Grupo de artistas conquista público com “Acidentalmente Amor”, projeto musical inspirado nos sucessos dos anos 2000

Luca Moreira
12 Min Read
Acidentalmente Amor
Acidentalmente Amor

O grupo Acidentalmente Amor surgiu de forma espontânea entre amigos e rapidamente se transformou em um projeto artístico de grande alcance, conquistando o público nas redes sociais com releituras criativas de sucessos pop dos anos 2000. Formado por oito artistas, o coletivo une música, humor e nostalgia em versões em português de clássicos internacionais, além de produções autorais que deram origem ao álbum “Acidentalmente Amor: Um Musical Pop Anos 2000”. Com milhões de visualizações online, pocket shows no Rio de Janeiro e planos de expansão para os palcos, o grupo consolida sua identidade como um musical contemporâneo que celebra a memória afetiva de uma geração.

O Acidentalmente Amor nasceu de forma espontânea, entre amigos e sem grandes pretensões. Em que momento vocês sentiram que aquilo poderia se transformar em algo maior e mais sério?

BEL MIRANDA: Então, na verdade, o Acidentalmente Amor surgiu de uma peça musical escrita pelo nosso amigo Tiago Menezes, que hoje é um dos membros do grupo vocal. Ele reuniu vários amigos do teatro — nós somos amigos e conhecidos desse meio — e juntou essas pessoas, no começo de 2024, para fazer um pocket show com as músicas da peça que ele tinha escrito.

A gente ficou por uns três meses se encontrando para ensaiar essas músicas para o pocket show. As músicas do musical eram pop dos anos 2000, que foram versionadas e faziam sentido com o texto que ele tinha criado.

Em um desses ensaios, a gente gravou um vídeo de Bad Romance, da Lady Gaga, na versão do Tiago. Ele postou esse vídeo no TikTok sem pretensão nenhuma, e acabou viralizando muito. Tivemos, na época, cerca de 800 mil visualizações. Depois, a página Choquei compartilhou o vídeo, o que ampliou ainda mais o alcance. Foi algo que a gente não esperava. A gente só colocou o celular e gravou um ensaio. Foi muito louco.

A partir disso, começamos a perceber que as pessoas gostavam dessas versões de músicas internacionais traduzidas para o português. Então passamos a postar outras músicas da peça. Algumas viralizavam, outras nem tanto, mas começamos a entender que aquilo realmente tinha potencial.

Depois disso, decidimos versionar músicas que não fossem apenas dos anos 2000, mas também músicas atuais ou que gostávamos. Gravamos Olivia Rodrigo, Taylor Swift, Sabrina Carpenter, entre outros artistas. E começamos a receber uma resposta muito positiva do público.

Foi então que entendemos que aquilo poderia se transformar em algo maior. Passamos a enxergar dois projetos: a peça Acidentalmente Amor, criada pelo Tiago, e o grupo vocal Acidentalmente Amor, que produz conteúdo para a internet em formato coral.

Somos um grupo de oito amigos, e começamos a perceber que, se profissionalizássemos mais o projeto e investíssemos mais tempo e esforço, poderíamos alcançar algo ainda maior. Por causa das agendas, nunca conseguimos manter uma frequência muito constante, então estamos há cerca de dois anos gravando vídeos de forma irregular.

Mas este ano decidimos investir de vez no grupo vocal, e estamos tendo uma resposta muito positiva do público. Isso só faz a gente querer continuar. Temos muitas ideias, somos realmente um grupo de amigos, e estamos sempre pensando em novas formas de evoluir o projeto. Tem sido um processo muito especial.

O projeto carrega uma forte identidade nostálgica, com referências diretas aos anos 2000. Como é, para vocês, revisitar músicas e produções que fizeram parte da infância e adolescência e transformá-las em algo novo?

LARISSA TRAVASSOS: Sim, temos essas referências dos anos 2000. Antes do Acidentalmente Amor virar um grupo vocal, ele era uma peça musical construída com músicas dessa época, versionadas para o português. Foi a partir disso que gravamos um vídeo para a internet, com a música Bad Romance, da Lady Gaga, em português, e ele viralizou. Depois disso, a gente nunca mais parou.

Acho que é uma parte muito divertida, porque revisita a nossa infância e também a infância de muitas pessoas da nossa geração, que cresceram assistindo desenhos da Disney e consumindo conteúdos dessa época. É muito especial poder trazer essa nostalgia para as pessoas e ver que elas realmente embarcam com a gente e gostam do que estamos fazendo.

Acidentalmente Amor
Acidentalmente Amor

Todos vocês também atuam em outras frentes artísticas. De que forma fazer parte do Acidentalmente Amor contribui para o crescimento individual de cada um e para a construção dos seus portfólios?

KARIN MEDEIROS: A gente ama fazer parte do projeto, principalmente porque a base de tudo é a nossa amizade. Começou como uma brincadeira entre amigos, que foi dando certo e acabou se tornando um trabalho. Além disso, tem a questão da arte. Todos nós somos artistas. Somos atores, cantamos, temos integrantes que dublam, que fazem dança, sapateado. A arte está muito presente na vida de todos nós.

Fazer parte do Acidentalmente Amor contribui muito para o nosso crescimento artístico. Toda semana gravamos um vídeo novo, aprendemos músicas novas, harmonias, e um ajuda o outro. Estamos em constante evolução, como artistas e como pessoas. Outro ponto muito importante é o reconhecimento que estamos conquistando nas redes sociais. Hoje temos cerca de 200 mil seguidores no TikTok e quase 60 mil no Instagram. Isso mostra que nossa arte está sendo vista e valorizada.

Recebemos muitos comentários, elogios e sugestões, e isso é muito gratificante. Também existe a possibilidade de, no futuro, surgirem parcerias com marcas e patrocinadores. Mas, acima de tudo, o grupo representa continuidade. A profissão de ator é muito difícil, cheia de negativas, e o grupo permite que a gente continue fazendo arte, independentemente disso.

Cada integrante traz uma bagagem, referências e talentos diferentes. Na visão de vocês, o que cada um acredita que acrescenta à identidade e à energia do grupo?

PAULO FREITAS: Eu acredito que o que fortalece o nosso grupo é a nossa pluralidade. Somos diferentes e parecidos ao mesmo tempo, e isso gera muitas ideias e contribuições criativas. Não temos uma equipe externa. Somos apenas nós oito, e dividimos internamente as funções. Há quem edite o áudio, quem edite o vídeo, quem cuide da estética, das roupas e da imagem. Essa organização permite que ninguém fique sobrecarregado e que a gente mantenha a qualidade do trabalho, preservando a essência do grupo.

ENZO CESPOM: Eu venho de uma formação artística e musical muito focada na técnica e na disciplina. Claro que erro, como todo mundo, mas tento sempre trazer leveza para o grupo. Acredito que contribuo com ideias, energia positiva e dedicação durante os ensaios e gravações. Tento sempre manter o grupo motivado e aberto a novas propostas.

Acidentalmente Amor
Acidentalmente Amor

Vocês começaram nas redes sociais, com um vídeo que viralizou, e hoje constroem grande parte da conexão com o público por ali. Como tem sido crescer de forma orgânica e acompanhar a reação das pessoas ao projeto?

ANA BEATRIZ TAVARES: Está sendo muito divertido, principalmente quando somos reconhecidos na rua. Ainda não estamos acostumados com isso, mas é muito gratificante. O retorno do público tem sido extremamente positivo, tanto nos comentários quanto no acompanhamento individual dos integrantes. Também é muito bonito ver amigos e conhecidos acompanhando e incentivando o nosso trabalho. Isso nos dá ainda mais motivação para continuar.

O álbum “Acidentalmente Amor: Um Musical Pop Anos 2000” marca a concretização de um sonho coletivo. O que esse lançamento representa para vocês, individualmente, dentro das suas trajetórias artísticas?

TIAGO MENEZES: Gravar o álbum foi um sonho realizado. O projeto nasceu como uma peça musical, mas acabou ganhando uma dimensão muito maior através das redes sociais. O álbum permite que a nossa arte alcance um público muito maior, além do teatro. É uma forma de eternizar o projeto e compartilhar nossa história com mais pessoas.

Eu, Tiago, como idealizador, tenho um carinho ainda maior, porque são minhas versões e meus arranjos. Sempre fui apaixonado por teatro musical, e poder proporcionar essa experiência para outras pessoas é extremamente gratificante.

O projeto também nasce da amizade entre vocês. Como é viver esse processo criativo ao lado de pessoas próximas e dividir palco, ideias e sonhos?

VICTOR GALISTEU: Viver esse processo ao lado de amigos torna tudo mais especial. Existe confiança, liberdade criativa e uma troca muito verdadeira entre a gente. Trabalhar com amigos exige maturidade, mas também torna tudo mais leve e significativo. O grupo nasceu da amizade e hoje transformamos essa amizade em arte.

Se cada um de vocês tivesse que definir o Acidentalmente Amor em uma palavra ou sentimento, qual seria e por quê?

VICTOR GALISTEU: Se eu tivesse que resumir em uma palavra, seria persistência. Desde o início, enfrentamos muitos desafios, mas continuamos acreditando no projeto.

BEL MIRANDA: Para mim, seria conexão. O grupo se tornou uma família, e essa conexão é o que fortalece o nosso trabalho.

ENZO  CESPOM: Eu diria entrosamento. O grupo funciona como um quebra-cabeça perfeitamente encaixado.

KARIN MEDEIROS: Eu diria sintonia. Existe uma conexão artística e pessoal muito forte entre nós.

LARISSA TRAVASSOS: A palavra seria realização. Estamos conquistando sonhos juntos.

PAULO FREITAS: Para mim, é identificação. O público se reconhece no nosso trabalho, e isso nos motiva a continuar.

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