Duo Origens lança EP e transformou vivências urbanas em paisagens sonoras instrumentais

Luca Moreira
7 Min Read
Duo Origens (Thiago Rocha)
Duo Origens (Thiago Rocha)

O Duo Origens lançou, no dia 6 de março, o EP Landscapes from the Weaver Princess, trabalho que marcou o início de uma nova fase criativa dos violonistas Guilherme Mauad e Henrique Candido. Com três faixas inéditas, o projeto apresentou uma proposta instrumental que une violão contemporâneo, jazz moderno e música brasileira para traduzir memórias, espaços urbanos e emoções em narrativa sonora. Inspirado nas vivências na cidade de Americana (SP), o EP consolidou a identidade do duo ao apostar em composições que privilegiam a escuta, a atmosfera e o diálogo entre os instrumentos, propondo uma experiência sensível e imagética ao público.

O EP “Landscapes from the Weaver Princess” parte da ideia de transformar lugares, memórias e experiências da cidade em música instrumental. Em que momento vocês perceberam que o violão poderia funcionar como uma ferramenta narrativa para contar essas histórias?

O violão sempre fez parte dos nossos fazeremos musicais. Nós dois nos expressamos muito pela guitarra, mas também pelo violão em diversas oportunidades. Acho que a questão maior foi perceber que o Duo Origens tinha algo a agregar com dois violões, e principalmente que nossa força de expressão conjunta fala muito forte nessa formação.

As três faixas do trabalho parecem funcionar como pequenas crônicas sonoras da cidade de Americana. Como foi o processo de observar o cotidiano e transformar essas vivências urbanas em composição musical?

Na verdade o processo foi ao contrário. As músicas foram concebidas e elaboradas primeiro. E a medida que elas iam tomando corpo, percebemos suas similaridades com lugares de Americana. Não apenas cartões postais clássicos da cidade, mas também lugares de cunho afetivos, que marcaram infâncias e situações emotivas para nós.

Duo Origens (Thiago Rocha)
Duo Origens (Thiago Rocha)

Vocês mencionam que não buscam apenas virtuosismo, mas também imagem, emoção e narrativa. Como vocês equilibram a técnica do violão com essa intenção de criar paisagens sonoras que convidem à escuta mais contemplativa?

Nós acreditamos que o virtuosismo é apenas uma ferramenta de expressão. Nós usamos essa ferramenta quando acreditamos que ela é fundamental naquele momento para criar a paleta de emoções específicas para as narrativas desejadas. Virtuosismo para nós vem a serviço da expressão, e não o contrário.

A faixa “Pat Friendly” presta uma homenagem sutil a Pat Metheny. De que forma a obra dele influenciou a construção estética e sonora do Duo Origens?

Pat Metheny é um dos grandes fenômenos da guitarra, e sua obra fez parte da nossa escuta e aprendizado. Acreditamos que o que mais nos inspira nesse grande mestre é sua singularidade sonora. A forma como Pat buscou seu próprio som e sua expressão foi e ainda é uma grande lição em como o Duo Origens deve buscar sua própria sonoridade.

Duo Origens (Thiago Rocha)
Duo Origens (Thiago Rocha)

Em “O Mensageiro”, vocês transformam a rotina de uma redação de jornal em música, com polirritmias e variações rítmicas. Como surgiu a ideia de traduzir o fluxo da informação em linguagem instrumental?

Na verdade, como dissemos anteriormente, o caminho foi inverso. O mensageiro surgiu como uma página em branco para nós, e a medida que as ideias musicas foram preenchendo esse papel, fomos percebendo o quanto o fluxo de ideias se costurava, e suas diversas secções iam se alternando, compondo um obra muito singular, preenchida por diversas partes que falam por si só. A analogia com o jornal veio dessa reflexão.

Já “Reclusa” nasce do silêncio e da introspecção vividos durante a pandemia. O que esse período de isolamento provocou no processo criativo de vocês como músicos?

Reclusa foi nossa primeira composição. Depois de pronta, percebemos o quanto a reclusão nos afetou durante esse processo. Ainda, percebemos quanto os espaços da cidade de Americana se desgastaram pela reclusão da pandemia, gerando abandono dos patrimônios comunitários, como praças e parques. Assim nasceu a ideia de homenagear os espaços tão queridos da nossa cidade.

Duo Origens (Thiago Rocha)
Duo Origens (Thiago Rocha)

O projeto parece nascer de um diálogo muito forte entre os dois violões. Como funciona a dinâmica criativa entre vocês na hora de compor e construir os arranjos?

Exatamente. A ideia de todo o trabalho do Duo Origens veio do diálogo entre os dois instrumentos, e isso agrega para todos os processos do Duo, desde o processo de composição até os processos de ensaio e gravação. Normalmente começamos com a composição de um violão (normalmente o do Henrique), e a medida que as partes do violão de 7 cordas estão prontas, o violão de 6 cordas é introduzido para valorizas o que já está pronto, gerando equilíbrio, harmonia e em muitos casos até contraste, para que a obra como um todo de um significado maior e complexo.

“Landscapes from the Weaver Princess” inaugura uma série de lançamentos dentro dessa proposta estética. Que caminhos vocês imaginam explorar nos próximos trabalhos do Duo Origens?

A ideia agora é continuar a gravação de outras composições que homenageiam os cartões postais de Americana, e junto com as 3 composições já lançadas, completar a ideia de um álbum completo que se chamará “Landscapes”.

Duo Origens (Thiago Rocha)
Duo Origens (Thiago Rocha)

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