Entre a comédia escrachada e o drama de época, Veronica Long vive um dos momentos mais versáteis de sua carreira. Enquanto diverte o público com a irreverente Heather na comédia romântica The Wrong Paris, sucesso global da Netflix, a atriz também emociona ao interpretar a sensível e resiliente Manuela Bowdre na série dramática Billy the Kid, da MGM+. Transitanto com naturalidade entre o humor físico e a intensidade silenciosa, Veronica celebra a chance de surpreender a audiência e provar que, para ela, nenhum gênero é limite quando o assunto é contar boas histórias.
Você está brilhando simultaneamente em duas produções muito diferentes — um sucesso global da Netflix e uma série dramática da MGM+. Como tem sido ver o público se conectar com lados tão distintos do seu talento ao mesmo tempo?
Tem sido muito divertido! Acho que quem me conhece por The Wrong Paris se surpreende quando me vê em Billy the Kid — e vice-versa — e eu adoro isso. Eu amo surpreender as pessoas. Sabe quando você assiste a um filme com o Gary Oldman e nem reconhece ele, e sai do cinema pensando: “Ué… eu achei que o Gary Oldman ia estar nesse filme… pera, ERA ELE?? Eu não reconheci!”? Não que eu esteja nem perto do nível do Gary, mas eu amo essa sensação de surpresa e de ficar irreconhecível. Viu como eu chamei ele de Gary? É porque a gente é super próximo. Brincadeira. Só nos meus sonhos mais malucos eu sou amiga do Gary Oldman. Foi só eu manifestando essa amizade.

Sua atuação cômica em The Wrong Paris é ousada, rouba a cena e é irresistivelmente engraçada. O que interpretar Heather permitiu que você explorasse em si mesma que o público ainda não tinha visto?
Primeiro, obrigada! Fico muito feliz que você tenha gostado! A gente se divertiu demais fazendo o filme, então é ótimo saber que ele trouxe alegria pra vocês.
Bom… eu geralmente sou muito recatada e delicada, então interpretar a Heather foi um completo oposto pra mim. Brincadeira — mais ou menos. Eu definitivamente não sou recatada e ainda estamos debatendo se sou delicada. Mas falando sério, a maioria dos meus papéis até agora eram mais femininos. Então a Heather me permitiu explorar um lado mais “masculino” meu. Eu entrava na personagem ficando agachada em posição de batalha, batendo nas coxas agressivamente e grunhindo “Heather”. Acho que eu realmente faço essa pose no filme — bem antes da corrida de pneus.

Em Billy the Kid, sua personagem Manuela Bowdre carrega uma força silenciosa e uma presença emocional profunda. O que interpretá-la te ensinou sobre vulnerabilidade e intensidade no drama?
Obrigada! Ela é uma mulher de origem rural simples que é jogada no meio de uma guerra com pistoleiros e cowboys. Então eu queria que ela fosse resiliente o suficiente para sobreviver naquele mundo e naquela época, mas também vulnerável o bastante para ser profundamente afetada pelas tragédias da guerra. O que mais estava em jogo para ela era perder o marido, Charlie, ou o bebê durante o conflito. O roteiro ajudou muito a entender quando ser vulnerável e quando colocar uma “cara de coragem”.
Nas cenas grandes, com toda a gangue do Billy presente, ela quase não fala. Então eu decidi que nesses momentos ela tentava se manter forte por todos — escondendo a vulnerabilidade, ou pelo menos tentando. Já a vulnerabilidade aparecia mais nas conversas privadas com o marido (Horatio Hirst) ou com a nova amiga querida, Dulcinea (Nuria Vega). Aí ela se sentia segura o suficiente para falar com o coração.
Sobre intensidade, aprendi que existe muito poder em ouvir e absorver a informação. Quando sua personagem recebe uma notícia difícil, criar tensão apenas deixando aquilo “assentar” é muito mais forte do que correr para a próxima fala. Ver a personagem processando o que ouviu mostra o peso emocional da situação. Especialmente nesse roteiro do nosso incrível roteirista Michael Hirst, onde muita coisa acontece rapidamente. Então dar tempo para a personagem processar foi essencial.

Muitos fãs te conheceram primeiro pela comédia e agora pelo drama — ou o contrário. Como esse contraste molda a forma como você se enxerga como artista neste momento da carreira?
Boa pergunta! Às vezes eu acho que confundo as pessoas. Na verdade, eu me confundo também! Eu gosto da ideia de que nada é proibido. Cresci fazendo teatro, onde era muito divertido colocar uma peruca e interpretar alguém completamente diferente de mim. Poder continuar fazendo isso no cinema é muito legal e gratificante — e totalmente alinhado com a artista que eu quero ser.
Ir para Calgary filmar Billy the Kid, num drama de faroeste do século XIX, interpretando uma fazendeira mexicana elegante, de espartilho… e depois estar numa comédia romântica atual da Netflix, fazendo uma segurança de boate super atrevida e flertadora… é simplesmente maravilhoso pra mim. Eu me sinto uma criança brincando de fantasia com os amigos. Meu coração artístico fica muito cheio.

Hollywood é uma indústria competitiva e acelerada. Como tem sido se encontrar bem no centro disso em um momento tão decisivo da sua carreira?
Eu sou muito grata. Muito mesmo. Pelas séries e filmes dos quais fiz parte. Ultimamente tenho tentado celebrar mais as conquistas ou descansar, porque isso também é importante… mas estou aprendendo que não sou muito boa nisso. Tem uma parte do meu cérebro que sempre quer olhar pra frente e correr atrás da próxima coisa. É muito difícil eu apertar o pause. Mesmo quando digo que vou descansar, acabo entrando em alguma “missão paralela”. Tenho mil abas abertas na cabeça o tempo todo. Mas acho que todo mundo é meio assim hoje em dia, né? Se alguém souber relaxar de verdade, por favor me manda essa pessoa.
Mas foi muito especial ver The Wrong Paris chegar ao número 1 na Netflix. Eu estava no carro com meu irmão e um dos meus melhores amigos quando vimos a notícia no celular. A gente surtou e aumentou o som do carro pra comemorar. Foi um daqueles momentos que viram memória eterna.
Seu trabalho tem gerado reações fortes do público e da mídia. Qual foi o feedback mais surpreendente, significativo ou inesquecível que você recebeu até agora?
Ah, obrigada por essa pergunta. Como eu disse, sou meio workaholic, então é bom relembrar. Recebi muitas mensagens lindas quando The Wrong Paris saiu. Muita gente animada em me ver numa comédia romântica e num papel tão maluco. Fiquei nas nuvens por um tempo!
Mas o mais inesquecível… recentemente uma mulher entrou na nossa aula de atuação e disse que demorou algumas aulas para perceber que eu estava no elenco do filme. Ela contou que tinha assistido The Wrong Paris com a mãe antes de começar o curso e que eu era a personagem favorita delas. Quando percebeu que era eu, surtou. Isso me tocou muito. Olhando para frente, depois desse momento tão empolgante — sucesso na Netflix, elogios pelo drama e reconhecimento crescente — quais sonhos ou desafios estão guiando seus próximos passos? Sonhos… eu topo qualquer coisa!
Nenhum desses papéis estava no meu “bingo da carreira” e os dois foram MUITO divertidos, então estou aberta a tudo que aparecer. Mas essa resposta muda toda semana. Uma semana eu vejo um filme de ação e comédia e quero fazer algo tipo um assalto engraçado. Na outra, vejo um drama romântico e já começo a sonhar com isso. Mas, sinceramente? Se o papel for divertido e a equipe for boa, me chama que eu vou!
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