Gil de Sá leva debate sobre racismo e memória social ao Atelier Cultural em São Paulo

Rodolfo Gomes
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O escritor e pesquisador Gil de Sá participa, no próximo 31 de janeiro de 2026, de uma conversa no Atelier Cultural Travessia Literária, em Higienópolis, São Paulo. O encontro marca a apresentação e o debate em torno de sua nova obra, dedicada a examinar o racismo a partir de uma perspectiva psicológica e social, ampliando o alcance de sua produção literária.

O evento reunirá nomes expressivos do meio cultural e artístico, entre eles Luciene Carvalho, presidente da Academia Brasileira de Letras de Mato Grosso, além de Andreia Lara Kmita, Vitor Hugo, Rita Tormenta e o cantor e compositor Ca Cau. A proposta é criar um espaço de diálogo entre literatura, música e reflexão social, valorizando diferentes formas de expressão cultural.

Natural do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Gil de Sá traz para o debate a experiência de uma região marcada por forte produção cultural, mas também por desigualdades históricas. Sua participação no encontro busca justamente ampliar a visibilidade dessa diversidade, conectando vivências regionais a discussões de alcance nacional.

Ao longo de sua trajetória, o autor tem se dedicado a pesquisas que analisam programas sociais e seus impactos na educação e na permanência escolar, temas abordados em livros lançados em 2024 e 2025. Em sua obra mais recente, no entanto, Gil de Sá desloca o foco para uma investigação mais ampla sobre o racismo e seus efeitos subjetivos.

No livro “Psiquemicídio Negro As várias faces do racismo”, o escritor propõe o conceito de “psiquemicídio” para descrever processos de violência simbólica e psicológica que afetam a população negra antes mesmo de qualquer agressão física. A obra discute como práticas cotidianas muitas vezes naturalizadas contribuem para a negação da identidade, a exclusão e o desgaste emocional contínuo.

Em entrevistas recentes, Gil de Sá tem defendido que o racismo não se manifesta apenas em atos explícitos, mas também em mecanismos sutis, como a desconfiança constante, a exclusão silenciosa e a dificuldade de acesso a oportunidades. Para ele, essas formas menos visíveis de discriminação produzem impactos profundos na subjetividade e na construção da autoestima.

A literatura do autor se destaca por não se limitar ao registro narrativo. Seus textos operam como instrumentos de questionamento, propondo ao leitor uma reflexão crítica sobre estruturas sociais e seus efeitos psicológicos. Ao articular pesquisa, experiência pessoal e análise histórica, Gil de Sá insere sua obra em um campo que ultrapassa o literário e dialoga diretamente com a formação da consciência social.

A ligação com o Vale do Jequitinhonha confere ainda mais densidade ao seu trabalho. Ao escrever a partir de um território frequentemente associado a estigmas, o autor contribui para revelar uma região rica em cultura, pensamento e produção intelectual, ampliando vozes que costumam permanecer à margem dos grandes centros.

O encontro no Atelier Cultural Travessia Literária reforça o papel da literatura como espaço de escuta, debate e elaboração coletiva. Ao trazer à tona temas sensíveis e estruturar conceitos que ajudam a compreender a complexidade do racismo no Brasil, Gil de Sá consolida sua atuação como escritor que articula palavra, reflexão e responsabilidade social.

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