Educar para o mundo: o papel da escola na formação de cidadãos globais

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Para a educadora e diretora Márcia Regina Penhalver, formar cidadãos com empatia, consciência e visão intercultural é o grande desafio da educação contemporânea

A escola é, por excelência, o primeiro espaço onde a criança aprende sobre o mundo e sobre seu papel nele. Mais do que transmitir conteúdos, a educação tem hoje a responsabilidade de preparar pessoas capazes de compreender a diversidade, respeitar diferenças e agir de forma consciente diante dos desafios globais. Para a educadora e gestora Márcia Regina Penhalver, diretora e mantenedora do Colégio Methodus, em São Paulo, o papel da escola vai muito além do desempenho acadêmico: é o de formar cidadãos globais.

“Nossa missão é formar cidadãos com empatia, curiosidade e senso global, capazes de dialogar, inovar e agir com propósito. A escola precisa ser o lugar onde se aprende a conviver com o outro, a olhar o mundo de forma crítica e a participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa”, afirma Márcia, que há mais de 25 anos atua na direção escolar e no desenvolvimento de projetos pedagógicos voltados à inclusão e à diversidade.

A formação de cidadãos globais, segundo a diretora, passa pelo desenvolvimento de competências interculturais, pela valorização das diferentes origens e pela construção de um pensamento mais coletivo. “Educar para o mundo é ensinar o aluno a compreender contextos diferentes do seu, a respeitar culturas, e, ao mesmo tempo, a fortalecer sua identidade. É um equilíbrio entre pertencer e compreender o outro”, explica.

Em um cenário em que a globalização e a conectividade transformaram as relações humanas e profissionais, as escolas que incorporam esse olhar ampliado tendem a oferecer experiências de aprendizado mais significativas. A diversidade, destaca Márcia, é o motor desse processo. “Quando há diversidade, o aprendizado se torna mais dinâmico. Cada aluno traz uma bagagem cultural e emocional diferente, e é nesse encontro de perspectivas que nasce o pensamento crítico e criativo”, completa.

Esse movimento tem impulsionado a adoção de programas bilíngues e propostas pedagógicas internacionais em escolas brasileiras. Segundo dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi), o número de instituições com programas desse tipo cresceu mais de 70% na última década, acompanhando a demanda de famílias que buscam um ensino de qualidade alinhado às exigências de um mundo globalizado.

Nos Estados Unidos e na Europa, o conceito de “global citizenship education”, ou educação para a cidadania global, é reconhecido por organismos internacionais como a UNESCO como um dos pilares da educação do século XXI. Essa abordagem propõe o desenvolvimento de competências que ultrapassam fronteiras geográficas e culturais, estimulando empatia, pensamento crítico, engajamento social e responsabilidade planetária.

Para Márcia, o futuro da educação está justamente na capacidade de equilibrar excelência acadêmica e formação humana. “As próximas gerações viverão em um mundo interconectado, com desafios complexos que exigem colaboração e sensibilidade. O papel da escola é oferecer as ferramentas para que cada aluno não apenas se adapte a esse cenário, mas se torne agente de transformação”, conclui.

Assim, educar para o mundo é mais do que preparar para o mercado. É preparar para a vida em comunidade global. É ensinar a compreender, respeitar e transformar o mundo, com empatia e propósito.

 

 

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