O projeto Capim Cósmico, criado por Mateus Cursino, apresenta o single Mais um Dia, faixa que traduz em som as sensações silenciosas do cotidiano, como o cansaço, a repetição e a busca por pequenos respiros na rotina. Com influências do rock alternativo, indie e psicodelia contemporânea, a canção aposta em uma atmosfera densa e imersiva para provocar identificação e reflexão no ouvinte. Em entrevista, o artista comenta o processo criativo da música, marcada por uma construção autoral em que ele assina todos os instrumentos, além de destacar o momento de consolidação da identidade sonora do projeto.
A canção “Mais um Dia” nasce da observação do cotidiano e dos ciclos repetitivos da vida. Em que momento você percebeu que esses sentimentos silenciosos poderiam se transformar em música?
“Mais um Dia” surgiu da rotina cansativa do dia a dia de uma pessoa comum, com afazeres comuns como tirar o lixo, trabalhar e aos poucos isso vai nos esgotando sem ficar muito perceptível. Em algum momento percebi que esse acúmulo silencioso tinha força suficiente pra virar música.
A faixa aborda temas como rotina, culpa e cansaço — experiências muito comuns, mas nem sempre fáceis de traduzir artisticamente. Como foi transformar essas sensações em letra e atmosfera sonora?
Tentei traduzir mais o clima do que explicar tudo. A música carrega essa sensação cíclica e meio hipnótica, refletindo esses sentimentos.

No processo de produção, você gravou todos os instrumentos sozinho. O que esse formato mais solitário de criação trouxe de diferente para o resultado final da música?
Gravar sozinho me deu liberdade total porém é sempre um fator limitante. Gravei bateria sem ser baterista e isso deixou a musica bem simples. Mas é uma coisa que gosto bastante, da simplicidade e da urgência.
Musicalmente, o single passeia pelo rock alternativo, indie e psicodelia contemporânea. Quais artistas ou referências ajudaram a moldar a sonoridade que você buscou para o Capim Cósmico?
Tem influências de Cachorro Grande, Maglore e Boogarins mas também por bandas gringas como Nirvana e Pixies.

Os timbres e efeitos de guitarra parecem ter um papel importante na construção da narrativa da música. Como você pensa esses detalhes sonoros na hora de transmitir emoção dentro da canção?
Essa musica eu comecei pela bateria, pois queria criar algo calmo nos versos e mais pesado no refrão, por isso a parte rítmica foi muito importante. Os efeitos ajudam a criar a atmosfera psicodélica dos versos enquanto que o drive muda tudo no refrão.
A proposta de “Mais um Dia” é gerar identificação com quem ouve. Que tipo de reação ou sensação você espera provocar nas pessoas quando elas escutarem a faixa?
Espero gerar identificação com àquelas pessoas cansadas do trabalho, da rotina diária e do afazeres comuns da vida adulta.

Você já teve experiências importantes em palcos como o Sesc Belenzinho e festivais como o Hacktown, além da trajetória com a banda Velhos Aspargos. De que forma essas vivências ajudaram a moldar a identidade do Capim Cósmico?
Engraçado que as vezes parece não ajudar muita coisa. Recomeços são sempre muito difíceis e o Capim foi um projeto que comecei do zero, gravando tudo sozinho. Hoje conto com o Fernando e o Alberto na banda o que me da um suporte legal para continuar.
Esse single também abre caminho para um disco completo. Que novos caminhos ou universos sonoros o público pode esperar conhecer nos próximos capítulos do projeto?
O disco vai expandir esse universo, com momentos mais densos, viajados e introspectivos. Também surgiu algumas outras composições durante todo o processo que me deixou com ainda mais opções. Vai ter um pouco de influencia de sonic youth e isso é bem legal.
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