Jhayam (Premier king)

Jhayam: um novo começo e a colaboração na faixa ‘Antes Que Seja Tarde’

Luca Moreira
7 Min Read
Jhayam (Premier king)

No cenário musical, Jhayam se destaca como cantor, compositor e MC. Sua trajetória inclui uma conexão significativa com Moritz Von Korff, baixista da banda francesa Dub Inc. Em 2016, Jhayam conheceu Korff no festival O Grito Reggae, quando Dub Inc. se apresentou no Brasil. Este encontro inicial estabeleceu uma conexão que se manteve nas redes sociais e culminou, anos depois, no convite para participar da coletânea “Unidad Riddim”.

Jhayam contribuiu para a coletânea com a faixa “Antes Que Seja Tarde”, uma colaboração com a cantora Srta. Paola. Ele conheceu Paola em shows de rap, onde ela atuava como backing vocal, e sempre admirou seu trabalho. Ao ouvir o instrumental enviado por Korff, Jhayam soube imediatamente que precisava de uma voz feminina para complementar a música.

A faixa aborda temas como valorização do presente e dos pequenos detalhes da vida, e representa um marco significativo para Jhayam, que decidiu abandonar o nome artístico “Monkey” após 16 anos e seguir apenas como Jhayam. Esta mudança reflete um momento de recomeço pessoal e artístico.

Com a produção instrumental de Moritz Von Korff e Frédéric Peyron, e a mixagem e masterização de Umberto Echo, “Antes Que Seja Tarde” se destaca como uma peça importante na coletânea, mostrando a habilidade de Jhayam em se adaptar e colaborar com artistas internacionais, enquanto mantém suas raízes e mensagem autêntica.

Como você descreveria a importância das influências latinas e jamaicanas na música que criaram para essa coletânea?

Essa coletânea é totalmente inspirada nos “mega mix” jamaicanos que apresentavam diferentes versões de um mesmo instrumental com diferentes cantores, cada um interpretando sua própria letra e melodia no “riddim”. Praticamente o início do que hoje em dia se tornou a cultura do remix na música eletrônica. Sobre as influências latinas acredito que o acordeom e o violão trazem essa linguagem para a música. Eu particularmente amo muito reggae cantado em espanhol, acho que tem uma sonoridade única. Sempre escutei artistas como Tiano Bless do Chile, Alika da Argentina ou o próprio Morodo da Espanha.

Antes pensava o porquê o Brasil é o único país da américa latina que não fala espanhol ou o porquê a Jamaica tem uma conexão tão direta com a Inglaterra, mas hoje entendo que é uma relação histórica de colonização e as diásporas pelo mundo. O reggae é esse veículo que permeia espaços e unifica os povos.

Para você, qual é a mensagem principal da música “Antes Que Seja Tarde” e como ela se conecta com o momento atual da sua carreira e vida pessoal?

Esse foi meu primeiro lançamento com o novo nome JHAYAM. Isso é bem significativo na construção artística da minha carreira porque no passar desses 16 anos comecei a deixar para traz o que já não somava tanto assim na minha história. Quando escrevi a letra e comecei a escutar no loop senti que era algo bem pessoal a seguinte mensagem: “Não vá se distrair, saiba do seu valor e recomece antes que seja tarde”.

A mensagem na música é “Nunca é tarde para recomeçar e contemplar os pequenos detalhes da vida, pois são neles que encontramos a presença da divina criação que na maioria das vezes passa desapercebida no ritmo da rotina.

Jhayam (Premier king)
Jhayam (Premier king)

Como você acha que a coletânea “Unidad Riddim” pode contribuir para a conexão cultural entre os países representados pelos artistas participantes?

Acredito que a iniciativa já é um grande avanço pois já vem na contramão do que acontece normalmente na Europa por exemplo com compilações de ponta a ponta cantadas somente em inglês e com poucos produtores que estão abertos para essa conexão com novos artistas de outros países com seus idiomas nativos. Espero que os curadores das grandes instituições culturais aqui no Brasil vejam isso como algo positivo e quem sabe não possamos ver esse time completo ao vivo reunido em algum evento ou festival no futuro por aqui?

Como você vê a evolução do reggae e de outros gêneros musicais?

Acredito que o movimento underground sempre vai existir e alimentar a máquina pois é um organismo independente do mercado ou tendências. De ciclo em ciclo veremos elementos sendo utilizados por artistas do mainstream criando gêneros que se encaixam na prateleira da música urbana e outros títulos genéricos que não creditam o afrobeat, dancehall, reggae e suas vertentes. Quanto mais as pessoas se informam mais elas se libertam desse ciclo vicioso e aprendem sobre a origem do gênero e a história, naturalmente o crivo vai mudando e vai se entendendo que o estereótipo do regueiro ou regueira surfista, fumador de maconha, hippie paz e amor na verdade é uma tentativa do mercado brasileiro de tirar a estética de música de combate com texto de resistência e emancipação mental do povo oprimido.

Jhayam
Jhayam

Quais são os próximos passos e projetos?

Recentemente estou passando por esse processo da troca do nome. Graças ao apoio da OneRpm, Ditto e Graxa Pura consegui aplicar a mudança e em todas as plataformas digitais e preservei os mesmos canais com o meu catálogo de lançamentos. Início do ano estive em Londres para dirigir o album de um novo artista chamado Rise e gravei músicas para meu novo álbum com Prince Fatty. Tenho um banco de arquivos com muitas composições em variados gêneros todas desenvolvidas da pandemia para cá. Alguns feats e colaborações que gravei e estão para sair nos próximos meses. E o ritmo não para, recentemente comecei uma parceria com Douglas Gregório da Tudo Azul produções que tem desenvolvido um trabalho de produção executiva e bookings então nunca esteve tão fácil incluir sua cidade na nossa Raggamufin agenda. Entre em contato e contratem meu show!

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