Ayumi estreia na música com single pop que transforma desilusão amorosa em leveza e identidade

Luca Moreira
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A cantora e compositora paulistana Ayumi, de apenas 17 anos, dá o primeiro passo oficial em sua trajetória musical com o lançamento de “Loucura Minha”, uma canção pop que aborda as diferentes fases de um relacionamento e o processo de superação após o fim. Com uma sonoridade leve, bem-humorada e emocionalmente honesta, a faixa apresenta uma artista jovem, mas já consciente de sua voz e de suas referências, traduzindo sentimentos intensos com frescor e sensibilidade.

Inspirada na ideia de que relações amorosas passam por ciclos — assim como as estações do ano —, “Loucura Minha” fala sobre exageros emocionais típicos da juventude e sobre a capacidade de seguir em frente. Ayumi equilibra vulnerabilidade e maturidade ao transformar desilusões em aprendizado, apostando em um pop acessível que dialoga com o público de sua geração sem perder identidade.

O lançamento chega acompanhado de um videoclipe com estética retrô e influências orientais, inspirado no pop do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. No visual, Ayumi destaca sua ancestralidade japonesa de forma delicada e consciente, especialmente na maquiagem e no cabelo, reforçando a conexão entre imagem, música e identidade. “Loucura Minha” marca, assim, uma estreia promissora, apresentando uma artista em formação que une referências culturais, olhar autoral e vontade de experimentar novos caminhos na música pop brasileira.

Se você pudesse escolher uma estação para representar o momento em que está agora, qual seria — e por quê?

Acho que hoje eu estou muito no início da primavera. Aquele comecinho em que as coisas começam a florescer e você percebe que tem algo novo surgindo. Como estou morando fora, estudando, e vivendo muita coisa pela primeira vez, sinto que estou nessa fase de descobertas mais leves, em que tudo está se abrindo devagar.

No clipe, você traz referências orientais como forma de exaltar sua ancestralidade japonesa. O que significou ver essa herança refletida pela primeira vez no seu trabalho artístico?

Mesmo que eu sempre tenha me sentido muito brasileira, trazer essa referência na parte visual — principalmente cabelo e maquiagem — foi como encontrar um espaço confortável entre quem eu sou e de onde eu venho. Não foi algo pensado para representar tradições culturais em si, porque eu não tive tanto contato assim crescendo, mas foi uma maneira de valorizar meus traços, sabe? De olhar pra câmera e pensar: “essa aqui sou eu, do jeito que eu realmente pareço”.

A música aborda a intensidade – às vezes até exagerada – das paixões na juventude. Qual foi o momento em que você percebeu, na vida real, que estava amadurecendo emocionalmente?

Eu percebi que estava amadurecendo quando entendi que superar também é uma fase natural das coisas, e que nem tudo precisa ser vivido no auge do drama pra ter significado. Quando comecei a ver isso de maneira mais racional, sem levar tudo pro pessoal, percebi que eu tinha mudado. Acho que o amadurecimento veio justamente dessa combinação entre reflexão e distância.

Você se inspira em histórias, filmes e livros. Qual obra literária ou cinematográfica mais te ajudou a dar forma a “Loucura Minha”?

Eu não costumo compor sobre a minha própria vida, então sempre busco imagens e referências de outras narrativas. No caso de “Loucura Minha”, eu tinha muito essa ideia de ciclos, de alguém revisitando o passado. Não foi uma obra específica, mas filmes mais contemplativos que trabalham memória e tempo acabaram influenciando esse universo. Eu misturo essas referências com a sonoridade que quero e deixo a história se construir sozinha.

Suas referências vão de Anavitória a The Smiths, de Taylor Swift a Joni Mitchell. O que desse caldeirão musical aparece de forma mais forte na sua estreia?

Eu acho que aparece um pouco de tudo, mas de maneiras bem sutis. Do pop brasileiro, especialmente Anavitória, eu trago essa delicadeza na melodia. Já do cenário internacional, o que mais se destaca é a forma narrativa — algo que a Taylor Swift, a Joni Mitchell e até trilhas de teatro musical me inspiram bastante. Apesar disso, “Loucura Minha” ainda é muito minha, porque ela junta referências, histórias e a estética musical que eu queria desde o começo.

O pop atual fala muito de amor, dor e superação. O que você acredita que “Loucura Minha” entrega de diferente?

Acho que ela entrega um olhar mais observador do sentimento. Eu escrevi pensando mais na história que queria contar do que em uma experiência própria. E, apesar de ser uma música sobre um relacionamento que acabou, ela tem um bom humor leve, que tenta equilibrar a melancolia da narrativa. É uma música sobre superação que não se leva tão a sério — o que acaba dando a ela uma identidade diferente dentro desse universo.

Você mencionou que suas inspirações mudam muito e que o EP pode surpreender. Que caminho artístico você tem sentido vontade de explorar, mesmo que pareça distante?

Eu ainda estou descobrindo, pra ser sincera. Como minhas referências mudam muito conforme o que estou lendo ou ouvindo, eu gosto de pensar que o EP ainda é uma página em branco. Mas, ultimamente, tenho sentido vontade de experimentar uma sonoridade mais acústica e intimista, algo que deixe as letras mais em destaque — até porque estou estudando poesia e isso acaba influenciando. Ao mesmo tempo, nada impede que eu vá para um lado totalmente diferente, mais pop e mais visual. É um processo bem aberto.

Estudando literatura e poesia na Michigan State University, o que você descobriu sobre si mesma nesse processo de aprender a transformar vivências e imaginação em canções?

Escrever canções, pra mim, é colocar referências no lugar certo, escolher imagens, construir cenas. E, ao mesmo tempo, percebi que mesmo quando eu não falo de mim, de alguma forma sempre tem um pedaço meu ali, mesmo que seja na escolha das palavras ou no tom da história. As aulas têm me ajudado a entender melhor esse equilíbrio entre técnica e sensibilidade — e isso tem sido muito importante pra mim como compositora.

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