Bob & Brudy apostam em romance e crítica bem-humorada no single “Jogo do Amor”

Luca Moreira
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Bob & Brudy (BebirdFoto)
Bob & Brudy (BebirdFoto)

A dupla Bob & Brudy lança no dia 20 de fevereiro o single “Jogo do Amor”, pela Marã Música, apresentando ao público um recorte vibrante do universo que marca o álbum Marginal Country ‘N’ Grass. Misturando country rock, bluegrass e referências populares brasileiras, a canção transforma o jogo do bicho em metáfora para um amor arriscado, costurando romance, ironia e crítica social com leveza e autenticidade. Em entrevista, a dupla fala sobre a inspiração que nasceu do cotidiano do interior, o processo criativo orgânico no Chalé de Ipê e a proposta de valorizar histórias simples, mas profundamente humanas, que refletem a identidade do povo brasileiro.

 “Jogo do Amor” parte de elementos muito brasileiros, como o jogo do bicho e o ambiente do interior. Em que momento vocês perceberam que essas referências do cotidiano tinham força suficiente para virar música e contar uma história de amor?

A gente acredita que tudo pode virar música. As coisas pequenas do dia a dia têm um potencial enorme, ainda mais quando falam de algo tão brasileiro e tão único. Quando juntamos esse universo popular com uma história de amor, ficou claro pra gente que ali tinha uma narrativa forte e verdadeira.

A canção fala sobre essa dualidade entre sorte e azar, ganhar e perder. Vocês acreditam que o amor, na vida real, também é um tipo de aposta?

Com certeza. Esse foi exatamente o clima que a gente quis trazer: a dúvida da aposta, o risco — calculado ou não — de algo que você nunca controla totalmente. O jogo e o amor se parecem muito nesse sentido: podem te dar um prêmio incrível ou te deixar só com a sensação de ter perdido.

O universo do buteco, das conversas simples e das margens da sociedade aparece com carinho na narrativa. Que lembranças pessoais ou vivências de vocês ajudaram a construir esse imaginário tão verdadeiro na música?

Vem muito da vivência mesmo. A gente chegou a conviver com um bicheiro que fez parte de um projeto musical nosso, onde ele era o baterista. Essas figuras, esses ambientes e essas histórias acabam entrando naturalmente na música, porque fazem parte da nossa realidade.

A sonoridade orgânica e mais crua parece reforçar essa sensação de proximidade e verdade. O que vocês buscavam transmitir emocionalmente com esse tipo de produção mais intimista?

A ideia foi trabalhar nessa margem entre o folk, o country e o bluegrass, trazendo uma sensação mais eletroacústica pra música. A gente acredita muito na força desses estilos e sente que eles ainda são pouco explorados no Brasil. Essa sonoridade ajuda a deixar tudo mais próximo, mais honesto.

Bob & Brudy (BebirdFoto)
Bob & Brudy (BebirdFoto)

A ideia da música surgiu a partir de um encontro inesperado com a história de um bicheiro. Vocês gostam de observar e transformar acontecimentos cotidianos em arte? Esse olhar atento faz parte do processo criativo da dupla?

Sim, totalmente. A maioria das músicas é escrita pelo Brudy Jones, que tem esse olhar atento para o cotidiano. Ele percebe histórias simples, causos do dia a dia, e transforma isso em música. Muitas vezes é daí que surgem as composições mais bonitas.

O single apresenta um pouco do universo do álbum “Marginal Country ‘N’ Grass”. Que tipo de Brasil vocês querem retratar ao longo desse projeto?

O Brasil do jeito que ele é. A partir da ótica do matuto do interior, que hoje se mistura com a modernidade dos tempos atuais. A gente quer mostrar que o povo do interior é maioria no Brasil, sem estereótipos de que são pessoas bobas ou atrasadas. Existe muita riqueza cultural ali, e o disco tenta retratar isso misturando estilos e visões.

Bob & Brudy (BebirdFoto)
Bob & Brudy (BebirdFoto)

O clipe traz referências bem populares, como Mazzaropi, Os Trapalhões e Hermes & Renato. Como foi equilibrar humor, crítica social e romance dentro dessa estética mais leve e divertida?

Isso já é algo muito natural no nosso DNA artístico. Não foi nada forçado. O humor, a crítica e o romance aparecem de forma espontânea, por isso o resultado fica leve, verdadeiro e sem forçar a barra.

“Jogo do Amor” é descrita por vocês como um trabalho feito “na raça e com o coração”. Em que momento da carreira vocês sentem que estão agora: de aposta, de construção ou de colheita?

A gente sente que está num momento de construção.

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