Cesar Eduardo da Silva

Cesar Eduardo da Silva fala de importância da criatividade e pensamento crítico no processo de otimização de processos em empresas

Luca Moreira
11 Min Read
Cesar Eduardo da Silva

Em um ambiente industrial onde cada decisão pode definir o destino de uma empresa, “Cientista Industrial” emerge como um farol de inovação e resolução de problemas. Este livro, escrito pelo renomado especialista em otimização de processos, Cesar Eduardo da Silva, é um verdadeiro manual para quem deseja transcender os limites do convencional e alavancar eficiência e qualidade no setor. Com uma trajetória invejável, liderando mais de 2,5 mil projetos em empresas de renome como WEG e Electrolux, Silva compartilha suas experiências e métodos que prometem transformar o profissional da indústria em um verdadeiro cientista capaz de enfrentar e solucionar os mais complexos desafios.

Diferenciando-se de outros textos do gênero, “Cientista Industrial” propõe um mergulho profundo no desenvolvimento de um mindset inovador, utilizando a lógica criativa e o método científico para não apenas enfrentar, mas antecipar problemas, elevando a competitividade e sustentabilidade dos processos industriais. O livro não apenas aborda técnicas para aprimoramento contínuo, mas também discute dilemas contemporâneos como a desarticulação entre as promessas da Indústria 4.0 e a realidade das habilidades profissionais, oferecendo um caminho para a verdadeira inovação preventiva e a excelência operacional. Uma obra indispensável para os profissionais que buscam não só adaptar-se às mudanças, mas liderá-las, “Cientista Industrial” é a chave para desbloquear um novo patamar de sucesso e eficiência na indústria.

Como você descreveria a importância da abordagem do “Cientista Industrial” para a eficiência e a produtividade na indústria?

É uma abordagem alternativa e inteligente ao aumento da produtividade empresarial, pois faz uso de um método fundamentado no raciocínio crítico e criativo. Estas habilidades podem ser aperfeiçoadas nos profissionais da indústria que trazem soluções nunca imaginadas com uso do método. Você está fazendo o melhor que pode com os recursos que tem?

Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao liderar projetos de otimização em grandes empresas?

Vários, talvez um dos maiores seja o ego de alguns gestores, a vaidade de algumas pessoas, e a falta de disciplina para ação. Explico: Ego: Quando se troca a gestão, se vê com frequência o gestor novo destruindo aquilo que o anterior fez, seja eliminando investimentos, demitindo pessoas ou cortando o “cafezinho”.

Sobre a vaidade: Com frequência se vê belos discursos nas aberturas de programas de melhoria em empresas, entretanto o que interesse são as ações praticadas. A vaidade é observada quando o gestor da empresa direciona sua equipe para executar ações que vão lhe beneficiar em detrimento de ações que beneficiem a empresa.

Em seu livro “Cientista Industrial”, você menciona a necessidade de combinar pensamento crítico, criatividade e rigor científico para alcançar resultados excepcionais. Como esses elementos se manifestam em suas experiências práticas?

Em nossos 2500 projetos executados na indústria, pudemos observar a variação de desempenho das pessoas na execução de projetos, e nos últimos anos prestamos mais atenção aos 5% muito acima da média. Como bons treinadores de cientistas conseguimos decifrar o método que chamamos de Criatividade Lógica em seu comportamento, e percebemos que eles usavam estes elementos no seu dia a dia. No livro está compilado o detalhamento do que estes 5% muito acima da média fazem na prática, ilustrado com exemplos reais de como fizeram.

Você aborda a importância da inovação preventiva em sua obra. Poderia nos explicar mais sobre esse conceito e como ele pode ser aplicado na indústria?

Este é um dos conceitos do pilar 1 da Criatividade Lógica. Observamos este conceito sendo aplicado na prática pelos 5% acima da média. Eles utilizavam-no para estar sempre um passo à frente dos demais. Em um caso que está no livro, um dos Cientistas Industriais recebeu a ordem de cortar 10% de seu orçamento, então utilizando o método ele fez um projeto que permitiu cortar 50% no gasto de uma determinada peça de reposição (manutenção), sem alterar a qualidade, o que o colocou um passo à frente de seus pares que obedientemente cortaram 10% sem pensar.

Em um mercado padrão, como a indústria pode se diferenciar e se destacar? Quais são os principais aspectos que devem ser considerados nesse processo?

Para onde quer que você olhe, em qualquer lugar que você esteja há um produto de alguma indústria. O Cientista Industrial permite destaque àquela indústria que adota o método porque esta passa a ficar mais eficiente, custo menor, melhor qualidade e fica mais inovadora. O profissional passa a ter destaque pois também fica mais inovador, gera valor e, em consequência, é valorizado.

Cesar Eduardo da Silva
Cesar Eduardo da Silva

Você menciona o dilema da Indústria 4.0 com pessoas 0.4. Poderia nos dar mais detalhes sobre esse dilema e como ele afeta a dinâmica industrial atual?

A Indústria 4.0 engloba um amplo sistema de tecnologias avançadas como inteligência artificial, robótica, internet das coisas e computação em nuvem que estão mudando as formas de produção e os modelos de negócios. Estas tecnologias geram uma quantidade absurda (e barata) de dados. A grande questão que coloco é quem vai interpretar os dados que estão sendo gerados? Quem vai guiar a inteligência artificial para uso específico em seu negócio? Quem vai fazer as boas perguntas para a IA? Quem vai discernir quais dados são úteis e quais são lixo (sinal e ruído)?

Vejo em 2024 indústrias com diretores que, ao primeiro sinal de queda em vendas demite as pessoas que ganham mais, ou os investimentos em capacitação de seu pessoal. Este é um belo exemplo de uma indústria 4.0 com gestor 0.4. Neste cenário de que adianta um robô de solda com IA se o modelo de gestão é dos anos 70?

Como você sugere que os profissionais utilizem o raciocínio criativo em ambientes que não estimulam a criatividade?

Muitos profissionais que vi usando o raciocínio criativo, não se julgavam criativos. Porém percebemos que quando passamos a falar dos conceitos de criatividade em projetos, como abertura a serendipidade, ou exaltação de ideias; as pessoas passaram a ser mais criativas.

Você tem que se preparar e treinar para ser criativo, e isso é perfeitamente viável para as pessoas que desejam ser melhores naquilo que fazem. Uma dica prática para o leitor é: Exercite a curiosidade, pergunte não só “como” algo funciona, mas pergunte também “porquê” funciona. Só isso muda bastante seu ponto de vista.

Em seu livro, você aborda a questão de quando desistir ou adiar ser o melhor caminho. Poderia compartilhar exemplos práticos ou diretrizes sobre como tomar essa decisão?

Alguns projetos chegam a um ponto em que não são mais viáveis, seja economicamente ou mesmo em timing. A grande questão é usar o pensamento crítico para perceber. Falo sobre a falácia do Concorde, que foi um projeto que chegou um momento que havia gastando tanto dinheiro a mais que o planejado que seus líderes resolveram finalizar a qualquer custo. E o resultado todos conhecem, não há nenhum avião Concorde voando, faz tempo.

Isso fere um dos axiomas dos investidores suíços: “Quando você estiver perdendo no cabo de guerra para um tigre, solte a corda, pois você sempre poderá comprar uma corda nova. Não posso falar o mesmo do seu braço”. A grande habilidade a ser desenvolvida nos profissionais portanto, é o raciocínio crítico e criativo.

Você destaca a importância de desenvolver uma mudança de perspectiva para promover a economia de recursos e a redução de desperdício na indústria. Como os profissionais podem iniciar essa mudança em suas práticas diárias?

Além da contabilização comum de custos, onde fazemos estudos econômicos para verificar a viabilidade econômica de um projeto, os custos devem ser vistos sob a forma de valor. O que aquele determinado custo para a empresa entrega de valor e à quem. E aqui não estou falando só de dinheiro, por exemplo: Se você faz um espaço para as pessoas tomarem café em sua empresa, favorecerá alguns pontos do raciocínio criativo, como a incubação de ideias. A maioria das pessoas vão aos cafés para dar uma pausa ou desestressar, e esse é o melhor momento para a troca de ideias e destravar muitas questões que anteriormente pareciam insolúveis para aquele profissional. Se você corta este “custo” na sua empresa a curtíssimo prazo tem economia, e a longo prazo tem grande prejuízo, então quando se fala em custo passe a pensar além do dinheiro.

Para os profissionais que buscam se destacar e inovar em suas áreas de atuação, quais são os passos iniciais que você recomendaria, com base nos ensinamentos do seu livro “Cientista Industrial”?

Assim como os produtos, as perguntas também têm qualidade. Umas tem baixa, outras são aceitáveis, e outras são muito boas. Procure melhorar a qualidade das perguntas que você faz em seu dia a dia. Procure melhorar sua rede líquida (outro conceito do raciocínio criativo) indo a eventos profissionais, fazendo cursos, falando com experts, lendo livros… Assim você aperfeiçoa o bom profissional que já é, esse é o espírito do Cientista Industrial.

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