O que acontece com a consciência após o fim da vida física? Em A Jornada Eterna: Experiências de Vida Após a Morte, João Ribeiro conduz o leitor a um território onde a morte deixa de ser ponto final e passa a ser passagem. A obra reúne 35 relatos espirituais recebidos em profunda conexão mediúnica, nos quais consciências desencarnadas narram suas histórias na Terra, o despertar no plano espiritual e o confronto íntimo com escolhas, afetos e aprendizados que atravessam a existência.
Seu livro apresenta 35 relatos que transitam entre dor, lucidez, arrependimento e cura. Qual foi o primeiro momento, durante o processo mediúnico, em que você percebeu que estava recebendo algo que não era apenas para você — mas para o mundo?
O primeiro relato veio logo após um Evangelho no Lar que realizo toda segunda-feira desde 2009. Ao finalizar, senti claramente uma presença e soube que iria canalizar uma mensagem. Ao terminar, percebi era um relato espiritual completo, com história de vida e pós-desencarne. A partir dali, passei a receber relatos semanalmente e entendi que aquilo não era para mim, mas um projeto maior, no qual eu havia sido escolhido para ser instrumento.
Os espíritos revelam verdades que, muitas vezes, só compreenderam após deixar a vida física. Entre todos esses relatos, qual foi o aprendizado mais transformador que você levou para a sua própria vida cotidiana?
O maior aprendizado foi compreender, na prática, que escolhas moldam destinos. Em nenhum relato existe um Deus punitivo ou um juiz condenando almas. O que existe são consciências colhendo os efeitos das próprias escolhas. Quando há arrependimento e reencontro consigo mesmo, o socorro espiritual acontece naturalmente. A misericórdia divina sempre age, mas ela respeita o tempo de cada consciência.
O livro aborda zonas de sofrimento e regiões de luz. Como você, emocionalmente, se preparava para transitar entre esses dois extremos sem se deixar abalar mais do que o necessário?
Transitar entre zonas densas e planos mais sutis nunca foi um problema para mim. Antes mesmo do livro, eu já realizava desdobramentos e resgates em regiões umbralinas. O impacto nunca vem do lugar, mas da dor do outro. Tenho plena consciência de que essas zonas são apenas estados de passagem para espíritos que ainda carregam culpas e conflitos internos.
Em muitos relatos aparece o “espelho da alma”, esse momento de reconhecimento profundo. Como descreveria essa experiência para alguém que nunca teve contato com conceitos espirituais?
O “espelho da alma” é quando a consciência se vê sem máscaras. Mesmo quem nunca teve contato com espiritualidade carrega dentro de si a real noção do que fez, sentiu e escolheu. O autoconhecimento revela nossas fraquezas, e é a partir dessa identificação que acontece a aceitação e a transmutação da sombra em luz. Esse é o verdadeiro caminho da evolução humana.

Os capítulos mostram que a morte não iguala ninguém — cada consciência chega ao plano espiritual carregando sua própria história moral. O que mais surpreendeu você sobre essa diversidade de caminhos?
A diversidade de caminhos não me surpreende. A Terra é um planeta escola, e cada um aprende de um jeito. O que me surpreende é o quanto a mente humana é condicionada e presa a conceitos prontos. Muitas pessoas boas sofrem após a morte não pelo que fizeram, mas por não conseguirem aceitar a nova realidade espiritual quando ela se apresenta.
As mensagens foram recebidas em estados de oração e silêncio. Como você desenvolveu confiança para diferenciar inspiração pessoal de comunicação verdadeira, preservando o rigor ético mencionado no livro?
Mesmo sendo um médium ostensivo, tudo é muito sutil. Pela experiência, consigo diferenciar claramente uma reflexão minha de uma comunicação espiritual. Quando escrevo algo pessoal, há fluidez criativa. Quando estou sendo inspirado, a mensagem vem fragmentada, quase ditada, frase por frase. Isso sempre foi um critério claro para preservar a responsabilidade e a ética no que transmito.
“A Jornada Eterna” é uma obra sobre continuidade, e não sobre fim. Para você, o que muda na forma de viver quando se compreende, de fato, que a consciência não cessa com a morte?
Muda tudo. Quem acredita que a vida termina com a morte vive de forma mais inconsequente. Quem tem consciência da continuidade da vida sabe que a própria consciência será seu maior juiz após o desencarne. Errar faz parte, mas permanecer no erro é escolha. Toda escolha gera desdobramentos, positivos ou negativos, de acordo com a intenção que a move.
Se pudesse escolher uma única mensagem, entre todas as 35 experiências narradas, para o leitor levar consigo após fechar o livro, qual seria — e por quê?
A mensagem é: “Diga que ama.” Esse foi o primeiro relato que recebi e também o primeiro do livro. Ele fala do arrependimento por não ter expressado amor em vida. Isso toca diretamente a minha história. Meus pais não tinham o hábito de dizer “eu te amo”, mas sempre senti esse amor nas atitudes. Consegui dizer ao meu pai antes do desencarne e ouvi dele depois. O arrependimento maior não é pelo que fizemos, mas pelo que deixamos de dizer.
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