Com uma trajetória iniciada ainda na infância e marcada por papéis de destaque na televisão, no cinema e em produções internacionais, a atriz Giovanna Grigio segue ampliando seu espaço no audiovisual contemporâneo. De Chiquititas à série Rebelde, passando por sucessos recentes no streaming e novos projetos previstos para os próximos anos, a artista constrói uma carreira versátil e em constante transformação. Em entrevista, ela reflete sobre sua evolução profissional, os desafios de atuar em diferentes idiomas e os próximos passos em uma fase cada vez mais consolidada de sua trajetória.
Você começou sua trajetória artística ainda muito jovem, fazendo publicidade e estudando teatro na Fundação das Artes. Quando olha para essa fase inicial da vida, qual foi o momento em que percebeu que atuar poderia se tornar muito mais do que apenas uma experiência de infância?
Eu literalmente cresci no set, no meu primeiro trabalho tinha seis meses de idade, e desde então trabalho sem parar. Pra mim sempre foi uma grande diversão, era uma brincadeira, mas era uma brincadeira séria, isso sempre foi claro pra mim. Eu era uma criança capricorniana, já nasci meio velha. Atuar também é brincar com seriedade. Não me lembro do momento em que me percebi sonhando em ser atriz, o sonho sempre esteve lá. E sempre fez parte fortemente da minha personalidade.
Em 2013 veio um dos grandes pontos de virada da sua carreira, quando você interpretou a Mili em Chiquititas. O que esse personagem representou para você naquele momento e como ele influenciou os caminhos que vieram depois?
A Mili tem um lugar muito especial no meu coração, foi com ela que me entendi de fato como atriz, foi uma escola importantíssima que definiu todo o meu caminho como atriz, posteriormente. Ela transformou minha vida de tantas formas, eu era só uma adolescente e de repente todo mundo sabia quem eu era! E me trouxe muitas responsabilidades e muitas oportunidades. Foi lá que eu entendi o que eu queria na minha carreira, e hoje realmente olho com muito carinho pra esse meu primeiro trabalho, me dá muito orgulho ver a atriz que me tornei.
Logo após o sucesso em Chiquititas, você decidiu não renovar com o SBT e buscar novos desafios. Como foi tomar essa decisão tão jovem e partir para um novo capítulo na carreira?
Ao longo daqueles dois anos de novela eu percebi que realmente gostava muito do que estava fazendo e naquele momento eu estava com quase 18 anos e com sede de me desafiar e fazer coisas diferentes. E eu, claro, tinha como referência a carreira da Fernanda Souza, que foi a Mili antes de mim e já era uma inspiração pro meu trabalho. Eu gosto de tomar as decisões da minha vida sempre sentindo coragem, e sabendo que eu vou estar, mais do que tudo, sendo feliz e fazendo o que eu quero.
Em Êta Mundo Bom!, na TV Globo, você viveu a Gerusa, uma personagem marcada por uma história de amor delicada e por uma doença grave. O que essa experiência trouxe de amadurecimento para você como atriz?
Ah, muita coisa, sair de Chiquititas e ir direto pra uma novela das 18h, voltada a um público de faixa etária mais abrangente, trouxe, de fato, uma sensação de amadurecimento. Tudo exigia muito mais maturidade. Acho que uma das melhores coisas foi a oportunidade de trabalhar com alguns atores que eu já admirava muito. Tive muitas trocas com Ana Lucia Torre, Marco Nanini, Claudio Tovar, enfim… Eram meus colegas e super generosos, respondiam todas as minhas perguntas, e tentei aproveitar ao máximo pra aprender porque não é sempre que temos uma oportunidade assim. Lembro que no início da novela minha mãe tinha que me acompanhar porque eu ainda tinha 17 anos, então, Êta foi realmente uma fase muito específica de crescimento pessoal meu também.

Em Malhação: Viva a Diferença, você apresentou ao público a Samantha Lambertini, que depois ganhou uma nova fase na série As Five. Como foi revisitar essa personagem anos depois e acompanhar sua evolução para a vida adulta?
Foi demais poder voltar pra essa personagem, que é com certeza uma das mais queridas da minha carreira. E foi muito desafiador, porque eu a sentia muito diferente do que ela era em Malhação. No início, eu fiquei perdida, não compreendi de imediato muitas das mudanças que estavam inseridas na personagem por conta da passagem de tempo, eu ainda tinha uma lembrança muito viva de exatamente como ela era na obra anterior.
Mas depois, quando fiquei mais velha e alcancei a idade da Samantha em As Five, entendi que realmente nem sempre somos os mesmos. Eu lembro de sentir que tinha que entregar uma maturidade que eu ainda não tinha vivido na minha vida, então não foi fácil.
Mas eu também não costumo gostar quando é fácil, hahaha. Adorei essa experiência, é um trabalho que eu me orgulho muito.
Em 2022, você alcançou projeção internacional com a série Rebelde, da Netflix México, interpretando Emília. Como foi enfrentar o desafio de atuar em espanhol e perceber sua carreira alcançando um público em toda a América Latina?
Foi uma loucura, né? Me sinto orgulhosa com a própria ousadia de encarar esse projeto pois eu tive muito medo. Aprendi sobre meu potencial, descobri toda uma outra indústria de audiovisual que pra mim parecia tão distante e impossível. O legal do espanhol é que é um idioma falado em muitos lugares, então, é muito bacana essa troca cultural que os latinos têm entre si. E a Emilia é uma personagem super querida pelo público. Adorei esse tempo que passei no México e com certeza tenho vontade de atuar em outros lugares do mundo também.
No cinema, você viveu a Sofia em Perdida, um papel que marcou bastante o público e agora continua na sequência Encontrada. O que essa personagem tem de especial para você e por que acredita que ela criou uma conexão tão forte com os espectadores?
Acho que o que conecta o público com a Sofia, para além da personalidade dela, é que ela é um ponto de vista contemporâneo sobre dilemas da nossa sociedade que existem desde sempre, alguns até hoje. A maneira como ela olha as coisas e lida com os problemas do século XIX coloca o público muito dentro da história. E se eu estivesse lá, o que eu faria? Sabe? E fazer a Sofia é muito divertido, ela é engraçada, atrapalhada, e extremamente corajosa e fiel a si mesma! Ela é movida pelo amor e a gente se apaixona junto com ela.
Agora, com novos projetos como Trago Seu Amor e a série Os 12 Signos de Valentina, você continua explorando personagens muito diferentes. Depois de tantos papéis marcantes, o que ainda te motiva a buscar novas histórias e desafios na atuação?
Acho que estou sempre buscando personagens que me desafiem e me levem a me tornar uma atriz mais profunda, mais intensa, mais corajosa….É isso que me satisfaz e me faz feliz. Eu gosto de personagens complexas, que possam ser contraditórias, que me façam descobrir coisas novas. A Mia de Trago Seu Amor me tirou da minha zona de conforto e me ensinou a alcançar outras facetas, me experimentar. E a Valentina então, nem se fala, porque se tem algo que eu estou fazendo é me desprender do julgamento e me jogar em cena. Com ela voltei a brincar sério com muito mais ousadia, e é divertido demais! Estou muito ansiosa para que possam assistir…
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