesse há anos, talvez eu desse relevância, mas como é alguém da internet que nunca me conheceu, não me importo.

Como surgiu a oportunidade de participar da “Mansão Maromba” e o que isso mudou em sua carreira?

Eu participei da Mansão Maromba. O dono da mansão me chamou, ele já tinha me convidado outra vez, mas na época não consegui ir por conta da faculdade. Dessa vez, eu fui e foi muito bom para mim, porque lá dentro conheci pessoas de todos os tipos, que trabalham com vários outros conteúdos que não são de conteúdo adulto, como humor e musculação. Acho isso muito legal, poder variar e fazer coisas diferentes.

Hoje, no meu Instagram, por exemplo, tenho conteúdos engraçados que combinam humor, musculação e sensualidade. Tem de tudo, e isso ajuda muito na minha carreira, pois tive mais contato com pessoas diferentes e me fez sair um pouco da minha bolha do conteúdo sensual. Antigamente, eu só participava de gravações com criadores de conteúdo adulto e ficava muito focada nisso. Depois da experiência na mansão, pude ver que existem várias maneiras de divulgar meu trabalho e explorar outros tipos de conteúdo.

Qual é a rotina diária para produzir seu conteúdo no OnlyFans, e como você equilibra isso com sua vida pessoal?

Eu pego alguns dias do mês para gravar o conteúdo. Não gravo todos os dias, mas dependendo da situação, se algo interessante acontecer, eu gravo na hora. No entanto, sempre tiro alguns dias do mês para fazer tudo de forma organizada. No começo, eu gravava uma coisinha todo dia, então meu conteúdo não era bem elaborado, não era pré-pensado, e acabava sendo mal executado.

Hoje em dia, eu me organizo melhor. Alugo um motel ou um Airbnb para gravar em ambientes diferentes, e isso melhorou muito a qualidade do meu conteúdo e da produção. Gravo os conteúdos da plataforma fechada e do Instagram, muitas vezes tudo no mesmo dia, o que facilita bastante a gestão do tempo e a organização do trabalho.

Ketlin Groisman
Ketlin Groisman

Há muitas ideias erradas sobre trabalhar com conteúdo adulto e influência digital, especialmente em termos de glamour. O que as pessoas acertam e o que elas entendem errado sobre sua profissão?

Então, muitas pessoas pensam que é fácil, mas para chegar a um nível onde você se sinta bem estabelecido, você passa por muita coisa. Estou nisso há um ano e oito meses. No começo, eu achava que nunca ia deslanchar. Claro, eu ganhei um dinheiro no início que me ajudou a cuidar do meu cachorro, mas era um valor básico. Hoje, o que eu ganhava naquele mês inteiro, consigo fazer em uma ou duas horas. Mas isso só acontece porque eu tive constância e quis realmente evoluir. Foi um processo muito grande; eu fui atrás porque realmente queria mudar minha vida. Eu me sentia mal com o que tinha antes e não queria aquilo para mim. Então, eu corri atrás do que eu queria, que era melhorar meus conteúdos, e deu certo.

Mas as pessoas não podem se deixar enganar pensando que é só amor e alegria, porque não é, especialmente nessa área. Você precisa ter um psicológico muito forte. Eu faço terapia hoje em dia, porque, se não tiver uma mente forte, você acaba sendo muito afetado pelos outros. Então, não é só sobre o amor pela profissão, tem a parte de ganhar dinheiro e ser reconhecido, mas também há muitos contras. Você precisa avaliar tudo. Muitas meninas não conseguem continuar nesse caminho por conta de xingamentos da família, por exemplo. Então, é preciso colocar na balança e ver o que realmente faz sentido para você.

Acompanhe Ketlin Groisman no Instagram

TAGGED:
Share this Article