Com apenas 13 anos, Miguel Martines dá um passo decisivo em sua trajetória artística ao estrear no cinema brasileiro como um dos protagonistas de O Filho de Mil Homens. No longa, dirigido por Daniel Rezende, o jovem ator interpreta Camila, um menino órfão acolhido por Crisóstomo, personagem vivido por Rodrigo Santoro, em uma narrativa sensível sobre afeto, pertencimento e transformação. Gravado em Búzios (RJ) e Igatu, na Chapada Diamantina (BA), o filme marca a primeira adaptação cinematográfica de uma obra do escritor Valter Hugo Mãe e revela um novo talento do audiovisual nacional em um papel que exige maturidade emocional e entrega cênica.
Miguel, estrear no cinema como protagonista já aos 13 anos é algo muito especial. Como você se sentiu quando soube que tinha sido escolhido para o papel?
Não dá nem para explicar a emoção que eu senti. Minha agência sempre faz uma chamada de vídeo para anunciar os aprovados, e quando veio essa chamada, a gente tremia, ria e chorava. Era o meu sonho! Eu não imaginava que seria aprovado, por não ter experiência. Achei que não fosse possível.
O seu personagem, Camilo, vive situações delicadas e cheias de emoção. O que mais te tocou na história dele?
O poder da transformação! O Camilo tinha um perfil fechado, talvez preconceituoso, que julga no começo da história. Não por ele, mas pelo meio em que foi criado e pelas coisas que aprendeu na vida — acho que até pelo próprio sofrimento dele. Mas o contato com o Crisóstomo dá a ele uma nova imagem do mundo. Isso foi lindo!
Essa foi sua primeira experiência em um set de cinema. O que mais te surpreendeu durante as gravações?
Acho que quando bate a claquete e falam “gravando”, tudo fica meio mágico: os personagens chegam, a emoção vem! Outra coisa muito incrível é que tudo é possível em um set de gravação. Colocam luz onde precisa, aparecem machucados e, até quando o personagem morre, parece que ele morreu de verdade!

Você precisou conciliar escola, estudos de atuação e as filmagens. Como foi organizar essa rotina e o que você aprendeu com isso?
Durante as gravações, eu fazia aulas com professores da produção e seguia o mesmo conteúdo que meus colegas de escola. Mantive o mesmo ritmo escolar: fiz trabalhos, provas, aulas, todas as atividades. As atividades da escola eram sempre no período oposto das gravações — se eu gravava de manhã, estudava à tarde. E deu tudo certo! Tive todo o apoio da produção do filme, dos professores que me acompanharam, da minha escola e da minha mãe. Aprendi que é preciso se organizar e ser comprometido, mas que, tendo força de vontade, tudo dá certo!
Contracenar com um ator experiente como Rodrigo Santoro deve ter sido marcante. O que você aprendeu observando e trabalhando com ele?
O Rodrigo é incrível! A gente brincava sempre, se divertia muito. Foi uma escola estar ao lado dele. Consegui ver como ele se concentra para as cenas, como se prepara para o personagem, como respeita a equipe e como ouve o diretor. Cada detalhe foi aprendizado. Eu não senti o peso de ele ser quem é; senti segurança por estar ao lado dele.
Aliás, todos do elenco e da equipe me deram segurança para fazer as cenas. Foi bom demais! Um privilégio poder gravar com o Rodrigo e com pessoas tão especiais.
O filme foi gravado em lugares muito diferentes, como Búzios e a Chapada Diamantina. Qual desses cenários mais te marcou e por quê?
Os dois lugares são lindos! A Chapada Diamantina parece que foi desenhada: as pedras, as casas, os caminhos… Mas o que mais me marcou foi a casa azul na praia de Búzios. Aquela casa no meio de uma praia deserta, com uma paisagem maravilhosa, é impossível de esquecer.

Mesmo sendo tão jovem, você precisou lidar com emoções fortes em cena. Como você se preparava emocionalmente para gravar?
Nós tivemos um mês de preparação. Nossa preparadora foi a Estrela, Estrela Straus, e ela é uma atriz maravilhosa, muito sensível. Começamos a vivenciar as emoções de cada personagem e também a criar vínculos entre o elenco. O nosso diretor também estava lá e deu toda a segurança e suporte. Eu “emprestei” meu corpo para o Camilo, e ele tinha muita dor, então era só deixar isso vir. Também tive o apoio da minha mãe durante toda a gravação e da minha psicóloga.
Depois dessa estreia no cinema, o que você sonha viver como ator no futuro — dentro ou fora das telas?
Quero gravar mais! E mais, e mais! Não sei o que me espera no futuro, mas quero continuar vivendo experiências como essa que eu tive!
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