Deusnir Souza transforma trajetória em estreia marcante com o álbum “Harmonia de Gigante”

Luca Moreira
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Deusnir Souza (Lucas Guimarães)
Deusnir Souza (Lucas Guimarães)

De um curso caseiro gravado com recursos simples ao palco internacional do Namm Show, Deusnir Souza percorreu menos de uma década para transformar experiência, vivência e identidade musical em seu primeiro álbum autoral. “Harmonia de Gigante”, disponível nas plataformas digitais em 30 de outubro, resgata as origens do tecladista, cruza fronteiras entre jazz contemporâneo, música negra norte-americana e ritmos brasileiros, e reúne participações de grandes nomes da cena, consolidando uma nova fase na carreira do artista.

Deusnir, o álbum “Harmonia de Gigante” nasce de uma jornada que começou de forma simples, quase caseira. Quando você olha para aquele primeiro curso gravado por conta própria, o que mais te emociona em ver até onde essa ideia te levou?

O que mais me emociona é ver que algo que era apenas um curso online em 2019, tornou algo grande ao ponto de eu ser reconhecido na rua e depois se transformou também em álbum. Para falar a verdade, eu estava cético, achava que seria só mais um curso online, mas a palavra “harmonia de gigante” se tornou um mantra muito poderoso na vida das pessoas que me acompanham, então, é claro que eu tinha que deixar esse nome neste primeiro marco.

Você participou do Namm Show, um evento que muitos músicos sonham em conhecer. Como essa experiência fora do Brasil influenciou sua visão de música e o desejo de transformar “Harmonia de Gigante” em um projeto real?

A Namm Show me influenciou muito porque eu encontrei todas as minhas referências juntas em um lugar! Poder conversar com eles, poder trocar ideia e mostrar um pouco do meu trabalho pra eles foi algo que me inspirou muito pra eu poder chegar aqui no Brasil e criar o meu disco. O Doobie Powell mesmo, que é homenageado em uma das canções é um dos caras que me influenciou muito e eu tive a honra de encontra-lo na Namm.

Deusnir Souza (Lucas Guimarães)
Deusnir Souza (Lucas Guimarães)

Seu som une jazz, hip hop, samba, soul e choro — uma mistura que traduz tanto a ancestralidade negra quanto a brasilidade. Como você enxerga essa fusão entre a música que vem da alma e a que nasce da técnica?

Ambos ritmos são muito presentes desde a minha infância, mas eu acredito que tanto a técnica e a “alma” andam juntos. Um nasce do outro e vive pelo o outro.

A faixa “Hubert” é uma homenagem a Doobie Powell, e “A Paz” traz a força de Paula Lima. O que essas colaborações significaram para você, tanto artisticamente quanto pessoalmente?

“Hubert” é uma faixa que significa muito pra mim, porque eu encontrei o Doobie Powell pessoalmente e aí eu fiquei muito grato porque ele já me conhecia e isso me deu uma inspiração muito grande de homenageá-lo no disco. Já a faixa com a Paula Lima traz uma potência muito grande porque ela é um artista que acompanho desde que era criança e ela tem uma potência vocal e uma brasilidade muito grande e foi uma grande honra ter essa artista no meu disco por toda a grandeza que ela representa na música brasileira.

Deusnir Souza (Lucas Guimarães)
Deusnir Souza (Lucas Guimarães)

Em “Brotherhood”, você faz música literalmente com sua família — uma faixa que carrega afeto, memória e união. O que essa gravação revelou sobre o seu próprio conceito de pertencimento?

Como era o meu primeiro disco eu achei que seria muito importante ter minha família nele. Então a faixa “Brotherhood” sai do Groove que é a nossa influência desde sempre e o nome da faixa é por causa de uma tatuagem que eu e os meus irmãos temos no braço escrito. Além de mostrar que na minha família a musicalidade é muito presente.

Você cresceu em um ambiente onde “perder não era opção”. Que papel essa mentalidade teve na sua formação como artista e na sua maneira de enfrentar as dificuldades da carreira musical?

Eu cresci num ambiente onde tudo era muito escasso cresci numa comunidade e eu comecei a tocar quando morava nessa comunidade e desde que eu comecei a tocar o sonho de trabalhar com música de viver essa parada foi muito presente na minha vida só que eu achava que era uma utopia por causa das condições, eu achava que seria uma coisa impossível só que eu fui trabalhando muito duro sem desistir, tiveram momentos que eu quis desistir, porque é muito difícil você ser músico no Brasil. Só que eu fiz dessas diversidades combustível pra eu poder trabalhar e chegar nos meus objetivos. Hoje, graças a Deus, trabalho com música cem por cento e isso é muito gratificante.

O título “Harmonia de Gigante” pode ser lido como uma metáfora — tanto musical quanto de vida. O que significa, para você, ser “um gigante” na harmonia da própria história?

Quem ouve pode interpretar como prepotência ou arrogância. Mas, nesse caso, o termo “gigante” significa você ser resiliente e vencer as batalhas que aparecem no caminho, pra você se tornar gigante você tem que trabalhar muito duro pra chegar no seu objetivo, abdicar de muita coisa. Por exemplo, eu troquei, e ainda troco, muitas “festas” para estar ali estudando, dia e noite. Todo dia eu preciso pegar no teclado e tocar, aprender mais, se não, já me sinto enferrujado.

Esse álbum marca uma virada na sua trajetória: de instrumentista reconhecido para artista solo. O que você mais espera que o público sinta quando ouvir o seu som pela primeira vez, agora que ele carrega inteiramente o seu nome?

Eu espero que o público se conecte e que de alguma forma impacte a vida das pessoas, assim como fui impactado pra criar esse álbum. Que as pessoas tenham interesse em conhecer o meu trabalho e saiam das suas casas para ir aos meus shows. É muito louco ser o músico da banda, só que mais ainda ser o artista principal! Seu show, suas músicas, seu nome no flyer e assim por diante.

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