“Bem Te Vi”: Nina Camillo encanta com novo single e videoclipe reflexivo

Luca Moreira
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Nina Camillo (Amilcar Neto)
Nina Camillo (Amilcar Neto)

Nina Camillo mergulha no universo do neo soul com “Bem Te Vi”, uma composição própria em colaboração com Tiago Frúgoli. Com influências de Hiatus Kaiyote e Erykah Badu, o single promete uma viagem sonora única, enraizada no melhor da música brasileira. O lançamento é acompanhado de um videoclipe dirigido por Pedro Maciel, que usa a metáfora de um espelho quebrado para explorar temas de autoaceitação e confiança.

Quais foram suas principais influências musicais para a criação de “Bem Te Vi”? Como artistas como Hiatus Kaiyote e Erykah Badu impactaram sua abordagem musical?

Enxergo mais a influência do Hiatus nos acordes do início, na forma que a música começa e indo para algo mais brasileiro no refrão. Já a Erykah é algo mais sobre a construção de música em blocos, como se fossem samples. O baterista que gravou (Vitor) até adicionou, sem eu pedir, umas percussões porque o lembrou de “Didn’t Cha Know”.

Você mencionou que a música surgiu de um processo espontâneo e muito intuitivo. Pode nos contar mais sobre esse processo? Como você geralmente inicia a criação de uma nova música?

Eu sempre amei cantarolar palavras, coisas do momento. Viajava muito de carro para Ubatuba (vindo de Campo Grande, em torno de 13 horas de viagem) quando criança e eu cantava cada coisinha que estivesse na paisagem ou que me viesse na cabeça. Sempre foi natural, tanto que hoje mantenho isso. Geralmente crio uma harmonia e só deixo sair o que me vier à mente. Às vezes parto só da voz, mas é mais raro.

“Bem Te Vi” carrega uma mensagem de autoaceitação e confiança. Como essa temática se conecta com suas experiências pessoais e por que é importante para você compartilhar isso através da sua arte?

Essa mensagem se conecta totalmente às minhas experiências pessoais. Venho de um contexto muito forte de bullying por causa de uma doença de pele que tive quando criança e isso impactou muito na forma que eu me via e me julgava. Sempre tive muito medo do olhar do Outro e (curiosamente) de me olhar no espelho. Música sempre foi um refúgio meu, então a ideia de abrir isso para o mundo foi um processo bem difícil para mim. Lembro de ter contextos de apresentações que eu só tremia e sentia um nó na garganta de tanta ansiedade.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou ao seguir sua carreira na música e como você o superou? Há algum momento particularmente gratificante que você gostaria de compartilhar?

Por enquanto, me apresentar. E não teve muito jeito, só fazendo mesmo, e pude explorar mais dessas experiências na faculdade de música. Um momento gratificante que está atrelado a isso foi quando tive a oportunidade de tocar no antigo Bona para fazer um pocket show. Foi emocionante tocar minhas músicas autorais com banda e ver amigos cantando junto. Saí de lá eletrizada.

Você teve um papel ativo na produção de “Bem Te Vi”, incluindo a direção da estética e a edição dos baixos. Como foi esse processo para você e o que aprendeu com ele?

Eu tive um papel ativo, mas não posso deixar de mencionar o Tiago. Eu sabia como gostaria que as faixas soassem, mas não sabia como fazer a coisa acontecer. Ele sabia quais instrumentistas chamar e me explicou tudo, como baixos com diferentes captadores soariam, as escolhas possíveis de arranjo. Mesmo quando existia uma discordância, a decisão final era minha e a gente enxerga esse processo muito como uma continuação das nossas aulas. O Tiago foi meu primeiro professor de piano, então foi quase como uma aula de produção musical. Tive a sorte de ter uma pessoa com mente de educador na minha vida. Eu não queria assumir esse papel (e cantoras nunca são incentivadas a assumir) e ele me estimulou muito a fazer minhas próprias escolhas, porém somos muito alinhados de gosto. Concordamos mais que discordamos e foi uma experiência bem especial para a gente, quase uma cereja no bolo e uma consolidação de amizade pós uma relação professor-aluno.

Nina Camillo (Amilcar Neto)
Nina Camillo (Amilcar Neto)

O videoclipe apresenta uma abordagem visual bastante simbólica, com você cantando diante de um espelho quebrado. Como essa ideia surgiu e o que ela representa para você?

Isso aconteceu sem querer. Nossa ideia com “Bem Te Vi” era mais gravar um visualizer comigo sem grandes profundezas. Eu e o Pedro (diretor) passamos mais tempo pensando nos outros dois clipes (de Vem Pro Céu e Flor Da Pele), mas quando chegamos na locação nos deparamos com esse espelho e surgiu a ideia de gravar com ele, o que tornou tudo muito mais especial. Foi forte gravar olhando para mim e acredito que não acessaria o tanto de emoções que acessei se tivéssemos feito um simples visualizer. Vai saber, foi meio coisa do destino.

A banda de apoio em “Bem Te Vi” traz uma combinação talentosa de músicos. Como foi o processo de trabalhar com eles e como vocês chegaram a esse arranjo final?

O processo foi totalmente fora do normal, né? A bateria, por exemplo, foi gravada à distância pelo Vitor na época da pandemia, então só fiquei com uma boa impressão virtual. Já o baixo, gravamos na casa do Noa todo mundo de máscara. Esse dia foi incrível para mim, nunca tinha visto um instrumentista tão experiente criar em cima de uma composição minha, e pude sentir aquela sensação de êxtase que mencionei. Saí de lá eletrizada (risos). O único músico que pude gravar em estúdio mesmo foi o Sidmar, trompetista das canções, que foi um lorde comigo. Dessa vez, o Tiago não me acompanhava e eu estava receosa com a gravação, mas deu tudo incrivelmente certo. Foi um privilégio trabalhar com pessoas tão talentosas e elas foram imprescindíveis para a faixa ser como é.

Após o lançamento de “Bem Te Vi”, quais são seus planos? Você está trabalhando em mais músicas novas ou tem outros projetos em mente?

Tenho algumas coisinhas em mente! Estou finalizando mais três faixas para completar um EP com esses lançamentos, e preparando um show para maio que em breve divulgarei a data. Além disso, estou voltando a pegar algumas composições minhas para ver como arranjar, se me arrisco com alguns elementos mais eletrônicos… Estou animada, se essas músicas minhas cresceram do jeito que cresceram, eu não tenho a menor ideia de como vão ficar as próximas e isso me anima.

Que conselho você daria para artistas emergentes que estão tentando encontrar sua voz e caminho na indústria musical?

Vamos ser amigos e persistir juntos!

Como você espera que seu público receba “Bem Te Vi”? Existe alguma mensagem específica ou sentimento que você espera despertar nos ouvintes?

Espero que com carinho, quero que as pessoas possam sentir esse abraço que essa música é para mim.

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