Ju Kosso lançou “Sofisalma” e marcou nova fase com sonoridade intensa e reflexão sobre identidade

Luca Moreira
7 Min Read
Ju Kosso (Moa Cunha)
Ju Kosso (Moa Cunha)

A cantora e compositora Ju Kosso lançou, no dia 20 de março, o single Sofisalma, faixa que marcou uma nova fase em sua trajetória artística ao unir estética industrial, peso sonoro e uma reflexão profunda sobre identidade e autoengano. Gravada em Los Angeles, a música apresentou uma sonoridade que transita entre o rock e o pop, enquanto aborda o colapso de personas idealizadas e as contradições internas que muitas vezes permanecem ocultas. Com um processo criativo visceral e autobiográfico, o lançamento consolidou o retorno da artista às composições autorais e abriu caminho para uma nova sequência de projetos.

O single “Sofisalma” nasce de uma reflexão sobre as máscaras sociais e o autoengano. Em que momento você percebeu que esse tema precisava virar música?

Na sociedade, a gente precisa sobreviver, e, para sobreviver dentro das regras sociais, parece que é exigida uma certa “perfeição”. E eu percebo que essa perfeição adoece as pessoas, porque ninguém consegue sustentar isso de verdade. Comecei a notar esse conflito entre o que a gente mostra e o que a gente realmente é. Então escrevi “Sofisalma” em cima de uma melodia que vinha na minha cabeça.

A referência aos sofistas da Grécia Antiga é bastante interessante para uma canção contemporânea. Como essa ideia filosófica encontrou espaço dentro da sua composição?

Eu penso que existem ciclos que se repetem ao longo do tempo. Sempre existiram — e ainda existem — pessoas que se escondem por medo. Parece que a gente está em um disco riscado. Os sofistas já falavam sobre discurso, sobre convencer… e hoje a gente continua fazendo isso, muitas vezes por medo de não ser aceito dentro das regras da sociedade.

Ju Kosso (Moa Cunha)
Ju Kosso (Moa Cunha)

Você descreve o processo criativo da música como um “vômito criativo”, algo visceral que veio depois de um período de bloqueio. O que aconteceu dentro de você quando essa criatividade finalmente voltou a fluir?

Parecia que a minha alma se encaixou no meu corpo. Não foi algo pensado, foi meio fora de controle. Não tinha pressão, não tinha obrigação — foi algo muito íntimo comigo mesma. Eu fui resgatando meu espaço e reafirmando a minha profissão, até porque é uma forma de expressar como eu sinto o mundo.

A decisão de gravar o single em Los Angeles também parece ter sido muito simbólica. O que essa experiência fora do país trouxe para a construção sonora e emocional da faixa?

O mais importante para mim foi o resultado final: chegar em uma sonoridade que realmente me representasse, com mais peso, mais identidade e uma estética que eu sempre busquei. Eu já tinha uma ideia clara da música, e essa parceria com o AJ Oliveira, no Lounge Studios, me trouxe segurança e deixou tudo ainda mais vivo. Eu me senti muito respeitada artisticamente nesse processo.

Ju Kosso (Moa Cunha)
Ju Kosso (Moa Cunha)

Musicalmente, “Sofisalma” mistura rock industrial, peso e elementos pop. Como você encontrou o equilíbrio entre essas influências para criar a identidade sonora da música?

Eu cresci ouvindo o rock brasileiro surgindo, como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Titãs e Kid Abelha, que têm essa coisa mais melódica e acessível. Ao mesmo tempo, sempre tive referências muito fortes de interpretação, como Elis Regina e Cássia Eller, que trazem uma verdade muito grande na voz. E, por outro lado, eu gosto muito do peso, da repetição, dessa estética mais densa de bandas como Rammstein e Nine Inch Nails, além de influências eletrônicas como Kraftwerk.

O clipe dirigido por Arnaldo Belotto promete uma estética inspirada em graphic novels e atmosfera industrial. Como foi transformar a essência da música em uma narrativa visual?

Quando a música ficou pronta, eu já imaginava algo como histórias em quadrinhos, meio sombrio, mas ao mesmo tempo confortável. Eu vi alguns trabalhos dele e achei que fazia sentido para mim. Ele topou desenvolver o conceito visual, e a gente conversou várias vezes, ajustando muitas coisas juntos.

Ele foi entendendo a ideia e os personagens que eu pedi. “Sofisalma” fala sobre a mente, sobre como carregamos personas baseadas em autoengano, com inverdades para nós mesmos e para os outros. A estética de graphic novel reforça isso — é desenho, é fantasia, não é real.

Ju Kosso (Moa Cunha)
Ju Kosso (Moa Cunha)

Você iniciou sua trajetória artística ainda criança, na televisão e na música. Hoje, olhando para essa caminhada, o que mudou na forma como você se enxerga como artista?

Maturidade. Antes eu acreditava na fama, hoje eu acredito em mim.

Você descreve “Sofisalma” como um ponto e vírgula para uma nova fase da sua carreira. Que caminhos e emoções você pretende explorar nos próximos lançamentos?

Cada parte desse trabalho foi muito sentida por mim. Eu amassei muito papel até chegar no resultado que eu queria. Dentro da minha cabeça ainda tem muita coisa para escavar.

Já tenho outras músicas com começo, meio e fim, em fase de pré-produção, e agora estou entrando em estúdio — e estou amando esse processo. Estou em um momento muito livre artisticamente, sem prazo, sem pressão, sem essa lógica de funcionar como um robô. Estou sendo honesta comigo mesma.

Estou curtindo a minha criatividade, porque estou conseguindo transformar isso na minha realidade. Não me importo se está na moda, se “cabe” ou se pode parecer irrelevante. Eu não tenho mais nada a perder.

“Sofisalma” nasce dia 20, com uma parceria incrível no baixo com Felipe Andreoli, e outras músicas virão — todas feitas com emoção e, quem sabe, com futuras parcerias também.

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