Veterana da cena indie e sucesso das paradas nos anos 80, Denise Marsa voltou a figurar entre os nomes mais comentados da dance music no Reino Unido. Após alcançar o Top 10 do chart Dance britânico em maio com o remix de “Kiss Me in the Rain”, a artista norte-americana lança agora “Company of Women” — um hino de irmandade e autonomia feminina que antecipa seu próximo álbum, Risk and Heal, previsto para 2025. Unindo letras marcantes e batidas envolventes, a faixa reafirma o espírito independente de Marsa, que segue comandando sua carreira por meio do próprio selo, a KeyMedia Group.
Você marcou presença nas paradas internacionais dos anos 1980 e agora retorna com força total na cena club do Reino Unido. Como é para você viver esse ressurgimento em um novo contexto musical e cultural, tantos anos depois?
Ótima primeira pergunta. Hoje, artistas têm muito mais liberdade e controle, algo que eu não tinha quando era mais jovem. As pessoas da indústria musical com quem eu lidava queriam me controlar e diziam que eu não podia fazer isso ou aquilo, e eu pensava: “então não podemos trabalhar juntas”. Era frustrante. Em 1997, decidi ser dona de todas as gravações master das minhas músicas, o que significava que eu teria que pagar para produzir meu álbum de estreia e também promovê-lo. Foi quando assumi o controle total da minha carreira.
“Company of Women – Until Dawn Remix” traz uma mensagem poderosa de autonomia e pertencimento. O que te inspirou a transformar essa afirmação de identidade feminina em uma faixa dançante que também funciona como hino de protesto?
Acredito que veio de um lugar profundo no meu inconsciente. Escrevi e gravei a música bem rapidamente, e conforme fui trabalhando nela, percebi que tinha uma vibração divertida e também uma boa mensagem. Acredito que as mulheres querem ter mais poder e protagonismo individual, e muitas ainda precisam lutar por isso. Eu apoio a irmandade e mulheres que apoiam outras mulheres.
A versão do álbum foi produzida por mim e por Paul A. Harvey, e Richie Wicander trabalhou comigo nos vocais principais e de apoio. Eu queria que fosse uma celebração das mulheres celebrando umas às outras e sendo respeitadas por todos. Quando Until Dawn trabalhou no remix para os clubs do Reino Unido, eles quiseram enfatizar ainda mais a mensagem. Foi uma colaboração brilhante.
Você não apenas compõe e interpreta suas músicas, como também as produz e promove. Quais são os maiores desafios e recompensas de assumir o controle criativo e empresarial da sua carreira?
Desafios: o tempo que tudo isso consome. Conforme minha carreira foi crescendo, minha atenção ao que estava ao meu redor, especialmente em relacionamentos amorosos, acabou sendo impactada. Eu mal tinha tempo para estar com alguém, porque meu foco estava totalmente na minha carreira.
Recompensas: ter 5 hits no Top 10 da parada de dance do Reino Unido é uma sensação maravilhosa — e agora estamos buscando o sexto. Há sacrifícios quando você assume boa parte do trabalho do dia a dia da sua carreira, especialmente quando você mesma é o motor que faz tudo acontecer. Mas eu sabia que era isso que precisava fazer para que meu trabalho fosse ouvido.
Em tempos em que a juventude é tão glorificada na indústria musical, sua trajetória mostra que a reinvenção não tem prazo de validade. Como você enxerga o envelhecimento dentro do universo do pop e da dance music, especialmente sendo uma artista mulher?
Concordo 100% com a sua afirmação — reinvenção não tem data de validade — e já disse muitas vezes: artistas mulheres não têm prazo de validade.
Eu vejo o envelhecer assim: se você está feliz, se gosta de si mesma, se se sente bem e se acha bonita, então deve fazer o que te faz sentir bem. Evito drogas, tanto ilegais quanto legais. Gosto de manter corpo e alma puros, me alimento de forma saudável e me cerco de pessoas boas e que me apoiam. Também mantenho um lar tranquilo, sem exageros com álcool.
Acreditar em um sonho, ter determinação e esperança são energias que nos mantêm jovens. Eu cultivo essas emoções.
Sempre imaginei que o sucesso viria mais cedo, e de fato veio, mas também foi embora. Parte de mim o afastou, porque não era como eu esperava. Sempre disse para mim mesma que o universo tinha um propósito diferente para mim — uma razão para ser e para escrever as músicas que saem de dentro de mim. Decidi, há algum tempo, confiar no universo e focar na minha arte. Ao seguir esse instinto inexplicável que sempre tive, aprendi a confiar em mim mesma também.
“Kiss Me in the Rain” chegou ao Top 10 da parada dance do Reino Unido em 2024, graças a um remix vibrante. Como foi o processo de recriar essa faixa com o Until Dawn e o que você achou da recepção nas pistas?
Foi o primeiro remix que lancei, e foi mágico. Até hoje, foi o que alcançou a posição mais alta (#6) entre os cinco hits no Top 10. Quando entrou nas paradas, fiquei em êxtase. Senti que o momento em que escolhi promover meu trabalho foi o certo.
Parece que minha colaboração com Until Dawn e os promotores dos clubs do Reino Unido, a Eurosolution, veio na hora perfeita. Toda a espera e expectativa valeram a pena — minha janela se abriu e eu voei para fora e para cima.
Você também tem uma carreira em relações públicas e usa sua experiência para apoiar outros artistas. Como essa dupla perspectiva — artista e publicista — influencia a forma como você navega no mercado musical atual?
Hoje, sinto uma habilidade inata de me promover muito melhor, porque tenho experiência tanto na frente quanto nos bastidores. Consigo me colocar no lugar de outras pessoas também. Meu senso criativo se expandiu. Estou sempre pensando fora da caixa — gosto de mudar as coisas.
RISK AND HEAL, seu próximo álbum, já começa com um tom de afirmação e vulnerabilidade. O que você pode nos contar sobre o conceito desse novo projeto e como ele reflete seu momento atual na vida?
Parte de mim acha que é meu canto do cisne. Estou nessa estrada há muito tempo! E lembra dos sacrifícios que mencionei antes? Demorei muito para fazer meu primeiro álbum e levei o mesmo tempo para fazer o segundo. Depois, lançamos alguns singles e um terceiro álbum com faixas inéditas de várias décadas (SECOND SOUL), depois veio PIVOTAL, e agora o próximo será RISK AND HEAL, com Company of Women – Until Dawn Remix como faixa de abertura. É sobre minha vida dedicada à música.
Você canta sobre independência com uma honestidade inspiradora, mas também fala de conexão e irmandade. O que significa para você, hoje, estar cercada da “companhia de mulheres” — na música, na vida e na luta?
Ser respeitada, honrada, amada e valorizada! E estou falando por outras mulheres também. Quero pegar cada mulher pela mão, girarmos todas juntas e cercarmos este planeta complicado e em constante mudança… nutrindo umas às outras, e não nos destruindo. De modo geral, as mulheres acolhem e nutrem — é nosso instinto — e não podemos desistir disso. Nós governamos o mundo. Obrigada pelo apoio!
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