Aline Prado vive nova fase na carreira e se prepara para estrear no cinema com Família de Sorte

Luca Moreira
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Aline Prado
Aline Prado (Lucas Dias)

Da menina que começou a dançar em um projeto social no morro do Andaraí à atriz que hoje acumula trabalhos no cinema, televisão e teatro, Aline Prado atravessa um momento de renovação artística. Aos 38 anos, após marcar o imaginário popular como Globeleza por oito anos, ela consolida sua trajetória na atuação e se prepara para a estreia do filme Família de Sorte, além de integrar o elenco da série Redoma e desenvolver um espetáculo autoral para os palcos. Em entrevista, Aline reflete sobre os desafios de romper estigmas, a importância da formação artística e o desejo de expandir sua carreira contando novas histórias no Brasil e no exterior.

Sua história começa em um projeto social no morro do Andaraí e hoje passa por cinema, televisão e teatro. Quando você olha para esse caminho, quais momentos foram decisivos para que você percebesse que a arte realmente seria o centro da sua vida?

Acho que, mesmo que instintivamente, eu sempre soube que a arte era o meu caminho. Eu sempre me dediquei muito em cada uma das oportunidades que tive e procurei estudar bastante. O interesse sempre foi tão genuíno que, quanto mais eu estudava, mais eu tinha vontade de aprender a respeito e continua sendo assim, eu ainda me sinto da mesma forma e continuo reservando tempo para fazer cursos e me aprimorar ainda mais. Meu amor e respeito pelo meu trabalho só cresceram com o tempo.

Durante oito anos você foi um dos rostos mais marcantes do Carnaval brasileiro como Globeleza. De que forma essa experiência moldou não apenas sua carreira, mas também a artista e comunicadora que você se tornou hoje?

Eu literalmente me tornei uma pessoa adulta sendo uma Globeleza, então é impossível dissociar tudo o que eu fiz desde então desse recorte. Eu aprendi muito nesse período, passei por um momento de mudança social, de crescimento de pautas e discussões muito importantes estando numa posição muito específica. Além disso, esse trabalho promoveu uma mudança significativa na minha realidade econômica na época, me permitiu pagar a minha faculdade e todos os cursos de atuação que eu fiz. Tudo isso junto me forma não só como artista e comunicadora, mas também como mulher.

Você já comentou que “sempre foi atriz”, inclusive ao falar da construção da personagem Globeleza por tantos anos. Em que momento essa percepção se tornou mais clara para você?

Eu não sei se eu consigo precisar esse momento, não acho que tenha um marco assim tão claro, mas eu sempre enxerguei a Globeleza como uma personagem, mesmo antes de ser eu a intérprete, já entrei sabendo tudo aquilo que ela era responsável por representar e sabendo também que eu ia precisar de um pouco mais que somente a minha personalidade para dar vida a isso tudo, até porque eu sou muito tímida, diferente dela. Acho até que aprendi a ser mais expansiva nesse período. A Globeleza, assim como todas as minhas personagens, me fez aprender um pouco mais sobre o mundo e sobre mim. Então, se tivesse que dizer quando essa conclusão se firmou na minha cabeça foi depois de encerrar meu tempo interpretando ela.

Romper com os rótulos que a sociedade cria nem sempre é simples. Como foi lidar com o desafio de ser vista além da imagem da Globeleza e afirmar seu espaço como atriz?

Esse é um trabalho ainda em andamento. A transição de carreira no final do meu período como Globeleza foi desafiadora. Foi complexo o processo de fazer as pessoas acreditarem que eu tinha potencial para fazer alguma outra coisa além de dançar. Eu precisei criar um espaço para ter voz e a partir daí criar um novo caminho. Atualmente eu consigo transitar entre ser uma atriz, uma apresentadora e ocasionalmente uma bailarina com um pouco mais de tranquilidade. Sigo nessa luta para me estabelecer cada vez mais e sinto que ainda tenho muito a mostrar na minha profissão. Eu me sinto pronta para alçar voos maiores.

Em Família de Sorte, sua personagem Niara tem uma personalidade bem específica e está inserida em um universo de reality show. O que mais te chamou atenção nessa personagem e o que você quis trazer de diferente para ela?

A Niara é uma influencer, ama a exposição e adora ser o centro das atenções, então estar num reality é o ponto alto da vida dela. Ela se sente muito tranquila nesse contexto. Eu aprendi na época várias dancinhas de Tik Tok pra que ela pudesse fazer os seus VTs, foi gostoso poder colocar meu talento na dança a favor dessa personagem, mas se me perguntar agora eu não sei mais nada do que eu aprendi. Queria ter aprendido a ser mais presente nas redes com ela, mas não rolou muito pra mim.

Já na série Redoma, o tom parece mais reflexivo e complexo, discutindo até onde alguém pode ir para ascender socialmente. O que essa história provocou em você como atriz e também como pessoa?

A Redoma me colocou diante daquilo que é inegociável, trouxe a tona limites e eu acho que essa deve ser uma reflexão constante para todos nós de tempos em tempos. Acho importante que cada um de nós saiba com alguma clareza quais são os seus princípios e o que na vida você está ou não disposto a negociar para alcançar ou seus objetivos. Pessoalmente eu já tive que encarar essas perguntas algumas vezes na vida, acho natural no processo de amadurecimento.

Você também está desenvolvendo um espetáculo teatral autoral ao lado de Shirley Cruz e Cibele Maria. O que despertou em você a vontade de criar algo próprio e quais temas você sente necessidade de colocar em cena?

A maior motivação para criar esse projeto autoral foi uma pergunta da Shirley, numa conversa informal, ela me perguntou sobre o que eu gostaria de falar. Acho que foi a primeira vez que me perguntaram isso, uma porta se abriu na minha cabeça e eu me permiti passar por ela. Agora eu vejo que escrever faz parte também de um amadurecimento artístico e pessoal, tudo muito alinhado. Eu tenho muito a dizer e acho lindo que a arte possa ser o veículo através do qual eu vou poder me expressar a vida inteira. E ainda tenho a sorte imensa de ter amigas tão potentes, talentosas e dispostas a criar que me ajudam a trilhar esse novo caminho. Estou ansiosa demais pra ver esse projeto no mundo.

Hoje você transita entre atuação, apresentação e dança, e fala sobre o desejo de viver muitas histórias ainda. Que tipos de personagens ou narrativas você sente que gostaria de explorar nos próximos capítulos da sua carreira?

Sempre que me perguntam isso, a minha cabeça vai tão longe que eu acho que precisaria de horas pra descrever o que eu vejo, mas pra resumir eu quero histórias contundentes, personagens complexas, com emoções intensas. Eu me alimento de boas histórias e é isso que eu quero para o meu futuro. O céu é o limite e quando chegar lá eu descubro pra onde mais dá pra subir.

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